Sacolinha - Cascais
Cascais
Longe da confusão da baía, na Rua Regimento 19 de Infantaria, esta pastelaria de bairro serve pastéis de nata mornos ao balcão a preço justo. Vá de comboio, peça ao balcão e siga depois para o mar.
Há uma regra simples para comer bem em Cascais: afaste-se da baía. Quanto mais perto do passeio marítimo, mais alto o preço e mais frio o café. A Pastelaria A Bijou de Cascais fica na Rua Regimento 19 de Infantaria, nº55, uma artéria de trânsito mais funcional do que postal, e é precisamente essa falta de glamour que joga a seu favor. Aqui paga-se pela massa folhada, não pela vista.
A Rua Regimento 19 de Infantaria corre paralela ao centro histórico, a poucos minutos a pé da estação de comboios de Cascais, terminal da linha que vem desde o Cais do Sodré, em Lisboa. Se vier de comboio, saia, atravesse para norte do centro e em cinco a dez minutos está à porta. De carro, esqueça: o estacionamento em Cascais é uma modalidade de desporto de combate, sobretudo ao fim de semana. Venha de comboio, faça aqui a primeira paragem do dia e siga depois para o mar.
O bairro à volta é Cascais de quem cá vive: farmácias, papelarias, gente a tratar de recados. É o contraponto perfeito à pós-cartão postal que encontra junto à Boca do Inferno ou nas escadas que descem até à praia da Miradouro da Azarujinha.
O pastel de nata é a razão de existir de qualquer pastelaria portuguesa que se preze, e aqui é a aposta segura: massa estaladiça, creme bem queimado por cima, açúcar q.b. Peça-o ao balcão, ainda morno, e não cometa o pecado de o levar para fora numa caixa que o vai amolecer. Come-se de pé, ali mesmo, com uma bica curta ao lado.
A casa também faz questão dos chamados profiteroles de mousse de chocolate, bolinhos de massa choux recheados que pesam mais do que prometem. São indulgentes, doces, e funcionam melhor partilhados do que como façanha individual. Se está com fome a sério, este é o segundo prato, não o primeiro.
A faixa de preço é €€: nem barato de tasca de bairro, nem inflacionado de esplanada de marina. Para um pastel de nata e um café, está dentro do razoável. Para dois doces e duas bebidas a meio da manhã, continua a ser dos sítios em que o talão não estraga o passeio.
A grande vantagem desta pastelaria é a localização sóbria, longe da confusão. Faça dela o ponto de partida. Depois do pastel, caminhe para sul até à baía e ao Farol Museu de Santa Marta, com vista para o Atlântico e uma das melhores fotografias da vila. Quem prefere passar o dia a comer, há um roteiro inteiro de tasquinhas e bancas em mercados e petiscos de rua, e para perceber a vila para lá da espuma turística vale o guia consciente para viver Cascais.
Cascais não tem falta de pastelarias, e seria desonesto fingir que esta é a única boa. A Pastelaria Garrett é a clássica de referência, com história e nome feito, enquanto a Sacolinha joga noutra escala, mais larga e variada. A A Bijou de Cascais não tenta competir em pompa: é a pastelaria de quem quer um bom pastel, um café decente e seguir caminho sem demoras nem encenações.
Vá pelo pastel de nata, ainda morno, comido ao balcão. Partilhe um profiterole de mousse de chocolate se a manhã pedir doce a dobrar. Pague em dinheiro por garantia, confirme o horário por telefone e use a casa como primeira paragem antes de descer ao mar. É honesta, está bem situada para quem chega de comboio, e cobra um preço justo numa vila onde isso, junto à orla, é cada vez mais raro. Se planeia escapar para fora da vila depois do café, há boas ideias nos passeios de um dia a partir de Cascais.