Zambujeira do Mar: O Que Comprar (e Evitar) no Mercado
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Zambujeira do Mar: O Que Comprar (e Evitar) no Mercado

· · Zambujeira do Mar

O pequeno Mercado Municipal da Zambujeira do Mar não tem glamour, mas tem sargos frescos da Entrada da Barca, azeitonas temperadas em baldes e alcôncoras, um doce com história que remonta à Primeira Guerra. Guia prático para comprar bem e evitar armadilhas de turista.

O Mercado Municipal da Zambujeira do Mar não é um daqueles mercados renovados com bancas de brunch e cerveja artesanal. É um mercado pequeno, honesto, com três bancas de frutas e legumes, uma peixaria e pouco mais. E é exactamente por isso que vale a pena ir.

Fica na Rua da Capela, no centro da aldeia, e funciona das 9h às 15h, fecha ao sábado. Se está à espera de uma experiência de mercado ao estilo de Lisboa ou do Bolhão, vai ficar desiludido. Mas se quer perceber como é que uma aldeia piscatória do litoral alentejano se alimenta a si própria, este é o sítio certo.

A peixaria: onde o dia começa a sério

A banca do peixe é o coração do mercado. Aqui encontra o que o mar da Costa Vicentina dá nesse dia, sargos, robalos, douradas, carapau, bodião, safio. Não há carta fixa. Há o que os pescadores trouxeram de manhã da Entrada da Barca, o portinho de pesca artesanal da Zambujeira, onde cerca de 150 pescadores ainda operam com barcos de madeira de proa aberta, como se fazia há gerações.

Regra de ouro: chegue cedo. Às 9h, a banca está cheia. Às 11h, o melhor já foi. O peixe aqui não está embalado em esferovite, está em caixas, ainda húmido de sal, e o peixeiro conhece de onde veio cada peça. Se não sabe o que fazer com um safio inteiro, pergunte. Vai sair de lá com uma receita de caldeirada e um conselho sobre como não estragar o bicho na grelha.

O que comprar: sargos e robalos são aposta segura para grelhar com pouco mais do que azeite e sal grosso. Carapau fresco, nesta costa, é outro animal comparado com o que se encontra em supermercados de cidade, mais firme, mais sabor. Se tiver sorte e encontrar chocos pequenos, leve sem hesitar.

O que evitar: se o peixe já não cheira a mar mas a frigorífico, passe à frente. Num mercado deste tamanho, a rotação é pequena e nem tudo saiu do barco nessa manhã. Use o nariz, é o melhor instrumento de qualidade que tem.

Frutas, legumes e o que a terra dá

As três bancas de frutas e legumes são modestas, mas honestas. Tomates de horta que ainda sabem a tomate, conceito revolucionário, eu sei. Batata-doce do Alentejo, courgettes, feijão verde em época. Nada vem de estufas holandesas. O tamanho irregular e a terra ainda agarrada são sinais de que está no caminho certo.

No verão, os melões e melancias locais justificam sozinhos a visita. O melão do Alentejo, maduro a sério, cortado ao meio com presunto, se não conhece, vai ficar convertido.

Procure também as azeitonas temperadas que algumas vendedoras trazem em baldes, azeitonas de conserva caseira, com alho, orégãos e um toque de limão. Custam pouco e valem muito. Os queijos da região, particularmente de ovelha e cabra, aparecem com frequência. Não são queijos de marca, são queijos de alguém que tem meia dúzia de animais a pastar algures no interior de Odemira.

Os doces: alcôncoras e o que mais encontrar

Se alguém na banca tiver alcôncoras, compre. É um doce seco tradicional do concelho de Odemira, feito com mel, azeite e canela, com origens que remontam à Primeira Guerra Mundial, eram colocadas nos mastros de promessa quando um familiar regressava da guerra ou recuperava de doença. Não são bonitas, não têm packaging instagramável, mas são um pedaço de história comestível desta região.

Fora do mercado, mas a dois minutos a pé, a Padaria Augusto Ferreira e Filhos é paragem obrigatória. Abre às 7h da manhã, no verão, confirme o horário porque pode fechar ao meio-dia. Os bolinhos de manteiga são o que vale a pena provar: simples, amanteigados, feitos ali. O pão alentejano, denso e com côdea grossa, é para levar para o piquenique na praia.

A loja que complementa o mercado

Para o que o mercado não tem, e há muita coisa que não tem, existe a loja de produtos regionais junto ao mar. Licores, compotas, queijos curados, cerâmica local e vinho Vincentino estão entre o que se encontra. É uma boa opção para presentes ou para montar uma tábua de aperitivos decente se está alojado num apartamento.

Se ficou com curiosidade sobre o marisco da zona, vale a pena ler o nosso guia sobre percebes em Odemira, um dos mariscos mais arriscados de apanhar e mais saborosos de comer nesta costa. E para quem quer explorar a pesca artesanal mais a norte, o peixe fresco de Porto Covo é outro capítulo que vale a pena conhecer.

O que não comprar

Sejamos directos. Nas lojinhas de recordações espalhadas pela aldeia, especialmente no verão, quando a Zambujeira triplica de população por causa do Festival Sudoeste, vai encontrar ímanes de frigorífico com golfinhos, toalhas de praia genéricas e "artesanato" que vem de fábricas na China. Passe ao lado. Se quer cerâmica a sério, procure peças de olaria do Alentejo nas lojas de produtos regionais, não nas bancas de rua.

Também evite comprar mel ou azeite sem saber a origem. Nesta zona, há produtores locais legítimos, mas no verão também aparecem revendedores oportunistas. Pergunte de onde vem, quem fez. Se a resposta for vaga, siga caminho.

Onde ficar para aproveitar o mercado de manhã

A vantagem da Zambujeira é que tudo fica perto. Se está no White Rose Boutique, o mercado está a poucos minutos a pé. O mesmo vale para o Alojamento Costa Alentejana, bem localizado no centro. Para quem viaja com menos orçamento, o Hostel Nature é opção, e a cozinha partilhada permite transformar as compras do mercado em jantar.

O plano ideal: acordar cedo, ir à padaria, depois ao mercado, comprar peixe e fruta, e almoçar na praia com o que trouxe. A Praia dos Alteirinhos, com as suas piscinas naturais e abrigo do vento entre as rochas, é o cenário perfeito para um piquenique com sargos grelhados frios, pão alentejano, queijo de ovelha e um melão.

Quando ir

O mercado funciona o ano inteiro, mas a oferta varia. Na primavera e verão, há mais variedade de frutas e legumes. No inverno, o peixe continua, o mar não fecha, mas as bancas de hortícolas podem estar mais magras. Evite ir em pleno Agosto se não gosta de multidões: a aldeia enche com o festival e tudo fica mais caro e mais caótico.

Setembro e início de Outubro são, na minha opinião, a melhor altura. O calor abranda, os turistas recuam, mas o mercado ainda tem oferta de verão. E os preços voltam ao normal.

Um último conselho: leve um saco reutilizável. Parece básico, mas metade das pessoas que vejo no mercado andam com as compras nas mãos porque se esqueceram. E traga dinheiro, num mercado deste tamanho, o multibanco é um conceito optimista.

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