Melgaço é o ponto mais a norte de Portugal continental, e isso não é apenas um dado geográfico, é uma identidade. Daqui, o rio Minho corre tão perto da Galiza que se ouve espanhol do outro lado da margem. A vila foi fundada como posto de defesa, e o castelo do século XII, mandado erguer por Afonso Henriques, ainda domina o centro histórico com a sua Torre de Menagem de planta rectangular e três pisos. Vale a pena pagar o bilhete para subir ao topo: a vista sobre o vale do Minho e a Galiza do outro lado compensa cada degrau de pedra.
A capital do Alvarinho
Se há uma razão que traz gente a Melgaço além da paisagem, é o Alvarinho. A sub-região de Monção e Melgaço produz os vinhos verdes mais prestigiados do país, e a uva Alvarinho encontra aqui condições únicas, vales abrigados, humidade atlântica, solos de granito. No Solar do Alvarinho, mesmo no centro da vila, pode provar dezenas de rótulos locais sem compromisso. Não é uma experiência de enoturismo encenada; é uma sala com garrafas e alguém que conhece os produtores pelo nome.
Comer como na raia
A cozinha de Melgaço é de fronteira e de montanha. O fumeiro, presunto, salpicão, chouriça, é uma tradição séria aqui, fumado lentamente com lenha de carvalho. Na época certa (Janeiro a Abril), a lampreia do Minho aparece nos restaurantes da vila, servida à bordalesa com arroz. Fora de época, o cabrito assado com batatas a murro é a escolha segura. Acompanhe sempre com broa de milho.
Para além da vila
Melgaço é uma das portas de entrada para o Parque Nacional da Peneda-Gerês. A estrada até Castro Laboreiro, a cerca de 25 km, sobe por paisagem granítica até uma aldeia isolada com castelo próprio e trilhos megalíticos. Para quem prefere o rio, há descidas de rafting no Minho organizadas por operadores locais. A vila em si pede um dia completo, mas se juntar Castro Laboreiro e uma ou duas quintas de Alvarinho, dois a três dias é o ritmo certo.
Quando ir
A Festa do Alvarinho, em Abril ou Maio, enche a vila de produtores e visitantes, é o melhor pretexto para uma primeira visita. No Verão, as temperaturas são amenas comparadas com o resto do país, o que faz de Melgaço um refúgio para quem foge do calor do sul. O Inverno é húmido e silencioso, mas tem o seu mérito: menos gente, fumeiro na mesa, e o verde do Minho no seu estado mais intenso.