Torres Vedras

Torres Vedras tem um castelo medieval, o Carnaval mais popular de Portugal e o pastel de feijão, um doce inventado aqui no século XIX que vale a viagem. A menos de uma hora de Lisboa, é base ideal para explorar as Linhas de Torres Vedras e a praia de Santa Cruz.

Torres Vedras é uma daquelas cidades que a maioria dos visitantes de Lisboa ignora, e, honestamente, isso funciona a favor de quem decide parar. A menos de uma hora da capital, tem uma identidade própria que não depende da proximidade a Lisboa para se justificar: um castelo medieval que serviu de residência a reis portugueses, um Carnaval com tradição documentada desde 1574, e um doce, o pastel de feijão, que nasceu aqui no século XIX pelas mãos de Joaquina Rodrigues e nunca saiu.

Onde começar

O Castelo de Torres Vedras é gratuito e merece a subida. De lá, a vista abre sobre a cidade e os campos do Oeste, e dentro das muralhas está a Igreja de Santa Maria do Castelo, com portais românicos e azulejos do século XVII que justificam os degraus. Mais abaixo, a Igreja de São Pedro guarda um portal manuelino e azulejos barrocos em formato de medalhão, um detalhe raro que vale a paragem.

As Linhas e a história militar

Se há algo que distingue Torres Vedras no mapa da história europeia, são as Linhas de Torres Vedras. Construídas entre 1809 e 1810 por ordem do Duque de Wellington, estas fortificações, 152 fortes e mais de 600 redutos, travaram o avanço de Napoleão sobre Lisboa. Hoje são Património Nacional, e a Rota Histórica das Linhas de Torres permite percorrê-las com contexto. O Museu Municipal Leonel Trindade, instalado no antigo Convento da Graça, complementa bem a visita com espólio arqueológico e peças ligadas a este período.

O que comer (e beber)

Não saia de Torres Vedras sem provar o pastel de feijão, uma massa folhada recheada com pasta de feijão branco, amêndoa moída, ovos e açúcar, polvilhada com açúcar em pó. Encontra-os em várias pastelarias do centro, e em outubro a cidade organiza o Festival do Pastel de Feijão como parte das Festas da Cidade. O concelho é também zona vinícola séria: tintos encorpados e brancos leves, produzidos ali mesmo, que aparecem nas tasquinhas locais durante as festas.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias é o tempo certo: um para a cidade e os fortes, outro para Santa Cruz, a praia do concelho que é referência no surf no Oeste. O Carnaval de Torres Vedras, com os seus matrafonas, cabeçudos e Zés Pereiras, é o mais popular de Portugal e vale a viagem em fevereiro. Fora da época festiva, a primavera e o início do outono são ideais para percorrer as Linhas sem calor excessivo.