Cascais

A meia hora de comboio de Lisboa, Cascais combina costa atlântica, peixe grelhado no porto e passeios de falésia sem precisar de carro. Dois dias chegam para o essencial, o percurso entre a Boca do Inferno e o Guincho faz o resto.

Cascais resolve um problema que muitas vilas costeiras portuguesas não conseguem: ser bonita sem ser apenas isso. A meia hora de comboio de Lisboa, com partida de Cais do Sodré e a linha a acompanhar o Tejo até ao estuário abrir para o Atlântico, chega-se a um lugar que funciona tanto para uma tarde como para uma semana inteira.

O que Cascais não é

Não é uma extensão da Linha de Cascais para quem quer praia e pouco mais. Essa versão existe, Carcavelos e São João do Estoril cumprem esse papel. Cascais é outra coisa. É uma vila onde pescadores continuam a descarregar peixe no porto, onde o Mercado da Vila tem bancas com produto real a preços de quem vive cá, e onde a Rua Frederico Arouca mistura gelaterias italianas com lojas que vendem anzóis.

Por onde começar

A Boca do Inferno fica a dez minutos a pé do centro e vale a visita, sobretudo ao final da tarde quando os autocarros de turismo já saíram. Mas o percurso entre o centro e a Boca, pela marginal junto às falésias, é mais interessante do que o destino em si. Continue até ao Farol Museu de Santa Marta, um dos poucos faróis em Portugal que se pode visitar por dentro, e desça ao Miradouro da Azarujinha por escadas escavadas na arriba, com piscinas naturais em baixo quando a maré colabora.

Comer e beber

O peixe grelhado domina, como seria de esperar. Na Casa da Guia, um complexo de lojas e restaurantes à beira-mar entre Cascais e Guincho, come-se bem com vista, mas os preços reflectem a localização. Para algo mais directo, as tasquinhas na zona do Mercado da Vila servem pregos e bifanas sem cerimónia. Os pastéis de nata da Cascais são honestos, não são os de Belém, mas acompanham bem um café na Praça 5 de Outubro a ver o movimento.

Quando ir e quanto tempo ficar

Maio, Junho e Setembro são os meses certos. Julho e Agosto enchem, os preços sobem, e o estacionamento desaparece. Dois dias permitem cobrir o centro, a costa até ao Guincho e o Parque Natural de Sintra-Cascais sem pressa. Um dia chega para o essencial, mas vai saber a pouco.