Pastelaria Bijou
Ponte de Lima
A vila mais antiga de Portugal ainda mantém uma feira quinzenal nas margens do Lima e uma cozinha minhota que não pede desculpa. Um a dois dias chegam para percorrer o centro histórico, comer sarrabulho e perceber o ritmo do Minho.
Em agosto, o rio em Ponte de Lima parece uma piscina pública lotada. Em setembro, com as crianças de volta à escola, a água ainda a 20 graus e a costa a meia hora de distância, a vila devolve-se a quem sabe esperar.
Em Ponte de Lima, a melhor hora para comer é ao anoitecer: quando as adegas abrem, o loureiro corre e os petiscos saem das cozinhas do centro histórico. Este roteiro leva-o do primeiro copo na marginal ao último digestivo junto ao rio.
Em Ponte de Lima, os locais não comem junto à ponte, comem nos becos, com jarros de vinho verde e doses de rojões que desafiam a lógica. Um guia honesto sobre onde encontrar a verdadeira cozinha minhota, do arroz de sarrabulho à feira quinzenal.
De manhã cedo, quando a luz rasante bate nas fachadas de granito e as ruas ainda estão vazias, Ponte de Lima revela o melhor catálogo compacto de arquitectura portuguesa no Minho. Um roteiro a pé que vai do românico ao neoclássico em menos de duas horas.
Ponte de Lima é a vila mais antiga de Portugal, recebeu carta de foral em 1125, e continua a funcionar como se esse ritmo antigo ainda fizesse sentido. Não é uma vila-museu. É um sítio onde a feira quinzenal acontece nas margens do Lima desde a Idade Média, onde os produtores de Vinho Verde ainda trazem garrafões para vender ao lado de couves e galinhas vivas. Se procura o Minho autêntico, sem filtros, é aqui.
Tudo em Ponte de Lima gira em torno do rio e da ponte medieval que o atravessa. A travessia a pé, com os seus arcos desiguais, uns romanos, outros reconstruídos ao longo dos séculos, é provavelmente o melhor ponto de partida. Do lado sul, a Avenida dos Plátanos acompanha a margem com uma fileira de plátanos enormes que dão sombra mesmo no pico do verão. É aqui que os locais passeiam ao fim da tarde, sem pressa nenhuma.
O centro histórico percorre-se em trinta minutos, mas vale a pena abrandar. A Torre da Cadeia Velha, a Igreja Matriz e o Largo de Camões concentram-se num perímetro curto. Não há grandes museus nem atracções que exijam bilhete, o interesse está nos detalhes: as fachadas de granito, os brasões sobre as portas, as escadas de pedra que ligam ruelas estreitas. É uma vila para andar a pé e parar num café quando apetece.
Ponte de Lima é território de sarrabulho, arroz de sarrabulho ou papas de sarrabulho, conforme o restaurante e o apetite. São pratos pesados, feitos com sangue de porco e especiarias, e não são para todos. Mas quem os experimenta percebe que a cozinha minhota não pede desculpa. Rojões com castanhas no outono, bacalhau à minhota com batatas a murro, e sempre Vinho Verde da região a acompanhar. Os restaurantes que já temos no site, O Lagar e o Beco das Selas, são bons pontos de partida.
A Feira Nova, que acontece de quinze em quinze dias à segunda-feira, é a melhor razão para planear a visita num dia específico. De resto, a primavera e o início do outono são ideais: temperaturas amenas, poucos visitantes, e o rio com água suficiente para ser bonito. No verão funciona, mas o Minho pode surpreender com calor húmido. Um dia inteiro chega para conhecer a vila; dois dias permitem explorar os arredores e os solares da região com calma.