Miradouro do Castelo
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Miradouro do Castelo

A 1.000 metros, no planalto de Castro Laboreiro, este miradouro-restaurante serve cabrito assado a quem souber telefonar na véspera. A vista vai do castelo medieval ao Gerês, com Espanha à sobremesa.

Castro Laboreiro fica a 1.000 metros de altitude, encostado à fronteira espanhola, e durante muito tempo foi um daqueles sítios onde se chegava por engano ou por teimosia. O Miradouro do Castelo, no topo da aldeia, é o primeiro argumento para deixar de tratar este canto do planalto da raia minhota como mera passagem para o Gerês. É miradouro e é restaurante, e raramente um casamento destes funciona tão bem.

Onde fica e como chegar

O endereço oficial é Castro Laboreiro, 4960-061 Castro Laboreiro, Melgaço, mas isto não diz quase nada a quem nunca subiu até cá. A vila de Melgaço está a cerca de 25 quilómetros, pela EN202 e depois pela EN202-1: meia hora de carro com curvas a sério, num troço onde o telemóvel perde rede e o GPS começa a inventar atalhos. Ignore os atalhos. A estrada principal sobe pela serra da Peneda, atravessa pastos abertos onde o gado bravo se atravessa sem aviso, e despeja-o no centro de Castro Laboreiro. O miradouro está logo a seguir, encostado às ruínas do castelo medieval, com sinalização discreta. Quem vier de transportes públicos vai sofrer: há autocarros da Salvador para Melgaço a partir do Porto, mas a ligação até Castro Laboreiro é escassa e depende do calendário escolar. Táxi a partir de Melgaço, ida e volta com espera, fica entre 40 e 60 euros conforme negociar. Vale a pena.

O sítio

O nome diz tudo sem prometer demais. À frente da sala, uma esplanada virada para sul abre-se sobre o vale do rio Laboreiro, com o castelo do século XIII à direita e a mancha verde do Parque Nacional da Peneda-Gerês a perder-se até à serra do Soajo. Em dias limpos vê-se Espanha sem esforço; em dias de nevoeiro, e há muitos, ouvem-se os cães de gado a ladrar a vultos que ninguém vê. É um pormenor que muda completamente a refeição: ou se almoça com vista, ou se almoça dentro de uma nuvem. Ambas as versões têm o seu encanto, e quem reservar mesa à janela ganha as duas hipóteses pelo preço de uma.

Por dentro, é uma casa de aldeia adaptada: pedra à vista, lareira que funciona de outubro a maio, e mesas suficientes para uns 50 lugares. Não é cenográfico, não é rústico de catálogo. É só uma sala de comer que cumpre a função.

O que pedir, o que evitar

A carta gira em torno do que faz sentido neste planalto: cabrito assado no forno a lenha, bacalhau (à Brás, com broa ou simplesmente assado), posta de vitela barrosã, e enchidos da casa. O cabrito é a razão principal para subir até aqui, e deve ser pedido com antecedência (ligue na véspera para o +351 251 465 469 a confirmar; aos fins de semana esgota cedo). Vem com batata a murro, grelos da época e arroz de forno, o tipo de prato que pede uma sesta a seguir. O bacalhau assado é honesto, sem floreados. O cabrito é o que justifica a viagem.

Sobre o que evitar: as entradas de pasteis de bacalhau e croquetes industriais aparecem por defeito e somam à conta sem ninguém pedir. Recuse-as logo de início, com simpatia, ou aceite apenas o pão (bom, de padaria local) e os enchidos da casa, esses sim feitos por aqui. Para a sobremesa, o leite-creme queimado à mesa é melhor que o arroz doce. Vinhos: peça um Alvarinho de Melgaço a copo, está em todas as cartas da região e aqui não foge à regra. Os tintos da casa cumprem sem entusiasmar.

Quanto se gasta

Andamos pelos 25 a 35 euros por pessoa, com entrada, prato principal, sobremesa, vinho a copo e café. Para o que se come e para a vista, é justo. Aceitam multibanco, mas em dias de festa local o terminal falha com frequência: leve algum dinheiro vivo por garantia.

Quando ir

O almoço bate o jantar, sem discussão. A vista é o ativo principal e ao jantar perde-se metade da experiência, sobretudo no inverno, quando a serra escurece às cinco da tarde. Se vier num fim de semana entre maio e outubro, reserve. Em agosto, com a romaria de Nossa Senhora da Peneda a poucos quilómetros, a casa enche-se de emigrantes de regresso e turistas espanhóis que sobem por Ourense: sem reserva, vai comer à hora a que não queria. Em dias de semana, fora da época, entra-se sem marcação e come-se devagar, que é o ritmo certo.

O horário não está publicado de forma consistente. O que se confirma na prática é serviço de almoço todos os dias e jantar apenas em alguns dias, sobretudo fins de semana e épocas altas. Encerra um dia por semana, normalmente à terça. Confirme diretamente pelo telefone ou em miradourodocastelo.com antes de subir a serra: é um arrependimento caro descobrir a porta fechada depois de meia hora de curvas.

O que fazer antes e depois

Não vale a pena subir a Castro Laboreiro só para almoçar. Aproveite a manhã para o trilho curto até ao castelo, mesmo ao lado do restaurante: 20 minutos a subir por entre fragas, vista a 360 graus no topo, e regresso pelo mesmo caminho. Quem tiver mais tempo desce depois a Melgaço e visita o Museu do Cinema de Melgaço, uma das coleções mais surpreendentes do país para uma vila desta escala. Para entender melhor a comida que acabou de comer, leia o nosso guia de mercados e comida de rua de Melgaço antes de regressar.

Notas práticas

  • Reserva: praticamente obrigatória aos fins de semana e em agosto. Para cabrito, peça na véspera.
  • Telefone: +351 251 465 469.
  • Preço médio: 25 a 35 euros por pessoa.
  • Pagamento: multibanco aceite, mas leve dinheiro vivo por segurança.
  • Crianças: bem-vindas, não há menu infantil mas a cozinha adapta-se.
  • Acessibilidade: o miradouro tem desníveis e a entrada do restaurante tem um degrau; cadeira de rodas é possível mas com ajuda.
  • Roupa: leve uma camisola, mesmo em julho. A 1.000 metros, o vento faz o que quer.

Castro Laboreiro não está a caminho de nada. É essa, em boa parte, a graça. O Miradouro do Castelo é o melhor sítio para comer aqui em cima e um dos melhores para perceber por que razão esta fronteira esquecida vale uma desfeita ao itinerário.