Monte dos Pensamentos - Turismo Rural
Estremoz
Cidade alta dentro das muralhas ou cidade baixa à beira do Rossio? A escolha do bairro em Estremoz muda tudo, do estacionamento ao mercado de sábado. Um guia franco para escolher onde dormir consoante o seu estilo.
Toda a gente vem ao mercado de sábado e vai-se embora ao almoço. Mas Estremoz só se entrega ao domingo à tarde: as figureiras a pintar barro, as piscinas cheias de gente da terra e as praias fluviais à sombra. O guia do outro Estremoz.
Em Estremoz não há clubes nem DJ às três da manhã, e ainda bem. A noite faz-se no Rossio, com um copo de tinto a dois euros, mármore debaixo dos pés e o fado a acontecer por acaso. Um guia sem ilusões sobre a vida noturna alentejana.
Esqueça os restaurantes para turistas. O verdadeiro guia gastronómico de Estremoz começa no mercado de sábado, passa pelas migas e pelo porco preto, e termina sempre com uma sericaia que treme à colher.
Estremoz é uma cidade feita de mármore, literalmente. O branco que cobre as fachadas do centro histórico não é cal: é a mesma pedra que se extrai das pedreiras em redor e que fez desta zona responsável por 90% do mármore exportado por Portugal. Isso nota-se em tudo, dos batentes das portas aos bancos de jardim, até na Torre das Três Coroas, o torreão de 28 metros que domina a cidade alta e que deve o nome aos três reis que financiaram a sua construção, D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando.
Estremoz divide-se em dois níveis. Em cima, dentro das muralhas do castelo do século XIII, as ruas de calçada estreita levam ao antigo paço de D. Dinis, hoje convertido em pousada. A entrada na torre é gratuita e aberta a quem não está hospedado, vale a pena subir pela vista sobre a planície alentejana. Cá em baixo, o Rossio Marquês de Pombal é o verdadeiro centro de gravidade da cidade, especialmente ao sábado.
O mercado semanal do Rossio é provavelmente o melhor da região. Fruta da época, queijos curados, enchidos, ferramentas antigas, peças de cortiça e, claro, os Bonecos de Estremoz, figuras de barro pintado reconhecidas pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2017. Originalmente feitas por mulheres que moldavam santos devocionais em barro vermelho local, as figuras retratam hoje ofícios, tradições e cenas do quotidiano alentejano. Se quiser saber mais, o Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, junto ao Rossio, explica toda a história.
À mesa, Estremoz segue a cartilha alentejana sem pedir desculpa: pézinhos de coentrada (pés de porco com coentros), enchidos fumados da região e, para fechar, a sericaia, um pudim de ovos polvilhado com canela, servido com ameixas Rainha Cláudia em calda. Não é uma sobremesa leve, mas é a forma certa de acabar um almoço lento num dia de calor seco.
Um dia inteiro chega para ver Estremoz com calma, mas se puder, faça coincidir a visita com o sábado para apanhar o mercado. A primavera e o início do outono são as melhores alturas, o verão alentejano passa facilmente dos 40°C e as ruas ficam desertas depois do almoço. Quem quiser explorar as pedreiras de mármore e os trilhos em redor, como o Trilho do Ouro Branco, vai precisar de mais um dia.