Museu Rainha D. Leonor (Museu Regional de Beja)
Beja
São 40 metros de granito vertical e uma das torres militares mais altas de Portugal. Suba a pé pela escada de caracol e o Baixo Alentejo abre-se em todas as direções. Eis como visitar o Castelo de Beja sem desilusões.
Há castelos em Portugal que se visitam por obrigação e depois há a Torre de Menagem de Beja, que se visita pelas pernas. São 40 metros de granito vertical, uma das torres militares mais altas do país, e a única forma de chegar ao topo é fazê-lo a pé, degrau a degrau, por uma escada de caracol apertada que não foi pensada para turistas com mochilas grandes. Quando finalmente saímos para a plataforma do topo, o Baixo Alentejo abre-se em todas as direcoes: planície, planície e mais planície, salpicada de oliveiras e searas que mudam de cor conforme a estação. Em dias limpos vê-se longe, muito longe. É a recompensa mais honesta que um monumento pode dar.
O castelo está no ponto mais alto da cidade, no Largo Dr. Lima Faleiro, 7800-302 Beja, no coração do centro histórico. Se vier de carro, esqueça a ideia de estacionar à porta: as ruas à volta são estreitas, medievais e maioritariamente pedonais. Deixe o carro num dos parques junto à muralha ou na zona mais baixa da cidade e suba a pé. É uma caminhada de dez a quinze minutos a partir da maioria dos pontos do centro, sempre a subir, o que faz todo o sentido quando se percebe que esta era a posição defensiva da cidade. A pé pelas ruas caiadas de branco é, aliás, a única forma decente de chegar: vai passar por igrejas, largos e fachadas que justificam por si só o desvio.
Beja é uma cidade que se faz a pé e devagar. Se quer perceber o contexto antes de subir a torre, vale a pena ler primeiro o nosso guia sobre a geometria do silêncio no Baixo Alentejo, que explica porque é que esta cidade tem o ritmo que tem.
A Torre de Menagem é a estrela absoluta, classificada como Monumento Nacional e construída em estilo gótico. Domina a paisagem de tal forma que se vê de quase toda a cidade e de boa parte da estrada que a ela conduz. Lá dentro, os pisos vão-se sucedendo à medida que se sobe, com salas abobadadas e janelas que enquadram a planície como se fossem quadros. Não espere mobiliário de época nem reconstruções cenográficas: o que aqui há é pedra, espaço e luz, e isso basta. A subida não é para quem tem problemas de joelhos ou vertigens, e no verão alentejano convém levar água, porque a escada é fechada e aquece.
A entrada custa pouco, na ordem do €, e no recinto funciona também o posto de turismo, o que é prático: aproveite para confirmar ali mesmo os horários do dia, que variam ao longo do ano e que recomendamos verificar diretamente antes de planear a visita. Pode ligar para o +351 284 311 913 ou consultar o site da Câmara Municipal de Beja. Não confie em horários encontrados em sites de terceiros: confirme.
Subir a torre é meia hora bem passada, mas seria um erro vir a Beja só por isto. O centro histórico está concentrado e faz-se inteiro a pé. Para perceber a cidade na sua melhor versão, o nosso guia sobre o ponto mais alto do Baixo Alentejo traça um percurso que liga o castelo aos largos e às igrejas mais interessantes sem o cansar.
Se vier em manhã de mercado, dê um salto ao mercado municipal antes ou depois da subida: o nosso guia do mercado de Beja diz-lhe exatamente o que comprar, o que provar e o que ignorar. É a melhor forma de juntar a história ao estômago no mesmo passeio.
Beja merece pelo menos uma noite, sobretudo se quiser apanhar a torre com a luz da manhã e voltar a vê-la iluminada à noite. Para dormir dentro do registo da cidade, a Pousada Convento de Beja instalada num antigo convento é a opção de eleição para quem quer continuar dentro do espírito histórico. Para algo mais simples e familiar, a Maria's Guesthouse resolve bem.
E se tiver mais dias e o calor apertar, Beja é uma boa base para esticar até à costa: a Praia da Zambujeira do Mar fica a pouco mais de uma hora de carro e fecha bem uma viagem que começou no topo de uma torre gótica e acabou de pés na areia.
Vale. O Castelo de Beja não tem o cenário fotográfico de outros castelos portugueses mais famosos, mas tem uma das torres mais altas do país e uma vista que, por si só, justifica os degraus. É barato, é honesto e não está cheio de gente. Suba devagar, leve água, confirme os horários antes de ir, e dê-se tempo para ficar lá em cima a olhar para a planície. É para isso que se sobe.