Puial de l Douro
Miranda do Douro
Miranda do Douro é a única cidade portuguesa com uma segunda língua oficial, o mirandês, e a porta de entrada para as falésias do Parque Natural do Douro Internacional. Venha pela posta mirandesa, fique pelos Pauliteiros e pelo Menino Jesus da Cartolinha.
De hotéis no centro histórico a turismo rural em mirandês, Miranda do Douro tem alojamentos para cada tipo de viajante. Quatro opções reais, com preços acessíveis e zero pretensões, numa das últimas cidades portuguesas que o turismo de massas ainda não encontrou.
Miranda do Douro não tem discotecas nem bares de cocktails. Tem Pauliteiros, aguardente de mel, e festas de aldeia que duram até às quatro da manhã. Para quem sabe procurar, é mais do que suficiente.
Miranda do Douro está no fim da estrada, suspensa sobre um canyon vertiginoso, com uma língua própria e a melhor carne de vaca do país. Este roteiro de 24 horas cobre a Sé da Cartolinha, os Pauliteiros, a posta mirandesa e o cruzeiro no Douro Internacional.
Miranda do Douro tem meia dúzia de espaços culturais, mas só dois merecem realmente o seu tempo. O Museu da Terra de Miranda é uma viagem etnográfica surpreendente, e a Concatedral guarda o Menino Jesus da Cartolinha, que já vestiu farda militar e equipamento do Barcelona.
Miranda do Douro fica no extremo nordeste de Portugal, onde o rio Douro cava uma garganta de mais de 200 metros de profundidade e serve de fronteira natural com Espanha. É uma cidade pequena, percorre-se o centro histórico em meia hora, mas com uma densidade cultural que justifica pelo menos dois dias de estadia.
Antes de reparar nos monumentos, repare nas placas de rua. Miranda é o único lugar em Portugal onde existe uma segunda língua oficial: o mirandês, variante do asturo-leonês falada por cerca de 15 mil pessoas. Nas escolas locais, as crianças aprendem-no como disciplina. Nas montras das livrarias, encontram-se livros bilingues. Não é folclore para turistas, é identidade viva, e percebe-se isso nas conversas entre vizinhos à porta de casa.
A Sé Catedral, cuja primeira pedra foi lançada em 1552, domina o centro da cidade com os seus retábulos dourados e uma curiosidade única: o Menino Jesus da Cartolinha, uma imagem do Menino Jesus com um chapéu de copa alta que é vestida com roupas novas ao longo do ano. Os mirandeses têm uma devoção particular por esta figura, e é impossível visitá-la sem ficar com um sorriso.
A posta mirandesa é o prato que define a cidade, um naco generoso de carne de vitela mirandesa grelhada na brasa, servido com batata a murro e grelos. A tradição nasceu na aldeia vizinha de Sendim, onde D. Gabriela começou a grelhar postas para vender nas feiras. O restaurante com o seu nome ainda existe, gerido pelos descendentes. No centro de Miranda, praticamente todos os restaurantes servem a sua versão, mas procure também a sopa transmontana e a tabafeia, um enchido fumado de carne de porco e aves.
Do miradouro junto à Sé, vê-se a garganta do Douro em toda a sua escala. Para a experimentar de perto, os passeios de barco partem da marina junto à cidade e percorrem o desfiladeiro entre falésias onde nidificam abutres e águias. O Parque Natural do Douro Internacional é uma das paisagens mais dramáticas da Europa, e Miranda é a porta de entrada mais acessível.
A melhor altura é entre maio e outubro, quando os Pauliteiros, grupos de dançarinos com bastões, herança da ocupação celta, actuam regularmente. O Inverno é rigoroso e as temperaturas descem abaixo de zero, mas a cidade ganha um silêncio e uma luz que atraem quem procura Portugal fora dos roteiros habituais.