Estremoz é uma cidade feita de mármore, literalmente. O branco que cobre as fachadas do centro histórico não é cal: é a mesma pedra que se extrai das pedreiras em redor e que fez desta zona responsável por 90% do mármore exportado por Portugal. Isso nota-se em tudo, dos batentes das portas aos bancos de jardim, até na Torre das Três Coroas, o torreão de 28 metros que domina a cidade alta e que deve o nome aos três reis que financiaram a sua construção, D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando.
Cidade alta, cidade baixa
Estremoz divide-se em dois níveis. Em cima, dentro das muralhas do castelo do século XIII, as ruas de calçada estreita levam ao antigo paço de D. Dinis, hoje convertido em pousada. A entrada na torre é gratuita e aberta a quem não está hospedado, vale a pena subir pela vista sobre a planície alentejana. Cá em baixo, o Rossio Marquês de Pombal é o verdadeiro centro de gravidade da cidade, especialmente ao sábado.
O mercado de sábado
O mercado semanal do Rossio é provavelmente o melhor da região. Fruta da época, queijos curados, enchidos, ferramentas antigas, peças de cortiça e, claro, os Bonecos de Estremoz, figuras de barro pintado reconhecidas pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2017. Originalmente feitas por mulheres que moldavam santos devocionais em barro vermelho local, as figuras retratam hoje ofícios, tradições e cenas do quotidiano alentejano. Se quiser saber mais, o Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, junto ao Rossio, explica toda a história.
O que comer
À mesa, Estremoz segue a cartilha alentejana sem pedir desculpa: pézinhos de coentrada (pés de porco com coentros), enchidos fumados da região e, para fechar, a sericaia, um pudim de ovos polvilhado com canela, servido com ameixas Rainha Cláudia em calda. Não é uma sobremesa leve, mas é a forma certa de acabar um almoço lento num dia de calor seco.
Quando ir e quanto tempo ficar
Um dia inteiro chega para ver Estremoz com calma, mas se puder, faça coincidir a visita com o sábado para apanhar o mercado. A primavera e o início do outono são as melhores alturas, o verão alentejano passa facilmente dos 40°C e as ruas ficam desertas depois do almoço. Quem quiser explorar as pedreiras de mármore e os trilhos em redor, como o Trilho do Ouro Branco, vai precisar de mais um dia.