Maria's Guesthouse
Beja
Um convento franciscano do século XIII reconvertido em pousada dentro das muralhas de Beja, com claustro, piscina e quartos sóbrios. É história sem encenação, e a escolha mais lógica para duas noites no Baixo Alentejo, se evitar o pico do verão.
A Pousada Convento de Beja não é um hotel temático com hábitos pendurados nas paredes. É um convento franciscano do século XIII reconvertido com sobriedade, dentro das muralhas da cidade velha, no Largo D. Nuno Álvares Pereira. A entrada é discreta, quase austera. É exatamente isso que se espera de uma ordem que fez voto de pobreza e é exatamente isso que se mantém, com a vantagem de agora haver lençóis decentes e uma piscina no antigo claustro.
Beja é a capital do Baixo Alentejo e está a cerca de duas horas de carro de Lisboa pela A2 e A26. Comboio Intercidades também serve a cidade, com paragem na estação de Beja a uns dez minutos a pé do centro histórico. A pousada está dentro da malha medieval, perto do Castelo e do Museu Rainha D. Leonor, instalado no antigo Convento da Conceição. Se vier de carro, conte com o sistema de ruas estreitas e sentidos únicos típico de qualquer cidade alentejana com muralha. Há estacionamento em redor, mas é mais simples deixar o carro e fazer Beja a pé. A pé, aliás, é como Beja se entende: 20 minutos de uma ponta à outra do centro, no máximo.
Para localizar melhor, vale a pena ler o nosso guia sobre a geometria do silêncio em Beja antes de chegar. A cidade não se faz com pressa.
O convento original é do século XIII, fundado por franciscanos, com as alterações habituais que cinco séculos de uso impõem: claustro, refeitório, igreja, dormitórios. A intervenção que o transformou em pousada manteve a estrutura monástica visível, mas não a fetichizou. Os corredores são compridos e brancos, as celas viraram quartos, e a antiga capela ainda lá está, agora usada para eventos. O claustro abriga uma piscina ao ar livre, o que pode chocar puristas, mas funciona: a água azul contra a pedra clara é uma das melhores cenas que o hotel oferece em julho e agosto, quando Beja chega aos 40 graus sem pedir licença.
Os quartos são confortáveis, com tetos altos e muito branco, no estilo Pousadas de Portugal pós-renovação. Não espere decoração desenhada por estúdio de Lisboa, isto é um hotel de cadeia operado pela Pestana, com tudo o que isso implica em termos de previsibilidade. Peça um quarto virado para o claustro, são mais silenciosos e a vista compensa. Os virados para a rua apanham o sol da manhã e algum ruído da praça.
O restaurante da pousada serve cozinha alentejana adaptada, com pratos como migas, ensopado de borrego, açorda e doçaria conventual. É correto, é caro, e cumpre se chegar tarde de carro e não quiser sair. Mas vou ser franco: em Beja há tascas e restaurantes na malha histórica que servem o mesmo por metade do preço, com mais carácter. Use o restaurante para o pequeno-almoço, que está incluído e é generoso, e jante uma ou duas vezes fora.
O bar do hotel é uma boa opção para um digestivo depois de jantar na cidade, com poltronas, alguma luz baixa e uma carta de vinhos do Alentejo razoável. Peça um Pêra-Manca se estiver na lista e quiser entrar em modo celebração, ou um Cortes de Cima ou Esporão para algo mais contido.
A categoria é €€€. Em época baixa, novembro a março excluindo feriados, encontram-se quartos duplos abaixo dos 150 euros com pequeno-almoço. Em julho e agosto, o preço quase duplica e vale menos a pena, porque o calor de Beja é sério e o programa cultural reduz. Se puder escolher, vá em abril, maio, outubro ou início de novembro. Maio é particularmente bom: as temperaturas são agradáveis e dá para fazer o triângulo com o litoral, como sugerimos no guia Costa Vicentina em Maio.
O perfil do hóspede é misto: casais portugueses em fim de semana, alguns franceses e holandeses em road trip pelo Alentejo, e ocasionalmente grupos de eventos. Não é um hotel para crianças pequenas em quantidade, mas também não as recusa.
Reserve diretamente em pousadas.pt ou pelo telefone +351 284 313 580. As tarifas no site oficial costumam ser equivalentes às das OTAs, e cancela com mais flexibilidade. Aceitam cartão sem problema, não é preciso dinheiro vivo. Não há código de vestuário, mas o restaurante à noite agradece que se evite o calção e a t-shirt da praia. O check-in é a partir das 15h e o check-out às 12h, padrão da cadeia, mas confirme diretamente se chegar fora de horas.
Se viajar com cão, pergunte antes: as pousadas variam na política e esta em particular costuma aceitar mediante taxa, mas não é garantido. Wi-fi funciona, ar condicionado funciona, e há serviço de quartos. O elevador serve a maioria dos pisos, mas há corredores históricos com degraus, por isso se a mobilidade for limitada, peça um quarto no piso de acesso direto.
Beja é uma cidade pequena com mais para ver do que parece. O Castelo, com a Torre de Menagem, está a cinco minutos a pé. O Museu Rainha D. Leonor, no antigo Convento da Conceição, vale a visita só pela igreja barroca. A Sé é discreta mas bonita. Para um almoço fora, suba até o ponto mais alto do Baixo Alentejo e desça para uma das tabernas do centro.
Se ficar mais do que duas noites, faça uma excursão ao litoral. A Praia da Zambujeira do Mar está a cerca de uma hora e meia de carro e é o ponto certo para perceber porque é que o distrito de Beja chega ao Atlântico. Para uma alternativa mais íntima ao próprio convento, considere também a Maria's Guesthouse, que joga noutra liga, mais doméstica e mais barata.
A Pousada Convento de Beja é uma escolha sólida e previsível, no melhor sentido. É história sem encenação, conforto sem luxo desnecessário, e localização imbatível dentro das muralhas. Não é o sítio mais surpreendente do Alentejo, mas é o sítio mais lógico para passar duas noites em Beja se quiser dormir bem, mergulhar no claustro depois de um dia de calor, e sair pela porta do convento direto à cidade. Reserve com tempo nos fins de semana de primavera e outono, são os mais procurados, e fuja do verão se puder.