Surf de Verão em Braga: Onde Aprender em Julho
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Surf de Verão em Braga: Onde Aprender em Julho

· · Braga

Trinta e cinco minutos de Braga até Ofir, fato 3/2, aulas a 40 euros, e o segredo brutal: ondas só boas até às 11h00. Onde aprender a surfar em Julho sem fingir que se está na Nazaré, e onde almoçar quando voltar com fome de elefante.

Há uma piada que se conta em Braga, normalmente entre cervejas no Campo das Hortas, que diz assim: a cidade mais católica de Portugal fica a quarenta minutos de carro da praia, mas os bracarenses preferem ir à missa. É injusto, claro. Em Julho, a verdade é outra: o parque de estacionamento de Esposende às oito da manhã está cheio de carros com matrícula de Braga, pranchas amarradas ao tejadilho com cordas suspeitas, e gente a calçar fatos de neoprene 3/2 que ainda cheiram a Junho.

Este é um guia para quem mora em Braga, ou está de visita em Julho, e quer fazer aquilo que os bracarenses fingem que não fazem: apanhar uma onda. Não vamos enviar-vos para Peniche. Não vamos romantizar a Nazaré. Este é o circuito honesto do surf de iniciantes a oeste de Braga, com indicações de quanto custa, a que horas ir, e onde almoçar quando voltarem encharcados e com fome de cavalo.

Porquê Julho, e porquê iniciantes

Julho no norte de Portugal é o mês em que o oceano finalmente cede. A água sobe para os 17 ou 18 graus, o que com um fato 3/2 é perfeitamente tolerável durante duas horas. As ondulações de inverno, aquelas que partem pranchas e egos na Praia do Norte, desapareceram. Em Julho temos o que os instrutores chamam, com aquele otimismo profissional que confunde principiantes, de "ondas de aprendizagem": picos entre o meio metro e o metro e meio, períodos curtos, vento térmico do norte que sopra a partir do meio da manhã e estraga tudo a partir das 11h00.

Tradução prática: se quer aprender a surfar em Julho, levanta-se às 6h30 ou aceita que a sessão da tarde vai ser uma luta contra o vento. Não há outra forma. Os instrutores honestos dir-lhe-ão isto. Os outros levam-no para a água ao meio-dia e cobram-lhe o mesmo.

Os spots: três praias, três personalidades

Praia de Ofir, Esposende

Trinta e cinco minutos a oeste de Braga pela A11, Ofir é o spot de iniciantes mais óbvio do norte. Areal extenso, fundo de areia (não há pedras escondidas para vos partir os dedos do pé), ondas que partem suavemente e dão tempo para se levantar. Há quatro ou cinco escolas a operar na praia, todas com aulas em grupo entre os 35 e os 45 euros por duas horas, incluindo prancha e fato.

O segredo de Ofir não é a praia em si, é o estacionamento. Em Julho, depois das 10h00, é um pesadelo. Cheguem antes das 9h30 ou estacionem em Apúlia e caminhem dez minutos pelo passadiço. Trazem dinheiro trocado: o quiosque do parque só aceita moedas e a máquina ATM mais próxima está em Fão.

Praia de Moledo, Caminha

Uma hora a norte de Braga, já a olhar para Espanha do outro lado do Minho, Moledo é o spot que ninguém vos vai recomendar porque os surfistas locais querem que continue assim. A onda é mais consistente do que em Ofir, o ambiente é mais calmo, e a montanha de Santa Tecla do outro lado do rio dá-vos uma das melhores vistas que se podem ter enquanto se está debaixo de água a engolir sal.

É menos servido por escolas. Há uma ou duas que operam em Julho, mas convém marcar com antecedência. Se já têm o básico (apanhar a vaga deitado, levantar-se, manter-se em pé três segundos), Moledo é o sítio para a vossa segunda fase de aprendizagem.

Praia do Cabedelo, Viana do Castelo

Cinquenta minutos de Braga. O Cabedelo é o spot técnico do norte, com correntes que apanham desprevenidos e uma onda mais rápida do que parece da areia. Não é para a primeira aula. É para a terceira, quarta, quinta. Os instrutores locais sabem ler as marés do Lima, e isso faz toda a diferença. Se vão ao Cabedelo, vão com aula. Não façam o erro de remar sozinhos achando que dominaram tudo em Ofir.

O equipamento: o que comprar, o que alugar

Em Julho, alugar é mais inteligente do que comprar. Uma prancha softboard de aluguer custa entre 15 e 20 euros por dia. Um fato 3/2 entre 10 e 15. Comprar tudo novo, mesmo em saldos, dá-vos uma factura de 400 euros para um equipamento que vai apanhar pó nove meses por ano. Para a maioria das pessoas, o aluguer faz sentido durante os primeiros dois ou três verões.

Se decidirem comprar, há uma loja em Esposende perto da Avenida Marginal que aceita usados em consignação. As pranchas que lá vão parar em Setembro, depois de um verão de aulas, são frequentemente as melhores opções para iniciantes: já têm dings, já não dão dó, e custam metade do preço de novas.

