Seia é a porta ocidental da Serra da Estrela e, para muita gente, não passa disso, uma paragem técnica antes de subir à Torre. Esse é o erro. A cidade tem uma densidade de museus invulgar para a sua escala, uma relação com o queijo Serra da Estrela que vai muito além do souvenir, e uma vida própria que funciona independentemente dos turistas de fim-de-semana.
A cidade dos museus inesperados
O Museu do Pão, instalado na Quinta Fonte do Marrão, é provavelmente o mais conhecido, quatro salas temáticas que percorrem 300 anos de história do pão em Portugal, com uma secção dedicada a crianças onde se pode moldar e cozer pão. Mas Seia tem também o CISE (Centro de Interpretação da Serra da Estrela), essencial para perceber a ecologia da serra antes de a percorrer, o Museu do Brinquedo no centro da cidade, e o Museu Natural da Electricidade na Mata do Desterro, onde há passadiços entre árvores que justificam a visita por si só. Para uma cidade deste tamanho, é uma oferta absurda.
Queijo, pão de centeio e o que comer primeiro
O Queijo Serra da Estrela DOP é feito com leite de ovelha bordaleira e coalho de flor de cardo, amanteigado, forte, impossível de confundir com qualquer outro. Em fevereiro, a Feira do Queijo Serra da Estrela toma conta da cidade e é o melhor momento para provar directamente dos produtores. No resto do ano, o Mercado Municipal tem queijo, enchidos, mel e pão de centeio. A combinação de queijo amanteigado com pão de centeio da serra é o lanche mais honesto que se pode comer em Portugal.
Quanto tempo ficar
Seia pede pelo menos dois dias. Um para os museus e para comer bem na cidade, outro para subir à serra, seja até à Torre (1.993 metros, o ponto mais alto de Portugal continental), à Lagoa Comprida, ou às aldeias de montanha como Loriga e Linhares. Quem vem só por uma tarde perde o ritmo do sítio. A cidade funciona devagar e recompensa quem aceita esse tempo.
Uma nota sobre Cottinelli Telmo
Seia guarda exemplos do trabalho do arquitecto e cineasta Cottinelli Telmo, uma figura do modernismo português pouco conhecida fora dos círculos especializados. Vale a pena prestar atenção à arquitectura enquanto se anda pelo centro, há camadas de história construída que passam despercebidas a quem está só de passagem.