Levada do Rei a partir de São Vicente: Trilho Laurissilva
A Levada do Rei (PR18) é o trilho mais imersivo na floresta Laurissilva da Madeira: 10,6 km ida e volta, com Madeira Tourguide a fazer pick-up em São Vicente a partir de 59 euros. Reserve a sessão das oito da manhã, é uma experiência diferente.
Antes de mais, uma honestidade que muitos folhetos turísticos omitem: a Levada do Rei (PR18) não começa em São Vicente. O trilho arranca na Estação de Tratamento de Água das Quebradas, em São Jorge, a freguesia ao lado. A boa notícia é que, se estiver instalado em São Vicente, fica a vinte minutos de carro, e a maioria dos operadores faz pick-up no alojamento. Por isso, sim, é perfeitamente viável fazer esta caminhada "a partir de São Vicente". Só não vá à procura do início do trilho em São Vicente, porque não está lá.
O operador que recomendo: Madeira Tourguide
Depois de testar várias opções, o operador com quem voltaria é o Madeira Tourguide. Não é o mais barato nem o mais caro, mas faz duas coisas que importam: contrata guias locais com certificação oficial (a Madeira exige isso para guias de natureza desde 2021) e mantém os grupos pequenos, no máximo oito pessoas. Em trilhos estreitos junto à levada, a diferença entre andar com seis ou com vinte pessoas é abismal.
- Preço: 59 a 89 euros por pessoa, conforme o tamanho do grupo
- Reservas: madeira-tourguide.com/tour/levada-do-rei
- Telefone: +351 914 500 006
- Email: [email protected]
- Inclui: guia certificado, transfer ida e volta do alojamento, seguro
- Não inclui: almoço (leve do alojamento ou peça uma marmita à pousada)
Como é o trilho, ao certo
São 5,3 km de ida e outros tantos de volta, pelo mesmo caminho. Não é circular, e isso é uma vantagem disfarçada: o regresso parece um trilho diferente porque a luz muda completamente, sobretudo se começar de manhã. O desnível é mínimo, à volta dos cem metros acumulados, e a levada corre a um lado e a parede de rocha do outro, com largura suficiente para caminhar à vontade na maior parte do percurso.
O ponto interessante é que a Levada do Rei atravessa um dos troços mais densos de floresta Laurissilva ainda existentes, classificada como Património Mundial pela UNESCO. Estamos a falar de tis, vinháticos e loureiros centenários, com fetos arbóreos a três metros de altura, em zonas onde o sol mal toca o chão. Há um momento, a meio do trilho, em que o caminho passa por baixo de uma cascata que cai diretamente sobre a levada. Levante o capuz e atravesse depressa, ou aproveite e molhe a cara. Faço sempre a segunda.
O que faz este trilho diferente
Há levadas mais espectaculares em termos de vistas (a do Caldeirão Verde, a Risco) e há trilhos mais radicais. A Levada do Rei joga noutro registo: é uma caminhada de imersão na floresta, não de panoramas. O que se vê é a vegetação a centímetros do rosto, o som da água a correr ao lado durante três horas, e uma humidade que vai embeber a roupa mesmo em pleno verão.
O destino é a Ribeira Bonita, a nascente que alimenta a levada, num pequeno anfiteatro natural com várias quedas de água finas a descer da rocha. Não é uma cascata monumental, é antes um conjunto de fios de água que tornam o lugar tranquilo. É aqui que a maioria dos guias para para almoçar. Se for em grupo pequeno, vai ter o sítio só para si durante quinze ou vinte minutos antes da próxima caminhada chegar.
A melhor parte (e a que pode saltar)
A melhor parte, para mim, é um pequeno túnel a meio do percurso. Tem cinco metros de comprimento e cerca de 1,60 metros de altura, o que significa que toda a gente acima de 1,65 m vai ter de baixar a cabeça. Leve uma lanterna frontal ou use o telemóvel. Não há nada de assustador, mas é desses pormenores que se ficam na memória.
O troço inicial, nos primeiros oitocentos metros, atravessa uma zona de produção agrícola com socalcos (os poios típicos da Madeira) e algumas casas. É bonito, mas não é a parte que justifica o trilho. Se vier com pouco tempo ou crianças pequenas, sugiro deixar a parte agrícola para o regresso, quando já tem o melhor visto.
O que vestir e levar
- Calçado: botas de trekking ou ténis com sola aderente. As lajes de pedra ficam escorregadias junto à cascata e em qualquer dia depois de chuva.
- Roupa: camadas. A floresta Laurissilva está dez graus abaixo da temperatura da costa. Em maio, vesti uma T-shirt e uma camisola de manga comprida e foi suficiente.
- Impermeável leve: indispensável. Não é só por causa da chuva, é porque a humidade da floresta condensa-se e cai dos ramos.
- Água: 1,5 litros chega. Não há pontos de reabastecimento no trilho.
- Lanterna frontal: para o túnel. Sim, é curto, mas é mais agradável com luz.
- Repelente: só em meses de calor, e mesmo assim os mosquitos não são muitos.
Quando ir e quando evitar
A época ideal é entre abril e junho, ou setembro e outubro. Em julho e agosto há mais gente e a luz é mais dura. Em janeiro e fevereiro, depois de chuva forte, a Câmara de São Jorge fecha por vezes o trilho por questões de segurança. Confirme no dia, antes de sair do hotel.
Quanto à hora: marque o pick-up para as oito da manhã. A primeira hora de trilho é em silêncio quase total, com a floresta a acordar. Os grupos da tarde encontram-se quase sempre com outros grupos a meio caminho, e a magia perde-se.
Depois do trilho
Estando alojado em São Vicente, há duas paragens óbvias para o regresso. A primeira é o complexo balnear do Clube Naval, onde se almoça com a vista para o Atlântico. A segunda, se preferir uma tarde mais lenta, é uma volta pelas arquitecturas contemporâneas da vila. Depois de três horas de verde fechado, o contraste da pedra vulcânica e do basalto a céu aberto faz sentido.
Preços e disponibilidade confirmam-se diretamente com o operador. As reservas online costumam abrir com três dias de antecedência, mas em época alta sugiro reservar com uma semana.