Gerês

Base de entrada para o único parque nacional de Portugal, o Gerês combina cascatas, trilhos romanos e cozinha de montanha, do cabrito assado à posta barrosã. Dois dias é o mínimo; venha entre maio e junho para trilhos vazios e cascatas cheias.

O Gerês não é uma vila que se visite, é uma vila onde se fica. As Caldas do Gerês, encaixadas num vale estreito da Serra do Gerês, começaram como estância termal no século XVIII e mantêm essa vocação de pausa forçada. A rua principal sobe pelo vale com hotéis de outra era, cafés com esplanada e o cheiro constante a floresta molhada. Não há centro histórico monumental nem museu imperdível. O que há é o único parque nacional de Portugal à porta.

O parque começa onde a vila acaba

A partir da vila, a estrada sobe para a Mata da Albergaria, um dos últimos bosques de carvalho autóctone do país, onde uma via romana com marcos miliários de quase dois mil anos leva até à Portela do Homem, na fronteira com Espanha. Este percurso, feito a pé ao longo do rio, é provavelmente a melhor caminhada do Gerês para quem não quer aventura técnica, plano, sombreado e com piscinas naturais pelo caminho.

As cascatas são o grande chamariz. A Cascata do Arado, a cerca de 8 km da vila, é a mais acessível e fotografada. A Fecha de Barjas, que toda a gente chama de Cascata do Tahiti, exige uma descida íngreme mas recompensa com uma lagoa de água transparente onde se pode nadar no verão. Chegue cedo: nos fins de semana de julho e agosto, o acesso é condicionado.

Comer como se come na serra

A cozinha do Gerês é de montanha: pesada, honesta e feita para quem andou o dia inteiro. O cabrito assado é o prato obrigatório, aparece em praticamente todas as ementas. Na vila, o Lurdes Capela serve há mais de seis décadas e é conhecido pelo "pedaço", um bife panado com migas de broa, couve e mel. A Adega Regional mantém o espírito das casas de comida minhota com doses que alimentam duas pessoas. Para quem se aventurar até Pitões das Júnias, uma aldeia de pedra no extremo norte do parque, a Casa do Preto serve posta barrosã e feijoada de montanha que justificam a viagem.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias é o mínimo razoável: um para caminhar, outro para as cascatas e a vila. De maio a junho, o parque está verde, as cascatas cheias e os trilhos vazios. Julho e agosto trazem multidões reais, filas para estacionar, acessos cortados e água mais quente, sim, mas pouca margem para improvisar. Setembro é o compromisso ideal. No inverno, muitos alojamentos fecham, mas a serra coberta de nevoeiro tem um silêncio que vale a pena, se vier preparado.