Restaurante Ponto Final
Comer

Restaurante Ponto Final

O último restaurante da Rua do Ginjal, em Cacilhas, com a esplanada mesmo sobre o Tejo e Lisboa inteira do outro lado. Vá de cacilheiro, ao almoço, e peça as pataniscas de bacalhau. Reserve: as mesas da frente esgotam.

O restaurante onde Lisboa fica do outro lado

Há uma fila de tascas e restaurantes ao longo da Rua do Ginjal, a faixa estreita de Cacilhas que corre rente ao Tejo, e o Ponto Final é o último deles. Daí o nome. A esplanada termina onde o cais já não dá mais e a única coisa entre a sua mesa e o rio são umas tábuas de madeira e uns metros de água. Sente-se, peça, e tem Lisboa inteira à sua frente: a Baixa, o Cais do Sodré, os barcos a cruzar para Belém. É a melhor varanda para olhar a cidade sem estar dentro dela.

O endereço é Rua do Ginjal 72, 2800-284 Cacilhas, Almada. O telefone para reservar é +351 212 760 743, e digo já: reserve. Sobretudo se quiser uma das mesas da frente, as que ficam mesmo sobre a água. Em dias de sol não há lugares de sobra e quem aparece sem aviso arrisca-se a ficar a olhar de fora.

Como chegar (a parte que vale a pena)

Não venha de carro. A Rua do Ginjal é apertada, sem estacionamento decente, e estaria a desperdiçar a melhor maneira de chegar: o cacilheiro. Apanhe o ferry no Cais do Sodém, em Lisboa, até ao terminal de Cacilhas. A travessia demora cerca de dez minutos e custa pouco mais que uma viagem de metro. Do terminal, vire à direita e siga a pé ao longo do rio. São uns dez a quinze minutos de caminhada pela Rua do Ginjal, com os armazéns antigos de um lado e o Tejo do outro. A caminhada faz parte da experiência: chega-se a comer com fome e com a cidade já vista de longe.

Se vier de Almada pelo alto, há o elevador panorâmico da Boca do Vento que desce até à zona ribeirinha, e a partir daí é seguir o rio. Vale o desvio.

O que comer

Isto é uma casa de peixe, e é nisso que se deve concentrar. O Ponto Final faz a cozinha de Cacilhas como deve ser: peixe fresco, grelhado simples, e as pataniscas de bacalhau pelas quais é justamente conhecido. Peça as pataniscas para começar, com arroz de feijão se quiser fazer o clássico. Depois siga para o peixe do dia grelhado, que muda conforme o que entra na lota. Pergunte ao empregado o que está bom nesse dia; é o melhor conselho que vai ter.

A faixa de preços anda nos €€, o que para a vista que tem é honesto. Não é a tasca mais barata de Cacilhas, mas também não está a pagar só pela paisagem. O peixe justifica-se. Um conselho prático: vá ao almoço. A luz sobre o rio ao meio-dia é difícil de bater, há mais movimento de barcos para ver, e a refeição sai melhor de preço e de ambiente do que ao jantar, quando a procura aperta e o sítio fica mais cheio.

Os horários não estão sempre garantidos, por isso confirme diretamente pelo telefone antes de ir, sobretudo fora de época ou em dias de mau tempo, quando a esplanada à beira-rio pode estar fechada ao vento.

O detalhe Netflix

Se a esplanada lhe parecer estranhamente familiar, é porque já a viu. O Ponto Final aparece em La Casa de Papel, a série da Netflix, e desde então tornou-se ponto de peregrinação para fãs vindos de todo o lado. Isso trouxe gente, trouxe filas e, sejamos honestos, trouxe alguma confusão aos fins de semana. Não deixe que isso o afaste: vá num dia de semana, ao almoço, e tem o sítio quase como era antes da fama.

Antes ou depois: faça noite em Almada

Cacilhas e a margem sul dão para mais do que uma refeição. Se quiser esticar a tarde até à noite, do outro lado de Almada há sítios que valem a pena. Para um copo depois de jantar, o Ophelia Cocktail Bar faz cocktails com mão séria, e quem prefere vinho encontra boas garrafas ao copo no Carmen Wine Bar. Para algo mais descontraído, com cerveja e barulho amigável, há The Corkman Irish Pub.

E se a refeição vos abrir o apetite para conhecer melhor a margem sul, Almada esconde uma costa que dispensa apresentações: o nosso guia sobre as ondas da Costa da Caparica mostra onde apanhar mar para todos os níveis, a poucos minutos dali.

Em resumo

O Ponto Final é daqueles sítios que merecem o estatuto sem precisar de o gritar. Vá de cacilheiro, vá ao almoço, reserve uma mesa da frente, peça as pataniscas e o peixe do dia, e deixe Lisboa fazer o trabalho de cenário. É das melhores formas de comer peixe com o Tejo aos pés, e de ver a cidade pelo ângulo que ela raramente nos mostra: de fora, do outro lado, com tempo.