Stichini Bar
Na Avenida Luísa Todi, número 343, o Stichini é dos bares onde os setubalenses acabam a noite ao sábado. Não é cocktail de autor: é dança, imperial, shots a desaparecerem do balcão e voz rouca de manhã. Aparecer antes da meia-noite e meia é o erro do visitante.
O Stichini Bar fica na Avenida Luísa Todi, número 343, a artéria larga que corta Setúbal de uma ponta à outra e que à noite muda de personalidade. De dia, a avenida é tráfego, esplanadas de café, idosos a ler o jornal e turistas perdidos entre o mercado do Livramento e o cais dos ferries para Tróia. Depois das onze da noite, a história é outra: a calçada enche-se de grupos a fumar à porta dos bares, há música a escapar de várias portas ao mesmo tempo, e o Stichini é uma das paragens obrigatórias para quem quer dançar sem apanhar comboio para Lisboa.
O que é, exactamente
Não vale a pena fingir que isto é um cocktail bar de autor com mixologistas de bigode encerado. O Stichini é, antes de mais, um bar de dança, um daqueles sítios onde se vai depois do jantar e onde se acaba a noite. A faixa de preço €€ traduz-se em imperiais a preço justo, shots que aparecem a meio da noite sem se perceber muito bem como, e cocktails honestos servidos com pressa quando o balcão está cheio. Não é um sítio para conversar baixinho. É um sítio para ficar com a voz rouca no dia seguinte.
A clientela é uma mistura sadina típica: jovens setubalenses que cresceram a sair aqui, estudantes do politécnico, gente da margem sul que evita a travessia para Lisboa, e nos meses de Verão um número crescente de visitantes que descobrem que Setúbal tem mais para oferecer do que o choco frito ao almoço.
Como chegar
A Avenida Luísa Todi é a coluna vertebral de Setúbal. Se vier de comboio, a estação dos Comboios de Portugal fica a uns dez minutos a pé, descendo em direcção ao rio. De carro, esqueça a ideia de estacionar na avenida a uma sexta ou sábado à noite: as ruas paralelas, especialmente na zona do Bairro Salgado, costumam ter mais hipóteses, mas o melhor é deixar o carro num parque pago perto do Largo da Misericórdia e fazer o resto a pé. Aliás, se vai beber, esqueça o carro de vez. Há táxis e TVDE a circular pela avenida toda a noite, e a viagem de regresso a Lisboa ou a Almada não custa um rim.
O bairro envolvente é o centro histórico, com a vantagem de ter dezenas de outras opções a poucos metros se o Stichini não estiver com o ambiente certo na noite em que aparecer. A zona entre a Luísa Todi e a Rua Arronches Junqueiro concentra a maior parte da vida nocturna da cidade.
Quando ir e o que esperar
Ir ao Stichini à meia-noite de uma terça-feira é cometer o erro clássico do visitante. O sítio só ganha real sentido a partir da meia-noite e meia, à sexta e ao sábado, e o pico é entre a uma e as três da manhã. Antes disso, vai encontrar um bar meio vazio e vai sair desiludido a achar que Setúbal é uma cidade dormente.
Os horários oficiais não estão disponíveis publicamente, por isso convém confirmar diretamente nas redes sociais ou ligar antes de fazer planos para uma noite a meio da semana. Aos fins-de-semana, abre cedo na noite e fecha tarde, na linha do que é normal nos bares de dança em Portugal: as portas fecham-se algures entre as quatro e as seis da manhã, dependendo da noite.
Conselhos práticos
- Não há código de vestuário formal, mas evite calções e chinelos: a malta veste-se com algum cuidado, sobretudo aos sábados.
- Leve dinheiro vivo. A maior parte dos bares de dança em Portugal aceita multibanco, mas em noites cheias a fila para pagar com cartão é exasperante e por vezes a máquina deixa de funcionar.
- Não precisa de reserva. Não é esse tipo de sítio. Entra-se, paga-se à porta se houver consumo mínimo nessa noite, e dança-se.
- Se quer começar a noite com calma, jante primeiro num dos restaurantes de peixe da Avenida Luísa Todi: o choco frito é obrigatório em Setúbal e prepara o estômago para o resto.
- Para quem fica até ao fim, há sempre um bifana ou uma sandes de pernil a aparecer numa das tascas que abrem de madrugada perto do mercado.
Encaixar o Stichini num fim-de-semana em Setúbal
Faz pouco sentido vir a Setúbal só para uma noite no Stichini. A cidade ganha-se de dia, e as noites são a recompensa. O programa que recomendo a quem nunca cá veio: chegar a meio da manhã de sábado, conduzir até à Serra da Arrábida e passar o dia na Praia dos Galapinhos ou na Praia do Creiro, voltar à cidade ao fim da tarde, jantar tarde com vinho de Palmela, e só depois aparecer no Stichini.
Quem prefere praia mais larga e menos turística pode escolher a Praia da Figueirinha, mais acessível e com restaurante. Para perceber a cidade antes de sair à noite, o nosso guia sobre cultura e gastronomia sadina é um bom ponto de partida, e se vier de manhã e quiser começar com cafeína a sério, o guia do café em Setúbal tem os endereços certos.
Vale a pena?
Vale, com ressalvas. Se procura um bar de cocktails de autor, vá para o Príncipe Real em Lisboa. Se procura música electrónica de vanguarda, apanhe um Uber para o Lux. Mas se quer perceber como é que os setubalenses passam um sábado à noite, sem filtro nem encenação, o Stichini é uma das melhores entradas para essa cidade real. É barulhento, é confuso, é divertido. E na manhã seguinte, a vista do estuário do Sado, com os golfinhos a passar ao largo, vale qualquer ressaca.