Ponte de Lima é a vila mais antiga de Portugal, recebeu carta de foral em 1125, e continua a funcionar como se esse ritmo antigo ainda fizesse sentido. Não é uma vila-museu. É um sítio onde a feira quinzenal acontece nas margens do Lima desde a Idade Média, onde os produtores de Vinho Verde ainda trazem garrafões para vender ao lado de couves e galinhas vivas. Se procura o Minho autêntico, sem filtros, é aqui.
A ponte e o rio
Tudo em Ponte de Lima gira em torno do rio e da ponte medieval que o atravessa. A travessia a pé, com os seus arcos desiguais, uns romanos, outros reconstruídos ao longo dos séculos, é provavelmente o melhor ponto de partida. Do lado sul, a Avenida dos Plátanos acompanha a margem com uma fileira de plátanos enormes que dão sombra mesmo no pico do verão. É aqui que os locais passeiam ao fim da tarde, sem pressa nenhuma.
O centro em meia hora
O centro histórico percorre-se em trinta minutos, mas vale a pena abrandar. A Torre da Cadeia Velha, a Igreja Matriz e o Largo de Camões concentram-se num perímetro curto. Não há grandes museus nem atracções que exijam bilhete, o interesse está nos detalhes: as fachadas de granito, os brasões sobre as portas, as escadas de pedra que ligam ruelas estreitas. É uma vila para andar a pé e parar num café quando apetece.
O que comer
Ponte de Lima é território de sarrabulho, arroz de sarrabulho ou papas de sarrabulho, conforme o restaurante e o apetite. São pratos pesados, feitos com sangue de porco e especiarias, e não são para todos. Mas quem os experimenta percebe que a cozinha minhota não pede desculpa. Rojões com castanhas no outono, bacalhau à minhota com batatas a murro, e sempre Vinho Verde da região a acompanhar. Os restaurantes que já temos no site, O Lagar e o Beco das Selas, são bons pontos de partida.
Quando ir
A Feira Nova, que acontece de quinze em quinze dias à segunda-feira, é a melhor razão para planear a visita num dia específico. De resto, a primavera e o início do outono são ideais: temperaturas amenas, poucos visitantes, e o rio com água suficiente para ser bonito. No verão funciona, mas o Minho pode surpreender com calor húmido. Um dia inteiro chega para conhecer a vila; dois dias permitem explorar os arredores e os solares da região com calma.