Restaurante Burro Velho
Batalha
A Batalha resume-se a um dos melhores mosteiros da Europa e a uma vila que, fora das horas de ponta turísticas, ainda funciona ao ritmo de uma terra do Centro. Fique pelo menos meio dia, o mosteiro pede calma, e o almoço aqui custa metade do que pagaria em Lisboa.
Toda a gente fotografa o Mosteiro da Batalha ao meio-dia e fica com um postal esquecível. Este guia diz-lhe a que horas subir aos miradouros, onde apanhar a luz cor de mel, e onde almoçar entre fotografias.
A Batalha não tem discotecas nem rua de bares, e isso liberta-te para a verdadeira noite: jantar sem pressa, o Mosteiro iluminado só para ti e miradouros onde a banda sonora são os grilos. Para a festa, há Leiria e Coimbra ao lado.
Não se surfa na Batalha, e ainda bem. A vinte minutos do monstro da Nazaré e a meia hora das ondas mansas de São Pedro de Moel, a vila é o campo-base perfeito para uma semana de mar: dorme em silêncio, paga menos e escolhe de manhã entre aprender ou só ver gigantes partir-se na falésia.
O mosteiro mais caro de entrada é, ironicamente, o que menos precisas de pagar para apreciar. Da fachada cor de mel ao pôr do sol no Baloiço da Torre, eis como fazer a Batalha por quase nada sem perder o essencial.
A Batalha existe por causa de uma promessa, e essa promessa pesa em pedra. D. João I jurou que, se vencesse a Batalha de Aljubarrota em 1385, ergueria o mosteiro mais grandioso do reino. Venceu, e o resultado é o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, hoje Património Mundial da UNESCO, que domina o centro da vila com uma presença que não se ignora. Mesmo quem já viu dezenas de igrejas medievais pela Europa vai parar à frente das Capelas Imperfeitas e ficar em silêncio. Não há tecto. O céu entra. O rendilhado manuelino no portal é de uma complexidade absurda para o século XV.
A maioria dos visitantes chega, vê o mosteiro em hora e meia, e parte para Fátima ou Alcobaça. É pena. A Batalha merece pelo menos meio dia, e quem ficar para almoçar vai comer bem sem gastar muito. O Restaurante Dom Duarte, ali perto do centro, é uma referência local. O leitão assado e o cabrito são os pratos que a região faz melhor, não espere inovação gastronómica, mas espere fartura e produto honesto.
A vila em si é pequena e percorre-se a pé sem esforço. A Praça Mouzinho de Albuquerque, em frente ao mosteiro, é o ponto de partida natural. As ruas à volta têm cafés com esplanada onde um café e um pastel custam o que deviam custar, menos de dois euros. Ao fim da tarde, quando os autocarros de excursão já saíram, o largo fica quase vazio e a luz de poente na fachada do mosteiro justifica a espera.
Evite o meio do dia no verão, o calcário branco do mosteiro reflecte o sol e a visita torna-se desconfortável. A melhor altura é ao início da manhã ou ao final da tarde, entre Abril e Junho ou em Setembro e Outubro. Um dia completo permite visitar o mosteiro com calma, incluir o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (a poucos quilómetros, no local do campo de batalha real), almoçar e ainda passear pela vila.
A Batalha funciona bem como base para explorar o triângulo Alcobaça–Batalha–Tomar, os três grandes mosteiros do centro de Portugal. Com carro, qualquer um deles está a menos de uma hora. Sem carro, há autocarros da Rede Expressos a partir de Lisboa com paragem na Batalha, a viagem demora cerca de duas horas.