DeGema Hamburgueria Artesanal
Braga
Na Rua de São Victor, a cinco minutos do centro de Braga, o NOKI serve bao buns, pad thai e ceviche com a convicção de quem não precisa de pedir licença à tradição minhota. Fusão street food feita por um chef autodidata, com viagens pela Tailândia na bagagem e uma conta que não assusta.
Braga tem fama de conservadora, a cidade dos arcebispos, do bacalhau, da Semana Santa. E depois aparece um sítio como o NOKI, numa rua onde ninguém esperava encontrar bao buns e pad thai feitos por um chef autodidata que aprendeu a cozinhar entre a cozinha da família e as ruas de Banguecoque. A contradição funciona. Funciona mesmo muito bem.
O NOKI fica na Rua de S. Victor Nº174, a cinco minutos a pé do centro histórico, basta subir pela rua em direção ao campo da Vinha e virar. A zona é residencial, sem a agitação turística do Largo do Paço, o que já diz algo sobre as intenções do sítio: isto não é para quem quer ver e ser visto. É para quem quer comer.
O restaurante é pequeno, sala interior compacta e uma esplanada que, nos meses quentes, é onde toda a gente quer estar. O ambiente é descontraído, quase de cantina de bairro com aspirações, e o serviço é consistentemente simpático sem ser intrusivo. A filosofia que emprestam ao Mad Men, "Make it simple, but significant", traduz-se na decoração limpa e no foco evidente naquilo que sai da cozinha.
O menu passeia entre a Ásia e a América do Sul sem pedir desculpa a nenhuma das duas. Os bao são o cartão de visita, é o que mais vês nas mesas ao lado, e com razão. O pad thai é honesto e bem temperado, sem a doçura excessiva que assombra tantas versões europeias do prato. Há também ceviche, poké, tacos e peixe grelhado, o que dá margem para voltar várias vezes sem repetir. Se forem dois, partilhem entradas, o formato street food convida a isso e a conta agradece. Conte com cerca de €26 por pessoa para uma refeição completa, o que para a qualidade apresentada é bastante justo.
O chef Bruno Silva é autodidata, formado entre receitas familiares e viagens pela Tailândia, e nota-se: há uma honestidade na comida que não tenta impressionar com técnica, mas com sabor. A carta de vinhos é curta e bem pensada, escolhida para acompanhar uma cozinha que não é a habitual do Minho, e isso, num território dominado pelo vinho verde e pela cozinha regional, é uma declaração de princípios.
Se procura o lado mais tradicional da mesa bracarense, o nosso roteiro pela cozinha minhota é um bom complemento. O NOKI é exactamente o oposto, e é por isso que faz falta.
O NOKI é para quem já comeu todas as francesinhas de Braga e quer algo diferente sem sair da cidade. É para o casal que quer um jantar descontraído, para o grupo de amigos que gosta de partilhar pratos, para o viajante que não quer mais uma refeição de bacalhau (nada contra, mas às vezes apetece outra coisa). Não é para quem quer uma experiência fine dining, e ainda bem.
Se estiver em Braga para a Semana Santa, o NOKI é um bom escape à intensidade das procissões e da comida pesada que domina a época. E depois do jantar, a caminhada de regresso ao centro passa pelo Miradouro do Monte do Picoto, se tiver pernas e disposição, a vista sobre a cidade à noite vale o desvio.
Para uma visão completa da cidade, o nosso guia de Braga cobre tudo o que precisa de saber antes de ir. Mas o NOKI é o tipo de sítio que nenhum guia generalista costuma apanhar, e é exactamente por isso que vale a pena ir.