Hotel Rainha D. Amélia, Arts & Leisure
Castelo Branco
Quatro estrelas no alto da colina, com vista grande sobre Castelo Branco e um health club com piscina interior, sauna e banho turco que faz a diferença. Base ideal para a Beira Baixa, não destino em si.
O Meliá Castelo Branco fica num sítio que faz sentido assim que se sai da cidade: no alto de uma colina, na Rua da Piscina s/n, 6000-776, com vista panorâmica sobre Castelo Branco, a Serra da Gardunha ao fundo e, em dias limpos, a planície beirã a estender-se sem fim. É um quatro estrelas com a posição de um cinco, e essa é a primeira coisa que importa perceber antes de reservar.
O hotel não está no centro histórico. Está numa zona residencial calma, perto do complexo da piscina municipal, a cerca de dez minutos a pé do Jardim do Paço Episcopal e do casco antigo, embora a subida final seja puxada e desaconselhável com malas. Quem chega de carro tem estacionamento e a saída para a A23 fica logo ali. De comboio, a estação de Castelo Branco serve-se bem da CP regional vinda da Beira Baixa, e o táxi até ao hotel custa pouco. Para quem vem de Lisboa, são cerca de duas horas e meia pela A23. De Espanha, a fronteira de Segura fica a menos de uma hora.
A relação com a cidade é, portanto, de varanda. Vê-se Castelo Branco do quarto, mas não se vive a cidade do hotel. Isso é uma vantagem para quem quer descansar e uma desvantagem para quem queria sair à noite e voltar a pé sem pensar. Para conhecer o que há de melhor a pé, vale a pena seguir o roteiro de Castelo Branco: Jardim do Paço e Bordados no Centro Histórico antes de subir de novo ao hotel ao fim da tarde.
O Meliá é um edifício moderno, sem ambições arquitetónicas. Lobby amplo, muito vidro, esplanada com vista. Os quartos são generosos para o padrão português, com varandas que valem o pequeno suplemento, sobretudo nos pisos superiores virados a poente. Peçam um quarto com vista para a cidade, não para o parque de estacionamento. A diferença é toda. Cama confortável, insonorização decente, ar condicionado que funciona como deve, casa de banho com banheira em alguns quartos e duche em outros. Não é design hotel, não pretende ser.
O que distingue mesmo este hotel, e justifica a categoria de preço €€€, é o health club. A piscina interior aquecida é mais generosa do que se espera num hotel desta dimensão, e o conjunto de sauna e banho turco é dos mais bem mantidos da região. Uso a palavra com peso: muito hotel português anuncia spa e entrega um cubículo. Aqui está cuidado e usa-se. Vão de manhã cedo ou ao fim da tarde, ao meio-dia o ginásio enche com hóspedes em viagem de negócios.
O restaurante do hotel cumpre, sobretudo ao pequeno-almoço, com buffet farto que inclui queijo da Beira Baixa, enchidos locais e fruta da época. Ao jantar, a minha opinião é frontal: saiam. Castelo Branco tem mesa boa por preços bem mais simpáticos do que os do hotel, e o bar de hotel é genérico. A direção do restaurante muda com alguma frequência, por isso confirme diretamente o serviço da noite na receção, sobretudo fora de época.
Para o jantar, desçam à cidade. Para um copo a sério depois das onze, Repvblica é o sítio que mantém Castelo Branco acordado, e fica a um táxi curto. Se quiserem aprofundar a cozinha local, há um guia nosso só sobre isso, Tigeladas, Queijo DOP e a Cozinha dos Conventos, com endereços testados.
É um bom hotel para três tipos de viajante. Primeiro, casais que querem dois ou três dias calmos, com piscina e sauna ao fim do dia, e usam Castelo Branco como base para a Serra da Gardunha, Monsanto, Idanha-a-Velha e a Beira Baixa. Segundo, famílias com crianças que precisam de espaço e piscina interior nos meses frios. Terceiro, viajantes em trabalho que precisam de wifi decente, estacionamento e proximidade à A23.
Não é a melhor escolha para quem quer hotel de centro histórico com café à porta e mercearia ao fundo da rua. Para isso, há alojamentos no centro com outro tipo de relação com a cidade. Também não é a opção mais charmosa para uma escapadela romântica de fim de semana: ganha em conforto, perde em personalidade.
O melhor de Castelo Branco está na primavera e no início do outono. Verão é quente, e o interior beirão atinge facilmente os 38 graus em julho e agosto, altura em que a piscina interior do hotel passa a ser argumento secundário e a exterior, quando aberta, é o que se procura. Inverno é frio mas seco, e há descontos consideráveis. Para combinar com o sul, cruze esta estadia com o roteiro de Primavera na Rota Vicentina.
Vale a pena cruzar datas com a agenda cultural. O Festival Sabores de Perdição 2026 e o Festival Raiz d'Aldeia 2026 esgotam o alojamento na cidade e nas aldeias em redor, por isso, se for nessas semanas, reserve com bastante antecedência.
O Meliá Castelo Branco é o que devia ser: um hotel sólido, com vista, piscina interior a sério e localização que favorece a quietude. Não é destino em si, é base. Use-o como tal e dará excelente conta. Espere boutique e ficará desiludido. Espere uma cama boa, um banho turco quente e uma vista grande sobre a Beira Baixa, e voltará.