Santiago do Cacém fica num ponto improvável do mapa: longe o suficiente da costa para não ser estância balnear, perto o suficiente para se chegar à Lagoa de Santo André em menos de quinze minutos. É esta posição ambígua que define a experiência. A vila tem um castelo medieval no topo, ruínas romanas nos arredores e uma das maiores lagoas costeiras do país à porta, mas não tem a pressão turística que normalmente acompanha este tipo de oferta.
O castelo e o centro histórico
O Castelo de Santiago do Cacém, de origem mourisca e reconstruído pelos Cavaleiros da Ordem de Santiago no século XIII, ocupa o ponto mais alto da vila. O cemitério municipal foi instalado dentro das muralhas, uma decisão invulgar que dá ao lugar uma atmosfera estranha e silenciosa, muito diferente dos castelos-museu do resto do país. Dali, vê-se o casario branco a descer a encosta e, em dias limpos, a linha da costa. O centro histórico organiza-se em ruas estreitas que descem do castelo até à zona baixa, onde se concentram cafés e o comércio local.
Miróbriga: Roma no Alentejo
A cerca de um quilómetro da vila, as ruínas romanas de Miróbriga estendem-se por dois quilómetros quadrados. O sítio inclui um fórum com templos, termas notavelmente bem conservadas e as fundações de um hipódromo, o único identificado em território português. A ocupação remonta à Idade do Ferro, mas o que se vê hoje é sobretudo do período flaviano, quando Miróbriga recebeu o estatuto de município romano. Há um centro de interpretação no local. É uma visita que pede pelo menos uma hora, mais se houver interesse em arqueologia.
A Lagoa de Santo André e a costa
A Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha protege quinhentos hectares de lagoa costeira, dunas e habitats de avifauna. Na primavera, é um dos melhores sítios do país para observação de aves, galeirões, patos-de-crista e o rouxinol-dos-caniços, símbolo da reserva. A praia da Costa de Santo André, larga e com pouca gente fora de Agosto, faz a separação entre a lagoa e o mar. Para windsurf ou canoagem, a lagoa oferece condições protegidas do vento forte que marca a costa alentejana.
Comer e ficar
A cozinha local gira em torno do ensopado de borrego, das açordas e das enguias, herança da proximidade com a lagoa. O gaspacho alentejano, servido frio e sem relação com o espanhol, aparece em quase todas as mesas no verão. Dois ou três dias bastam para cobrir a vila, as ruínas e a costa sem pressa. A melhor altura é entre Abril e Junho, quando o calor ainda não queima e a lagoa está no seu melhor para observação de aves.