Aveiro

Aveiro organiza-se à volta dos canais da Ria, com fachadas Arte Nova, ovos moles com certificação geográfica e praias a dez minutos do centro. Dois dias bastam para conhecer bem a cidade; três permitem incluir a Costa Nova, as salinas e um passeio de moliceiro.

Aveiro é uma cidade que se entende a pé, em duas ou três horas, mas que pede pelo menos dois dias. Não por ser grande, mas porque o ritmo aqui é outro. Os canais da Ria cortam o centro urbano com uma calma que convida a parar, e a luz que bate na água ao fim da tarde, junto ao Canal de São Roque, é daquelas coisas que não se apressam.

A cidade entre a Ria e o mar

O centro de Aveiro organiza-se à volta dos canais. O Canal Central, ladeado pelos edifícios Arte Nova que dão à cidade a sua identidade visual, é o ponto de partida óbvio. Vale a pena olhar para cima: as fachadas da Rua João Mendonça e da Rua de Coimbra têm detalhes em ferro forjado e azulejo que contam a história da burguesia salineira do início do século XX. O Museu Arte Nova, ali mesmo no antigo edifício da Cooperativa Agrícola, ajuda a contextualizar tudo.

Do outro lado do canal, o Mercado do Peixe funciona todas as manhãs e é onde se percebe que Aveiro ainda vive do mar. Enguias, linguados e robalos chegam frescos da Ria. Quem quiser provar sem cozinhar, o bairro da Beira Mar, a antiga zona dos pescadores, tem tascas onde se come bem sem cerimónia.

Os ovos moles e o resto

Não se sai de Aveiro sem comer ovos moles. É um dos poucos doces portugueses com Indicação Geográfica Protegida, feito com gemas de ovo e açúcar, moldado em formas de conchas e peixes numa massa de hóstia fina. A Confeitaria Peixinho, na Rua de Coimbra, e a Maria da Apresentação da Cruz são referências. Mas os ovos moles também aparecem como recheio de bolos e em licor, vale explorar.

Quando ir e quanto tempo ficar

A primavera é ideal: as praias da Costa Nova e da Barra já têm sol mas ainda não têm multidões, e a Ria está no seu melhor. Dois dias chegam para o centro, os canais e uma ida à Costa Nova com os seus palheiros às riscas. Três dias permitem incluir as salinas de Santiago da Fonte e um passeio de barco moliceiro, turístico, sim, mas a melhor forma de ver a Ria de perto.

Aveiro funciona bem como base para explorar o Centro de Portugal. Coimbra está a 50 minutos de comboio, a Vista Alegre a 15 minutos de carro. E à noite, o centro tem vida suficiente, a Praça do Peixe enche-se de gente, sobretudo quando a Universidade está em aulas.