Baloiço da Torre (Barrozinha)
Miradouros

Baloiço da Torre (Barrozinha)

A 320 metros de altitude, em Barrosinha, um baloiço de duas tábuas virado para a Serra de Aire e Candeeiros. Não tem bilheteira, não tem horário, não tem casas de banho. Vá ao fim da tarde, ou não vá.

O Baloiço da Torre fica em Barrosinha, uma localidade pequena de Reguengo do Fetal, freguesia da Batalha, e é exatamente o tipo de paragem que faz sentido encaixar entre um café no centro da vila e o regresso a casa antes de o céu mudar de cor. Não há bilheteira, não há horário afixado, não há funcionário a explicar o sítio. Há um baloiço de duas tábuas, dois assentos, virado para sul, plantado a 320 metros de altitude, com a Serra de Aire e Candeeiros à frente e o vale de Reguengo do Fetal a descer até à Batalha em segundo plano. É curto de visita e generoso de paisagem, e a primeira coisa honesta que se pode dizer é que não vale a pena ir só para tirar a fotografia: vale ir pelo trajeto e pelo fim de tarde.

Onde fica e como lá chegar

A morada formal é Barrosinha, Reguengo do Fetal, Batalha. A partir do centro da Batalha, conte com cerca de dez a quinze minutos de carro a subir pela estrada do Reguengo do Fetal, passando casas baixas, muros de pedra solta e oliveiras a ganhar terreno ao calcário. O acesso final faz-se por um caminho de terra batida, transitável em qualquer carro fora de tempo de chuva forte. Em dias de inverno molhado vá com calma: as últimas dezenas de metros ficam escorregadias e não há iluminação. De transportes públicos não tente, o autocarro deixa-o a quilómetros e o resto é a pé pela estrada, sem passeio. Táxi ou carro próprio é a única forma sensata.

Não há parque de estacionamento desenhado, deixa-se o carro à beira do caminho, encostado, sem incomodar o trânsito agrícola. Em fins de semana de primavera e verão é frequente encontrar três ou quatro carros já estacionados, sobretudo a partir das 18h. Se vir o lugar cheio, não vale a pena esperar de pé ao lado: dê uma volta de quinze minutos pelo Reguengo do Fetal e volte.

O que se vê dali

O baloiço está colocado num esporão calcário aberto sobre o vale. À frente, em primeiro plano, o casario branco de Reguengo do Fetal; um pouco mais longe, a vila da Batalha, com o vulto inconfundível do Mosteiro a desenhar-se quando a luz é boa. Para sudoeste estende-se a Serra de Aire e Candeeiros, com aquele relevo de pedra clara e mato baixo que define toda esta região. Em dias limpos vê-se o oceano como uma linha cinzenta no horizonte. É o tipo de panorâmica que faz sentido para quem está a fazer uma rota de miradouros pela zona: combina muito bem com o Miradouro da Portela das Cruzes, que fica relativamente perto e oferece outro ângulo sobre o mesmo vale.

Quando ir, e quando não ir

A resposta curta é: ao fim da tarde, uma hora antes do pôr do sol. A resposta longa é que este é um sítio orientado para o poente, com a serra a fazer de pano de fundo, e a luz das últimas duas horas é o que justifica a deslocação. Se for ao meio-dia em julho, com 35 graus e nenhuma sombra, vai arrepender-se. Se for ao amanhecer, o sol vem por trás e a paisagem que interessa fica em contraluz. A janela boa é entre as 17h30 e o crepúsculo no inverno, e entre as 19h30 e as 22h no verão. Se quiser aprofundar o tema do fim de tarde nesta zona, leia O Crepúsculo do Calcário: Onde o Sol se Põe na Batalha antes de planear a rota.

Evite dias de nevoeiro cerrado, que aqui acontece com alguma frequência no inverno e na primavera, e em que simplesmente não se vê nada. Vento forte também tira o prazer, o baloiço balança bem, mas com rajadas a partir de 40 km/h passa de divertido a desconfortável. Em dias de chuva o caminho final fica mau e a madeira fica encharcada.

Dicas práticas

  • Preço: entrada gratuita, sem bilheteira, sem caixa, sem QR code. Categoria € no sentido literal de "não se paga".
  • Horário: não tem horário oficial. Por ser ao ar livre e sem vedação, está acessível 24 horas, mas à noite não há iluminação nenhuma. Leve lanterna ou frontal se ficar para depois do pôr do sol.
  • Reservas: não se aplica. Se chegar e o baloiço estiver ocupado, espere a sua vez com paciência, dez minutos resolvem.
  • Calçado: ténis ou botas leves. Sandálias e chinelos não, o caminho é irregular e há pedra solta.
  • Crianças: o baloiço é de duas tábuas, sem cinto, e está num esporão com declive à frente. Crianças pequenas só com um adulto sempre a segurar.
  • Casas de banho: não existem. Resolva no café antes de subir.
  • Lixo: não há contentor. O que trouxer, leva. Esta zona da serra é frágil e a quantidade de plástico que aparece em sítios destes é embaraçosa.
  • Drones: tecnicamente possível, mas com bom senso. Em fins de semana cheios é falta de educação.

Combinar com outras paragens

O Baloiço da Torre, sozinho, não enche uma tarde. Faz sentido como peça de um itinerário. Sugestão honesta: comece pela vila da Batalha a meio da tarde, dê uma volta pelo Mosteiro e pelas ruas à volta com o pano de fundo do guia Onde o Tempo Estaciona: Um Mergulho na História da Batalha, ou, se quiser uma leitura mais focada na arquitetura manuelina, vá ler Batalha: A Geometria da Promessa e o Silêncio da Pedra. Por volta das cinco e meia, suba ao Reguengo do Fetal. Faça primeiro o miradouro mais aberto, depois o baloiço, fique para o pôr do sol, e desça para jantar à Batalha.

Para o jantar, o Restaurante Dom Duarte é uma escolha segura na vila, e fica a poucos minutos de carro do baloiço. Reserve, sobretudo de sexta a domingo, porque é pequeno e enche.

O que levar

Uma camisola extra, mesmo em julho, porque a 320 metros e ao fim do dia o vento esfria depressa. Água. A bateria do telemóvel cheia se for fotografar, porque vai querer tirar mais fotografias do que está à espera. Um pano ou toalha pequena para limpar o assento se tiver chovido nas horas anteriores. E, sinceramente, paciência: o instagrammable do sítio atrai gente que demora muito tempo a tirar a foto perfeita, e a única forma civilizada de gerir isto é dar a vez sem drama.

Vale a pena?

Vale, com condições. Se está na Batalha por uma noite, se gosta de fim de tarde ao ar livre e se aceita que dez minutos sentado num baloiço a ver o sol descer sobre a Serra de Aire e Candeeiros é uma forma legítima de gastar tempo, este sítio cumpre. Se está à espera de uma atração com infraestrutura, café, casa de banho e parque ordenado, não é aqui. É um baloiço numa serra. É só isso, e às vezes só isso é o suficiente.