Elvas

A maior cidade fortificada da Europa tem sete baluartes, dois fortes e uma sobremesa, sericaia com ameixas em calda, que justifica a viagem. Elvas fica a quinze minutos de Espanha e continua a funcionar sem multidões, mesmo com o selo da UNESCO.

Elvas está a quinze minutos de Espanha e a três horas de Lisboa, e talvez por isso tanta gente a salte sem parar. É um erro. Esta é a maior cidade fortificada da Europa, não por metros de muralha, mas pelo número absurdo de estruturas defensivas empilhadas ao longo de séculos: sete baluartes, dois fortes, um castelo, fossos que se desdobram em estrela. A UNESCO reconheceu tudo isto em 2012, mas Elvas continua a funcionar sem multidões.

O que define Elvas

A geometria militar domina a paisagem. O Forte de Nossa Senhora da Graça, no alto de um monte a norte, é uma obra do século XVIII que impressiona mais pela escala do que pela decoração, as vistas de lá abrangem a planície até Badajoz. Mais perto do centro, o Forte de Santa Luzia tem passagens subterrâneas que vale a pena explorar com calma. O castelo, no ponto mais alto da cidade, oferece uma perspectiva diferente: dali vê-se o traçado das muralhas a descer pelas encostas, e o Aqueduto da Amoreira a estender-se por sete quilómetros até desaparecer na paisagem.

O aqueduto é, aliás, uma das estruturas que mais surpreende. Com arcos que chegam aos 31 metros de altura, foi construído entre os séculos XV e XVII para resolver o problema crónico de abastecimento de água. Chega-se a ele a pé, saindo pela porta oeste da cidade.

O centro e o ritmo

A Praça da República é o ponto de partida óbvio. Tem esplanadas, o posto de turismo, e a Igreja da Assunção, antiga Sé, com os seus azulejos do século XVII. As ruas que sobem para o castelo são íngremes e silenciosas. Elvas não tem a agitação de Évora nem pretende ter. Há lojas de produtos regionais, cafés de balcão, e pouca gente a tirar selfies.

O que comer

Duas coisas são incontornáveis. A sericaia, um pudim de ovos com canela, trémulo e cremoso, é o doce que define Elvas. Acompanha-se com ameixas de Elvas em calda, feitas a partir da variedade Rainha Cláudia, uma tradição que remonta aos conventos da cidade. A combinação é simples e perfeita. Antes da sobremesa, as migas à alentejana com entrecosto resolvem qualquer fome acumulada nas subidas aos fortes.

Quanto tempo e quando

Um dia inteiro é o mínimo para ver os fortes, o centro e comer sem pressa. Dois dias permitem absorver o ritmo lento e explorar os arredores. A primavera, março a maio, é a melhor altura: o Alentejo está verde, as temperaturas são suportáveis, e as ameixeiras estão em flor. No verão, o calor acima dos 40°C torna as subidas penosas.