Miranda do Douro

Miranda do Douro é a única cidade portuguesa com uma segunda língua oficial, o mirandês, e a porta de entrada para as falésias do Parque Natural do Douro Internacional. Venha pela posta mirandesa, fique pelos Pauliteiros e pelo Menino Jesus da Cartolinha.

Miranda do Douro fica no extremo nordeste de Portugal, onde o rio Douro cava uma garganta de mais de 200 metros de profundidade e serve de fronteira natural com Espanha. É uma cidade pequena, percorre-se o centro histórico em meia hora, mas com uma densidade cultural que justifica pelo menos dois dias de estadia.

Uma cidade com língua própria

Antes de reparar nos monumentos, repare nas placas de rua. Miranda é o único lugar em Portugal onde existe uma segunda língua oficial: o mirandês, variante do asturo-leonês falada por cerca de 15 mil pessoas. Nas escolas locais, as crianças aprendem-no como disciplina. Nas montras das livrarias, encontram-se livros bilingues. Não é folclore para turistas, é identidade viva, e percebe-se isso nas conversas entre vizinhos à porta de casa.

A Sé e o Menino da Cartolinha

A Sé Catedral, cuja primeira pedra foi lançada em 1552, domina o centro da cidade com os seus retábulos dourados e uma curiosidade única: o Menino Jesus da Cartolinha, uma imagem do Menino Jesus com um chapéu de copa alta que é vestida com roupas novas ao longo do ano. Os mirandeses têm uma devoção particular por esta figura, e é impossível visitá-la sem ficar com um sorriso.

Comer em Miranda

A posta mirandesa é o prato que define a cidade, um naco generoso de carne de vitela mirandesa grelhada na brasa, servido com batata a murro e grelos. A tradição nasceu na aldeia vizinha de Sendim, onde D. Gabriela começou a grelhar postas para vender nas feiras. O restaurante com o seu nome ainda existe, gerido pelos descendentes. No centro de Miranda, praticamente todos os restaurantes servem a sua versão, mas procure também a sopa transmontana e a tabafeia, um enchido fumado de carne de porco e aves.

O Douro Internacional

Do miradouro junto à Sé, vê-se a garganta do Douro em toda a sua escala. Para a experimentar de perto, os passeios de barco partem da marina junto à cidade e percorrem o desfiladeiro entre falésias onde nidificam abutres e águias. O Parque Natural do Douro Internacional é uma das paisagens mais dramáticas da Europa, e Miranda é a porta de entrada mais acessível.

Quando ir

A melhor altura é entre maio e outubro, quando os Pauliteiros, grupos de dançarinos com bastões, herança da ocupação celta, actuam regularmente. O Inverno é rigoroso e as temperaturas descem abaixo de zero, mas a cidade ganha um silêncio e uma luz que atraem quem procura Portugal fora dos roteiros habituais.