O dia bem feito: cronograma realista

  • 6h30: sair de Braga. Levem café num termo, porque às 6h30 nada está aberto.
  • 7h15: chegar a Ofir. Estacionar facilmente. Vestir o fato no parque, todos o fazem.
  • 8h00 às 10h00: aula ou sessão livre. Duas horas é o limite para quem está a aprender, depois disso os braços já não respondem.
  • 10h15: duche frio na praia (sim, frio, em Julho não há aquecimento e mais ninguém liga).
  • 11h00: regresso a Braga, ou pequeno-almoço/almoço numa marisqueira de Esposende.
  • 13h00: chegada a Braga, com fome de elefante.

Onde comer quando voltam: a parte importante

Surfar dá uma fome que não é normal. É uma fome de quem queimou três mil calorias a tentar levantar-se numa prancha. Cervejas, hidratos, proteína, sal. A boa notícia é que Braga sabe alimentar pessoas com fome.

Para um almoço a sério depois da praia, o DeGema Hamburgueria Artesanal é a escolha óbvia. Hambúrguer, batatas, cerveja, conversa sobre as ondas que apanharam (e as que não apanharam, que sempre são mais). É honesto, é rápido, é exatamente o que o corpo está a pedir.

Se quiserem algo mais aventureiro, o NOKI street food fusion faz uma coisa de fusão asiática que funciona surpreendentemente bem para quem acabou de engolir meio litro de água salgada. Algo com noodles, picante, restaurador. Não vão lá esperar comida portuguesa tradicional: vão lá precisamente porque não querem mais um prato de bacalhau num dia em que o corpo pede umami.

Para um jantar mais calmo, depois do duche e da sesta obrigatória, a Pia'Donna faz pizza ao estilo italiano sério, daquelas de massa fina e ingredientes que se respeitam mutuamente. Uma pizza, uma garrafa de vinho da casa, e a sensação de que o corpo merece isto depois de duas horas a apanhar pancadas de água gelada.

O que fazer no resto do dia (e quando o vento estragar a tarde)

O vento térmico que estraga as ondas das 11h00 às 17h00 também vos liberta a tarde. É aí que Braga ganha. Se a manhã foi de surf, a tarde pode ser de cultura, e a cidade tem mais para oferecer do que aquilo que cabe num fim de semana.

Para quem nunca leu sobre Braga a sério, recomendo começar pelo nosso guia completo de Braga: tem o contexto que falta a quem chega cá pensando que isto é uma cidade de igrejas e nada mais. Não é. É uma cidade de igrejas, sim, mas também de estudantes, cervejarias, e um certo orgulho silencioso que demora a ser entendido.

Para a tarde concreta: subam ao Miradouro do Monte do Picoto. Está a cinco minutos do centro de carro, há estacionamento gratuito, e dá-vos uma vista da cidade que justifica os três cêntimos de gasolina. Levem água. Em Julho, ao meio-dia, mesmo no miradouro, está calor.

Se preferirem atividade interior, e se chover (acontece, mesmo em Julho, sobretudo de manhã cedo quando o vento ainda não decidiu de que lado vai soprar), há duas boas opções de mãos na massa em Braga. As aulas de cerâmica no Ateliê Cobalto são daquelas experiências que parecem turísticas mas não são: as pessoas que lá trabalham são ceramistas a sério, e o que vocês saem de lá com uma peça que não envergonha. Se preferirem azulejos, há também a opção de pintar azulejos no mesmo ateliê, e a verdade é que um azulejo pintado por vocês, ainda que tortinho, é uma recordação mais honesta do que um íman de frigorífico.

Excursões: usar Braga como base

Se ficam uma semana em Braga e querem variar o ritmo, o Porto está a quarenta minutos de comboio. O nosso guia das melhores viagens de um dia a partir do Porto serve perfeitamente como inspiração ao contrário: muitos dos sítios que sugerimos para visitar a partir do Porto, são visitáveis com igual facilidade a partir de Braga, e em alguns casos mais perto.

E se calhar voltam em Abril. Sim, eu sei, isto é um guia de Julho. Mas se forem do tipo que se apaixonou por Braga durante uma semana de surf, é justo avisar: a cidade no Abril, durante a Semana Santa, é uma coisa que não se vê em mais lado nenhum em Portugal. Procissões à meia-noite, ruas tomadas por cera derretida, um silêncio que não tem nada de granítico (apesar das pedras), só de pessoas que estão a respirar em conjunto. Marquem o calendário.

Conselhos finais, sem floreios

  • Comprem um par de chinelos de borracha de 3 euros. Os tapetes de carro vão agradecer.
  • Levem uma muda de roupa seca. Vestirem-se molhados para conduzir 40km é miserável.
  • Não façam aulas em dias de bandeira vermelha. Os instrutores não devem aceitar, mas alguns aceitam.
  • Em Ofir, ao Sábado, há mais alunos do que ondas. Façam aulas à terça ou à quinta.
  • Hidratem-se. Surfar desidrata como se fosse desporto de calor: água salgada, sol, esforço. Tragam dois litros de água, mesmo para uma sessão de duas horas.
  • Aprendam a remar antes de aprender a levantar-se. A maioria dos iniciantes passa metade da aula a tentar pôr-se de pé numa onda mal apanhada. Apanhem bem a onda primeiro, o resto vem.

Boa onda. E quando voltarem para Braga ao fim da manhã, com cabelo a cheirar a mar e fome a sério, lembrem-se: o DeGema está aberto.

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