Restaurante Sete a Sete
Na Rua Conselheiro João Cunha, dentro das muralhas de Monção, o Sete a Sete cumpre o que tanta cozinha de província já não cumpre: receituário do Alto Minho, preço honesto, sala sem cenografia. Reserve por telefone, peça Alvarinho, e fique pelos pratos regionais.
Há restaurantes em Monção que prometem cozinha minhota e entregam apenas turistas. O Sete a Sete, na Rua Conselheiro João Cunha, número 55, não está nesse grupo. Fica a poucos passos da Praça Deu-la-Deu, dentro do perímetro da vila histórica, no troço de rua que liga o centro antigo ao bastião norte. Se chegar de carro, esqueça a ideia de estacionar à porta: deixe o veículo no parque do Mercado Municipal ou junto às muralhas e faça os últimos cinco minutos a pé. É assim que se entra em Monção, devagar, e é assim que se chega ao Sete a Sete.
Onde fica e como lá chegar
Monção está no Alto Minho, encostada ao rio Minho, com Espanha do outro lado da margem. De Lisboa são quatro horas de carro, do Porto pouco mais de uma hora e meia pela A3 até Valença e depois EN101 ao longo do rio. De transporte público, há autocarros da Auto-Viação do Minho a partir de Braga e Viana do Castelo, mas o horário é limitado e ao fim de semana torna-se inviável. A melhor logística continua a ser carro ou táxi a partir de Valença, que fica a vinte minutos. Se está hospedado no Paço Alojamento Local, está a três minutos a pé. Praticamente vizinhos.
A morada completa é R. Conselheiro João Cunha 55, 4950-416 Monção. A rua é estreita, calçada à portuguesa, e o número da porta nem sempre é evidente. Procure a fachada com a tabuleta discreta: o restaurante não faz alarido na sinalética.
O que é, e o que não é
O Sete a Sete é uma casa de cozinha regional portuguesa, com ênfase no receituário do Alto Minho. Não é uma tasca de petiscos rápidos, nem um restaurante de autor com pratos desconstruídos. É o ponto intermédio, e é exatamente isso que falta a tanta cozinha de província hoje: um sítio onde se come bem, sentado, com toalha, sem se pagar como se estivéssemos em Lisboa.
A faixa de preço é €€, o que em Monção significa entre quinze e vinte e cinco euros por pessoa para uma refeição completa com vinho da casa. Não espere couvert sofisticado nem carta de vinhos com sommelier. Espere pão de Valença, azeitonas, queijo da região se calhar. O resto, peça com critério.
O que pedir, e o que não vale a pena
Estamos em terra de Alvarinho. Peça Alvarinho. Se quiser ir mais fundo no assunto, leia primeiro o nosso guia sobre as quintas de Alvarinho que importam, e venha preparado para reconhecer um Soalheiro de um Anselmo Mendes na carta. Quase todos os restaurantes da vila têm garrafa aberta a copo, e o Sete a Sete também costuma ter. Confirme diretamente ao pedir.
No prato, a aposta segura é o cabrito, quando há, ou o lombo de bacalhau no forno. O arroz de lampreia aparece na época, entre janeiro e abril, e é cá fora que se come o melhor do país. Se aparecer na ementa do dia, não hesite. O polvo à minhota, com batata a murro, é uma escolha sólida em qualquer altura do ano. Sobremesas: o leite-creme queimado à frente do cliente é um clássico. As cavacas de Resende, se aparecerem, são para encerrar com café.
O que evitaria: pratos que parecem ter sido acrescentados para agradar a quem chega de Espanha à procura de tapas. Risottos, hambúrgueres gourmet, saladas de quinoa. Não é aqui que se vai brilhar nessas frentes. Fique pelo receituário regional, e a casa entrega.
Horários, reservas e o resto da logística
O telefone é +351 251 652 577. Não há site oficial confirmado, e os horários publicados online são inconsistentes, por isso a recomendação é simples: ligue. Reserve sempre ao fim de semana, sobretudo entre maio e setembro e em qualquer fim de semana de festa local. Em junho, com a Festa da Coca e a procissão do Corpo de Deus, a vila enche, e quem chega à porta sem reserva fica a olhar para os pratos dos outros. Sobre esse fim de semana específico, vale a pena consultar o nosso guia de Monção em junho antes de organizar a viagem.
Pagamento: assuma que multibanco funciona, mas leve algum dinheiro vivo. Em casas familiares do Minho, a máquina de cartões avaria-se com mais frequência do que seria razoável. Código de vestuário: nenhum. Calças de ganga e camisola servem. O que não cabe aqui são fatos de banho e chinelos, mesmo no verão. Crianças são bem-vindas, e há pratos meios ou meias doses se pedir.
Quando ir
O melhor momento para o Sete a Sete é o almoço de um dia de semana fora do pico turístico. Entre uma e duas da tarde, com a sala cheia de gente da terra, ouve-se mais português falado com sotaque do Minho do que qualquer outra coisa, e é nesse ruído que se percebe que a casa está a fazer o que deve estar a fazer.
Em março, quando o Minho ainda está húmido e a temperatura oscila entre os oito e os quinze graus, o restaurante ganha outra dimensão. Entrar do frio para uma sala quente, pedir uma sopa de nabiças, um prato de bacalhau e meia garrafa de tinto da região, é uma das experiências mais reconfortantes que se pode ter em Portugal. Se vier nessa altura, prepare-se: o nosso guia sobre como vestir Monção em março ajuda a não passar a refeição com frio nos pés.
Veredicto
O Sete a Sete não vai ganhar estrelas Michelin nem aparecer em listas internacionais. Não é esse o jogo. É um restaurante de vila histórica, no centro de Monção, que cumpre o que promete: cozinha regional, preço honesto, ambiente sem cenografia. Para quem está de passagem na rota dos vinhos verdes, para quem vem visitar as muralhas, para quem aluga uma quinta nos arredores e quer um almoço a sério sem fazer trinta quilómetros, esta é uma escolha segura.
Ligue antes, peça Alvarinho, escolha bem o prato principal, e deixe espaço para a sobremesa. É assim que se come bem em Monção.