Caminha ocupa um lugar que outros esqueceram de disputar: o ponto exacto onde o rio Minho se entrega ao Atlântico, com a Espanha do outro lado, tão perto que se vê a serra galega sem esforço. É uma vila que não cresceu para além das suas muralhas, e isso, hoje, é o que a torna tão boa.
O Terreiro e o centro histórico
Tudo em Caminha converge para a Praça Conselheiro Silva Torres, que os locais chamam simplesmente de Terreiro. É aqui que se senta, se bebe café e se percebe o ritmo da vila. De um lado, a Igreja Matriz, construída entre 1488 e 1556, num cruzamento raro de gótico, manuelino e renascentista, com uma fachada de pedra que vale mais do que a maioria dos museus da região. Do outro, a Torre do Relógio, resto das muralhas medievais, com uma vista panorâmica para quem sobe. A Rua Direita, a artéria medieval que parte do Terreiro, mantém as fachadas originais e é o tipo de rua que se percorre sem pressa.
O rio e as praias
A praia fluvial da Foz do Minho, abrigada e de águas calmas, é onde vão as famílias. Quem prefere ondas desce até Moledo, uma das melhores praias de surf do Alto Minho, com o Forte da Ínsua como cenário, uma fortificação quinhentista numa ilha, inacessível e por isso ainda mais magnética. Para caminhadas com altitude, a Serra d'Arga fica a menos de meia hora e oferece trilhos com poucos caminhantes.
O que comer (e quando)
Entre Janeiro e Abril, Caminha é território de lampreia, preparada à bordalesa nos restaurantes ao longo do rio. Fora dessa janela, há linguados fritos secos, polvo e peixe grelhado do dia. Nas freguesias do interior, o cabrito assado à moda da Serra d'Arga é o prato de referência. A vila também tem uma tradição doceira de Páscoa que merece atenção, e sobre a qual já escrevemos.
Quando ir e quanto tempo ficar
Dois dias chegam para conhecer o centro, comer bem e apanhar uma praia. Em Agosto, a Festa da Senhora da Agonia traz procissões no rio e fogo-de-artifício à meia-noite. Maio a Setembro é a janela ideal para praias; Janeiro a Abril para a lampreia. Caminha funciona como base para explorar o Alto Minho sem a pressão turística de Viana do Castelo, e o ferry para A Guarda, na Galiza, parte daqui.