Igreja Matriz de Linhares da Beira / Igreja de Nossa Senhora da Assunção
Linhares da Beira
Aldeia histórica a 820 metros de altitude na Serra da Estrela, com um castelo medieval de duas torres, ruas de granito manuelino e o título de capital nacional do parapente desde 1993. Visita-se numa manhã, mas o difícil é não ficar a ver as velas coloridas a sobrevoar o vale.
A 820 metros de altitude, com a serra a fazer de para-brisas contra a iluminação do litoral, Linhares oferece um dos céus mais limpos do país. Eis quando ir, onde dormir e porque é que isto bate o Alqueva em pacote completo.
Linhares da Beira tem o castelo, tem o parapente, e tem granito limpo a pedir cordas. Um guia honesto sobre vias, federações, e porque é que dormir bem importa mais do que parece.
Numa das 12 Aldeias Históricas de Portugal, a 800 metros de altitude sobre o vale do Mondego, dorme-se num solar convertido em hotel e come-se borrego DOP num restaurante com mais de 200 vinhos. E de manhã, pode-se saltar de parapente junto ao castelo do século XII.
Linhares da Beira não tem bairros, tem uma rua de granito, um castelo e trezentas pessoas. Mas onde se dorme nesta aldeia histórica da Serra da Estrela muda tudo: entre o hotel dentro das muralhas, casas de pedra reabilitadas e quintas isoladas nos arredores, há mundos diferentes num quilómetro quadrado.
Linhares da Beira fica a 820 metros de altitude, na encosta ocidental da Serra da Estrela, e faz parte da rede das Aldeias Históricas de Portugal. Pertence ao concelho de Celorico da Beira, distrito da Guarda, e chega-se lá por estradas estreitas que obrigam a paciência, o que, convenhamos, já funciona como filtro natural de visitantes.
As duas torres ameadas do castelo definem a silhueta da aldeia vista de baixo e o horizonte visto de cima. A fortaleza, reforçada no reinado de D. Dinis, ergue-se sobre um enorme maciço granítico e fazia parte de uma linha defensiva que incluía Trancoso, Marialva e Celorico. Lá dentro, o terreiro é despojado, restos de cisternas antigas e pedra nua, mas é das muralhas que se percebe o propósito: daqui vigiava-se o vale inteiro. A vista sozinha justifica a subida.
As ruas são estreitas e de granito, com gárgulas manuelinas, portas trabalhadas e janelas que denunciam séculos de ocupação. A Casa do Judeu, com a sua janela manuelina e a passagem ao nível do rés-do-chão, marca o que terá sido a antiga judiaria medieval. O pelourinho manuelino, o antigo edifício dos Paços do Concelho, e os solares dos Corte Real e dos Brandão e Melo completam um percurso que se faz a pé em menos de uma hora. A Igreja Matriz conserva pinturas quinhentistas que merecem atenção, e a Igreja da Misericórdia, do século XVI, é das mais visitadas.
Desde 1993, Linhares reivindica o título de capital nacional do parapente. A altitude, a exposição ao vento e a topografia da encosta criam condições que atraem praticantes de vários países. Mesmo quem não voa acaba por ficar a olhar para as velas coloridas contra o granito, é um espetáculo involuntário que faz parte da paisagem da aldeia.
Linhares da Beira visita-se numa manhã ou numa tarde. Carro é indispensável: os transportes públicos são praticamente inexistentes. A melhor altura para ir é entre março e outubro, quando o tempo está mais seco e os dias são longos. Para comer, o Restaurante Cova da Loba, junto à igreja, é a referência local. Se quiser pernoitar, o INATEL Linhares da Beira Hotel Rural ocupa um solar do século XVIII restaurado. E se vier com tempo, o trilho PR7, Circuito de Linhares da Beira, são 15 quilómetros por floresta e paisagem rural que dão contexto ao que se vê das muralhas.