Zambujeira do Mar: Cinco Escapadas Que Valem o Dia
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Zambujeira do Mar: Cinco Escapadas Que Valem o Dia

· · Zambujeira do Mar

Cinco destinos a menos de uma hora de Zambujeira do Mar, de cegonhas em Cabo Sardão a peixe fresco em Porto Covo. Como chegar, o que fazer e porque vale a pena sair da praia.

Zambujeira do Mar é daqueles sítios onde é fácil não fazer nada. A falésia, a praia lá em baixo, uma imperial ao fim da tarde, e o dia passou. Nada contra. Mas se depois de dois ou três dias começar a sentir que já conhece cada pedra do caminho até à praia, é sinal de que está na hora de explorar os arredores. E a Costa Vicentina, felizmente, tem muito para dar a quem esteja disposto a sair do perímetro.

Antes de partir para qualquer lado, convém resolver a logística da estadia. Se procura conforto com personalidade, o White Rose Boutique é uma aposta sólida, quartos bem decorados e pequeno-almoço que não é uma desilusão. Para quem viaja em modo mais descontraído e quer um bom rácio qualidade-preço, o Hostel Nature fica a curta distância do centro e tem a vantagem de juntar gente que também anda a explorar trilhos e praias. E se quer algo entre os dois, o Alojamento Costa Alentejana é uma opção prática, sem grandes surpresas mas sem falhas.

Cabo Sardão: Cegonhas Onde Não Deviam Estar

Comecemos pela escapada mais curta e, honestamente, pela mais surpreendente. Cabo Sardão fica a cerca de 8 quilómetros a norte de Zambujeira, de carro são menos de 15 minutos, de bicicleta talvez 40, a pé umas duas horas se seguir pelos trilhos da Rota Vicentina.

O que encontra lá? Um farol de 1915, falésias verticais e uma das cenas mais improváveis da natureza portuguesa: cegonhas-brancas a nidificar em rochedos à beira-mar. As cegonhas normalmente fazem ninhos em telhados, chaminés, torres de igreja, sítios altos e estáveis no interior. Aqui, resolveram instalar-se em promontórios rochosos batidos pelo vento do Atlântico. Ninguém sabe explicar completamente porquê, o que torna a coisa ainda melhor.

A melhor altura para ver os ninhos é entre abril e agosto, quando as crias estão a crescer. Leve binóculos se tiver, os ninhos estão em saliências rochosas abaixo do nível das falésias e, sem zoom, perdem-se no panorama. O pôr do sol aqui é daqueles que justifica levar uma garrafa de vinho e ficar até a luz desaparecer. Não há café nem restaurante junto ao farol, leve o que precisar.

A estrada até lá é sinalizada mas estreita. De bicicleta é perfeitamente fazível, mas o regresso em subida pode ser ingrato ao final do dia. A minha sugestão: vá de manhã cedo, quando a luz rasante ilumina as falésias e os ninhos, e ainda não chegou ninguém.

Vila Nova de Milfontes: O Primo Mais Social

Se Zambujeira é o primo introvertido que lê na varanda, Vila Nova de Milfontes é o que organiza jantares. É a maior localidade desta faixa costeira, com mais restaurantes, mais bares, mais agitação, sem nunca chegar ao nível de caos do Algarve.

Fica a cerca de 20 quilómetros a norte. De carro, 25 minutos. A Rede Expressos faz a ligação por autocarro cerca de três vezes por dia, em aproximadamente 30 minutos, por volta de 5-8 euros, confirme os horários atualizados na rodoviária ou online, porque variam entre verão e inverno.

O que fazer lá num dia? Comece pela Praia da Franquia, na margem do rio Mira, a água é calma, perfeita para quem não quer lutar com ondas do Atlântico. Se quiser experimentar kayak ou stand-up paddle, há vários operadores junto ao rio (os preços rondam os 15-20€ por hora, mas confirme localmente). A Praia do Farol, mais perto da foz, já tem mais ondulação e é melhor para quem quer entrar no mar a sério.

Para almoçar, o Porto das Barcas, junto ao porto de pesca, serve peixe do dia que chegou de manhã. Não espere decoração sofisticada, mesas de plástico, peixe grelhado, e tinto da casa. É isso, e é o suficiente. O centro histórico tem ruas estreitas com casas caiadas, lojas de artesanato e pastelarias onde vale a pena parar para um café e um pastel.

Milfontes também funciona como ponto de partida para caminhar troços da Rota Vicentina, mas se está a planear um dia inteiro de caminhada, o melhor é mesmo começar cedo e levar comida, as opções entre etapas são escassas.

Porto Covo: Pequeno, Despido, Direto

Porto Covo é mais longe, cerca de 50 minutos de autocarro a partir de Zambujeira, com transbordo ou percurso via Milfontes, dependendo do horário. De carro, são uns 40 minutos pela N393 e depois IC4. Mas vale a pena? Vale, sobretudo se procura uma versão ainda mais compacta e despretensiosa da costa alentejana.

