Castelo Branco

Capital de distrito que muitos atravessam sem parar, Castelo Branco guarda o mais dramático jardim barroco do interior português e uma tradição de bordado em seda reconhecida pela UNESCO. Dois dias chegam para explorar a cidade, o queijo DOP, o cabrito assado e as Portas de Ródão.

Guias

Castelo Branco é daquelas capitais de distrito que os portugueses atravessam a caminho de Espanha sem parar. Um erro. A cidade não precisa de multidões para justificar uma visita, precisa é de visitantes com tempo para andar devagar pela Rua de Santiago, subir ao miradouro junto às ruínas do castelo dos Templários e deixar-se perder nos jardins mais teatrais do interior de Portugal.

O Jardim do Paço Episcopal

O Jardim do Paço Episcopal, construído no início do século XVIII por ordem do bispo João de Mendonça, é o motivo pelo qual vale a pena desviar da autoestrada. Escadarias barrocas ladeadas por estátuas dos reis de Portugal, com os monarcas do domínio espanhol propositadamente esculpidos em tamanho menor, numa provocação em pedra que diz mais sobre o orgulho beirão do que qualquer livro de história. Fontes, tanques e buxo aparado compõem um cenário que não tem paralelo nesta parte do país.

A seda e o bordado

Se há uma coisa que define Castelo Branco para lá da paisagem, é o bordado. Fios de seda natural sobre linho, trabalhados com cerca de 50 pontos diferentes, em motivos que vão da árvore da vida a romãs e cravos. Em 2023, a cidade entrou na Rede de Cidades Criativas da UNESCO precisamente por esta tradição. O Centro Interpretativo do Bordado, junto ao centro histórico, mostra colchas dos séculos XVII e XVIII que levaram meses, por vezes anos, a bordar. Não é decoração: é obsessão transformada em arte têxtil.

O que comer

A mesa albicastrense não se faz de modas. O cabrito assado é o prato de referência, servido com batatas e acompanhado do queijo de Castelo Branco, um queijo curado de ovelha, intenso e ligeiramente amanteigado, com Denominação de Origem Protegida. Para sobremesa, a tigelada é obrigatória: um leite-creme denso, assado em tigelas de barro, com a superfície tostada a lembrar crème brûlée sem cerimónias. As papas de carolo, feitas com farinha de milho, leite e canela, são a outra opção, mais rústica, mais honesta.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias chegam para a cidade. Os verões são quentes e secos, acima dos 35°C com facilidade, por isso a primavera e o outono são as melhores alturas. Quem tiver mais tempo, as Portas de Ródão ficam a meia hora: dois penhascos que estreitam o Tejo num cenário que justifica o desvio.