O Tarro
Odemira
Na pequena aldeia de Boavista dos Pinheiros, a Tasca O Bernardo serve cozinha alentejana sem filtros: queijo de cabra como entrada obrigatória, carne e enchidos da região, e preços que fazem lembrar que o interior ainda resiste. É o tipo de sítio onde se pergunta o que há e se come o que vier.
Boavista dos Pinheiros não é o tipo de sítio onde se vai parar por acaso. É uma aldeia pequena no concelho de Odemira, a uns quinze minutos de carro da sede do concelho, pelo interior. Não há praias a chamar, não há sinalética turística a apontar o caminho. E é precisamente por isso que a Tasca O Bernardo continua a ser o que é: um sítio onde se come cozinha alentejana de verdade, sem concessões ao gosto do visitante apressado.
Fica na Avenida do Comércio, número 6, que é a rua principal da aldeia. Se vier de Odemira, siga pela N263 em direcção a Boavista dos Pinheiros. Não há como errar: a aldeia é pequena e a tasca está na rua que a atravessa.
Isto é uma tasca, não um restaurante. A distinção importa. Não há carta elaborada, não há sommelier, não há decoração pensada por ninguém. Há mesas, há cadeiras, há comida feita como se faz em casa, e há gente da terra a almoçar ao seu lado. O preço reflecte isso: estamos na categoria mais acessível, e um almoço completo aqui custa uma fracção do que se paga nos restaurantes da costa.
O queijo de cabra é a referência obrigatória. O Alentejo interior, e em particular esta zona entre Odemira e Ourique, tem uma tradição forte de queijo de cabra e de ovelha. Na Tasca O Bernardo, o queijo chega à mesa como entrada, como deve ser: com pão alentejano e azeite. Não salte este passo. Peça o queijo mal se sente e coma-o devagar enquanto decide o resto.
Depois, a carne e os enchidos. É o que se espera de uma tasca alentejana do interior e é o que se faz bem aqui. Estamos longe do mar, e embora o concelho de Odemira tenha a maior costa do país, Boavista dos Pinheiros vive da terra. Os pratos regionais de carne, porco preto, borrego, as migas, os enchidos da região: é nisto que vale a pena apostar. Se estiver no menu, peça. Se não souber o que escolher, pergunte. Numa tasca como esta, perguntar é metade da experiência.
Leve dinheiro. Não confirmo que não aceitem cartão, mas numa tasca de aldeia no interior alentejano, é boa política ter notas no bolso. Se precisar de contactar antes, o telefone é +351 283 386 476. Confirme horários directamente, porque sítios como este nem sempre seguem horários rígidos, especialmente fora da época de maior movimento.
Reservas não são normalmente necessárias durante a semana, mas ao fim-de-semana, quando vem gente de fora, pode valer a pena ligar antes. A tasca não é grande.
Não há código de vestimenta. Vista-se como se fosse a casa de um amigo no campo. Chinelos e fato de banho, não. Mas tudo o resto serve.
A costa vicentina está cheia de restaurantes que sabem receber turistas. Alguns são óptimos, como o O Tarro, também em Odemira. Mas a Tasca O Bernardo oferece uma coisa diferente. É o Alentejo interior, sem filtro. Não há vista para o mar. Não há esplanada com pôr-do-sol. Há comida honesta, preços justos, e o tipo de silêncio que só se encontra nas aldeias que ficaram fora das rotas.
Se está a explorar o concelho de Odemira, e já conhece a cultura dos percebes na costa, o interior é o contraponto perfeito. Dois mundos diferentes, separados por vinte minutos de estrada.
A Tasca O Bernardo não precisa de estar na moda. Precisa apenas de continuar a fazer o que faz. E enquanto fizer, vale cada quilómetro do desvio.