A aldeia em si é pequena, uma praça central, casas brancas, um punhado de restaurantes. A praia principal, Praia Grande, fica numa baía protegida com acesso por escadas na falésia. A água é fria, como em toda esta costa (mesmo em agosto, conte com 17-19°C), mas a paisagem compensa.

O verdadeiro interesse de Porto Covo, além das praias, é gastronómico. É terra de peixe fresco, e quem quiser perceber a relação entre o barco de pesca e o prato deve ler o nosso guia sobre o peixe fresco de Porto Covo, vai mudar a forma como olha para a ementa.

A Ilha do Pessegueiro, visível da costa, é outro ponto de interesse, uma pequena ilha com ruínas de uma fortaleza inacabada do século XVI. Não se pode visitar sem barco, mas a vista do miradouro em terra já vale a paragem.

Odeceixe: Onde o Rio Encontra o Mar

Ao contrário das opções anteriores, Odeceixe fica a sul, tecnicamente já é Algarve, embora ninguém aqui se sinta algarvio. A distância é de cerca de 18 quilómetros, que de carro se fazem em 20-25 minutos. De autocarro, há ligações pela Rede Expressos mas com menor frequência, consulte horários antes de contar com isso.

A atração principal é a praia, e com razão. A Praia de Odeceixe é uma daquelas composições geológicas que parecem desenhadas por alguém com sentido estético: a Ribeira de Seixe faz uma curva ampla antes de desaguar no mar, criando uma espécie de lagoa natural de um lado e mar aberto do outro. Na maré baixa, a faixa de areia alarga-se e aparecem poças de rocha onde as crianças podem explorar sem riscos. Na maré alta, a praia estreita e as ondas ficam mais agressivas, bom para surf, menos para famílias.

Há escolas de surf junto à praia, com aulas de grupo a partir de 30-35€ (confirme localmente). A aldeia, em cima, é agradável para um passeio, casas tradicionais, ruas íngremes, e uma ou duas tascas com boa comida. Não espere grande oferta de restauração de luxo, mas o peixe grelhado é sólido em quase todo o lado.

Um pormenor importante: Odeceixe é a última etapa do Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina. Se caminha a partir de Zambujeira, são cerca de 18 km por trilhos costeiros espetaculares, falésias, praias isoladas como a Praia dos Alteirinhos e a Praia do Carvalhal, e o pequeno porto natural de Azenha do Mar, onde há restaurantes com vista para a água. A caminhada leva umas 5-6 horas. É exigente mas não técnica, sapatilhas de trail bastam.

Odemira: O Interior que Ninguém Visita

Toda a gente que vem à Costa Vicentina olha para o mar. Quase ninguém olha para dentro. Odemira, a sede do concelho (o maior de Portugal em área, aliás), fica a cerca de 30 minutos de carro para o interior e é a prova de que o Alentejo interior tem carácter próprio.

Não vou mentir: Odemira não é uma vila monumental. Não tem castelo nem museu imperdível. Mas tem uma calma e uma autenticidade que a costa, em agosto, já não consegue oferecer. O mercado municipal merece uma visita, sobretudo de manhã, frutas e legumes locais, queijo, mel, enchidos. E se gosta de marisco com história, leia o nosso artigo sobre os percebes de Odemira, o marisco que se arrisca a vida para apanhar. Vai perceber porque é que este crustáceo custa o que custa.

Odemira é também a melhor opção para dia de chuva ou vento forte, quando a costa está impraticável, o interior está apenas fresco e tranquilo. Um almoço demorado numa tasca local, uma caminhada junto ao rio, e o dia fica resolvido.

Notas Práticas para Todas as Escapadas

Ter carro facilita tudo. A rede de autocarros existe mas é limitada, com poucos horários diários e variações sazonais. Se não tem carro, o ideal é alugar um por um ou dois dias, há agências em Vila Nova de Milfontes e, em época alta, às vezes em Zambujeira. Bicicleta é uma opção para Cabo Sardão e Almograve, mas as distâncias para Porto Covo ou Odeceixe são exigentes.

Antes de sair em qualquer excursão, passe pelo mercado de Zambujeira para montar um piquenique decente, fruta, queijo, pão, talvez uma lata de conservas. Muitas das praias e miradouros não têm qualquer infraestrutura, e o restaurante mais próximo pode estar a quilómetros.

Protetor solar, água, e um corta-vento leve são obrigatórios mesmo em dias de sol, o vento na costa pode ser enganador e, quando se dá conta, está queimado ou gelado. As temperaturas da água raramente passam dos 19°C, mesmo no pico do verão. Se não está habituado, os primeiros segundos são um choque.

Uma última coisa: esta costa está dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Isso significa regras, não acampar nas falésias, não fazer fogueiras, não deixar lixo. É o tipo de sítio que se mantém bonito exatamente porque a maioria das pessoas respeita isto. Faça o mesmo.

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