Padaria do Calhau LDA
São Vicente
Um café pequeno na Rua Dr. Alcino Drumond, no centro de São Vicente, com bom expresso e equipa simpática. Pagamento em dinheiro, balcão curto e clientela local: é apoio logístico para quem cruza o norte da Madeira.
São Vicente é uma daquelas vilas do norte da Madeira onde se chega com pressa e se fica mais tempo do que o previsto. O nevoeiro entra a meio da tarde, os autocarros param na rotunda da igreja e, a poucos metros, na Rua Dr. Alcino Drumond, número 16, há um café pequeno que resolve quase tudo: o Coffee House. Não é um sítio fotogénico no sentido instagramável do termo. É um café de vila, simples, com vitrine de bolos, balcão curto e uma malta habituada a tomar a bica em pé e a trocar duas palavras com quem está atrás do balcão.
O Coffee House está no centro de São Vicente, do lado norte da ilha da Madeira, a cerca de 40 minutos de carro do Funchal pela VE1 e túnel de São Vicente. Se vier de carro, o estacionamento na vila é gratuito mas escasso ao meio-dia; deixe junto ao parque por baixo da igreja matriz e suba a pé. De transporte público, a Rodoeste tem ligações regulares do Funchal e de Machico, com paragem a menos de cinco minutos a pé. A morada exacta é R. Dr. Alcino Drumond 16, 9240 São Vicente, no rés do chão de um prédio sem grande pretensão arquitectónica, com letreiro discreto. Quem vai à Praia de São Vicente ou ao Complexo Balnear do Clube Naval de São Vicente passa-lhe à porta sem dar por isso, e é precisamente esse o erro a corrigir.
A razão é simples e pouco romântica: o café é bom. Numa ilha onde demasiados estabelecimentos turísticos servem expresso queimado a 1,50 euros, o Coffee House mantém uma extracção decente, com crema firme e temperatura certa. Os clientes regulares, e há muitos, são madeirenses que trabalham nos serviços da vila, condutores de obra, professores da escola ao lado, alguns reformados que ficam meia manhã à conversa. Esse equilíbrio entre rotina local e visitante de passagem é o que torna o lugar funcional em vez de cenográfico.
O ambiente é cosy no sentido literal: poucas mesas, luz quente, balcão à entrada. Não é grande nem foi pensado para grupos. Se vier em quatro ou cinco, conte sentar-se separado ou ficar em pé. Em dias de chuva, e em São Vicente chove com vontade, o café enche-se rapidamente entre as 10h00 e as 11h30, depois esvazia. Há quem prefira ir mais tarde, por volta das 16h00, quando se pode ficar com calma a ler o jornal.
Peça café simples ou meia de leite, pequeno em chávena pequena, e acompanhe com um pastel de nata ou um bolo de mel da terra, se estiver à venda no balcão. A vitrine roda conforme o dia e o fornecedor, por isso vale a pena olhar antes de pedir. Se quiser pão decente para levar, o vizinho da Padaria do Calhau LDA resolve melhor essa parte do mapa gastronómico da vila. O Coffee House é para o ritual do café, não para refeição completa.
É pagamento em dinheiro. Não há multibanco no estabelecimento, ou se há, é melhor confirmar diretamente antes de fazer uma encomenda maior. Traga moedas e notas pequenas. Em São Vicente há caixas automáticas junto aos correios e ao supermercado, mas convém abastecer antes para evitar voltar a pé.
O horário oficial não está confirmado de fonte fiável; o que se observa é abertura cedo, por volta das 7h00 ou 8h00, e encerramento ao princípio da tarde nos dias mais fracos. Ao domingo a vila abranda muito e nem sempre abrem, por isso telefone, ou melhor, passe pela página de Facebook do Coffee House antes de fazer uma deslocação de propósito. O telefone público não está listado, e essa é uma das limitações reais a registar.
A época ideal para visitar São Vicente em geral é entre Maio e Outubro, quando o sol entra no vale com mais consistência. No final de Agosto a vila vira-se ao avesso com o Arraial de São Vicente 2026, e o café fica no meio da festa: sirva-se de um expresso antes de mergulhar na multidão. Para quem gosta de mercados temáticos, há também o Arraial Veggie Vibes no Mercado de Santa Clara, embora seja noutra zona da ilha.
Faça do Coffee House a primeira ou última paragem do dia. De manhã, café, depois descer ao mar para um mergulho e voltar a subir para o almoço. À tarde, antes de pegar no carro para a estrada da costa norte, beba uma meia de leite para tirar o sono ao volante, que os túneis são longos. Para quem prepara um roteiro mais ambicioso, vale a pena cruzar a visita com o nosso guia São Vicente Para Lá da Estrada: Aldeias e Poios da Madeira, que sugere desvios pelas aldeias acima da vila, ou com São Vicente: O Norte da Madeira em Família, entre o Basalto e o Loureiro se viajar com crianças. Quem se interessar pelo lado mais conceptual da vila pode espreitar O Novo Brutalismo do Norte: Design e Arte Contemporânea em São Vicente.
O Coffee House não é destino, é apoio logístico com bom gosto. É um café de bairro num sítio onde os cafés de bairro vão desaparecendo, substituídos por unidades genéricas com menus plastificados. Preço baixo, ambiente afável, café aceitável e equipa simpática. Leve dinheiro, peça pequeno, fique meia hora, e siga a estrada. É exactamente o que se espera de um sítio destes, e é exactamente por isso que merece o desvio.