Restaurante Ponto Final
Almada
A dez minutos de ferry de Lisboa, Almada tem a melhor vista sobre a capital, praias que se estendem por quilómetros na Costa da Caparica, e restaurantes de peixe grelhado em Cacilhas onde os lisboetas realmente vão jantar. Um ou dois dias bastam para perceber porque é que a margem sul deixou de ser só passagem.
Toda a gente conhece a Praia de São João lotada em agosto, mas a Costa da Caparica tem treze quilómetros de areal e um comboiozinho que leva quem sabe até às praias vazias de Fonte da Telha. Depois é jantar com os pés na água em Cacilhas e copos em Almada Velha.
O cacilheiro demora dez minutos, custa pouco mais de um euro e leva a uma Almada que não tenta imitar Lisboa. Jantar à beira-rio no Ponto Final, um copo de vinho sério no Carmen, cerveja irlandesa no Corkman e cocktails bem feitos no Ophelia, tudo antes do último ferry.
Do outro lado do Tejo, um copo de vinho ainda custa três euros e a vista sobre Lisboa é gratuita. Um roteiro por Almada para quem quer ver tudo sem pagar preços de capital.
Um serão em Almada faz-se em quatro paragens: cerveja despretensiosa, vinho a sério, coquetel elegante e peixe grelhado com Lisboa a ficar cor de laranja do outro lado do rio. Tudo a uma curta distância a pé, sem pagar preços de Lisboa.
A maioria das pessoas olha para Almada todos os dias sem saber o nome. É aquela margem do outro lado do Tejo, com o Cristo Rei de braços abertos e a ponte 25 de Abril a cortar o horizonte. Mas Almada não é cenário, é uma cidade com vida própria, e uma das melhores formas de experimentar Lisboa é, ironicamente, sair dela.
O ferry do Cais do Sodré a Cacilhas demora menos tempo do que a fila para um pastel de nata na Baixa. Do outro lado, o cais abre para uma frente ribeirinha onde os restaurantes servem peixe grelhado com vista para a cidade que acabou de deixar. É aqui que muitos lisboetas vêm jantar ao fim de semana, e por bons motivos. A Fragata D. Fernando II e Glória, atracada junto ao terminal, merece uma visita antes ou depois da refeição.
Subindo a partir de Cacilhas, o Elevador Panorâmico da Boca do Vento poupa as pernas e oferece uma das melhores vistas do estuário. A Almada Velha tem ruas estreitas, muros pintados, e uma calma que contrasta com o frenesim do outro lado do rio. O Castelo de Almada, ou o que resta dele, marca o ponto mais alto. Não espere grandes monumentos, mas sim uma perspetiva completamente diferente sobre a capital.
Se vai a Almada entre junho e setembro, a Costa da Caparica é inevitável. São quilómetros de areal que se estendem para sul, cada praia com o seu público, das famílias aos surfistas, dos naturistas aos festivaleiros. O transpraia, um pequeno comboio que percorre a costa, é a forma mais prática de explorar sem carro. Fora de época, as praias ganham outro carácter: vazias, ventosas, perfeitas para caminhar.
Um dia inteiro chega para Cacilhas, Almada Velha e o Cristo Rei. Se juntar a Costa da Caparica, reserve dois. A noite em Almada tem crescido, há bares de cocktails e vinho que mostram que a margem sul deixou de ser apenas dormitório. Coma peixe grelhado em Cacilhas, tome um café na Almada Velha, e acabe o dia na praia. É um programa difícil de bater.