Hotel Turismo Miranda
Miranda do Douro
Fundado em 1988 por uma família local, o Hotel D. João III é uma base prática e económica para explorar Miranda do Douro, a cidade mais remota e culturalmente surpreendente de Trás-os-Montes. Terraço, jardim e proximidade ao centro histórico fazem o resto.
Miranda do Douro é o tipo de cidade que exige paciência. Fica longe de tudo, a três horas do Porto, no extremo nordeste de Trás-os-Montes, colada à fronteira espanhola e ao desfiladeiro do Douro. Não é sítio de passagem. Quem chega aqui, veio de propósito. E quem fica no Hotel D. João III, no Largo Dom João III, 3, provavelmente já percebeu isso.
Fundado em 1988, este é um hotel familiar com mais de três décadas de funcionamento contínuo. Não é um boutique hotel redesenhado por um arquitecto de Lisboa. Não tem lobby com plantas tropicais nem cocktails de autor. Tem algo mais raro: consistência. A mesma família, o mesmo serviço directo, o mesmo conhecimento da cidade que só vem de quem vive ali há gerações.
O hotel está classificado na categoria económica (€), o que em Miranda do Douro significa quartos limpos, funcionais e sem pretensões desnecessárias. Há Wi-Fi gratuito, um ginásio para quem não dispensa o exercício matinal, e, o melhor, um terraço e jardim onde se pode tomar o pequeno-almoço ou simplesmente respirar o ar seco e limpo do planalto mirandês. O bar é o tipo de sítio onde se bebe um copo de vinho da região ao fim do dia sem cerimónias.
Se procura algo com mais estrelas na mesma cidade, vale a pena comparar com o Hotel Turismo Miranda ou o Hotel Mirafresno. Mas para quem quer uma base prática e honesta sem rebentar o orçamento, o D. João III cumpre.
O Largo Dom João III fica a curta distância do centro histórico de Miranda do Douro, a Sé Catedral, o Museu da Terra de Miranda e as ruelas onde ainda se ouve falar mirandês estão a poucos minutos a pé. Esta proximidade faz toda a diferença: pode deixar o carro e explorar a cidade velha sem stress.
Para chegar a Miranda do Douro, o caminho mais comum é pela A4 até Bragança e depois pela EN218 ou pela IC5. Não há comboio, não há autocarro frequente. Carro é praticamente obrigatório. Se vem de Espanha, a passagem por Zamora é directa. Reserve tempo, as estradas de Trás-os-Montes são bonitas mas sinuosas.
Miranda do Douro não é uma cidade grande, mas tem peso cultural desproporcional ao seu tamanho. A identidade mirandesa e a dança dos Pauliteiros são razões suficientes para a visita, este é o único lugar em Portugal onde se fala oficialmente uma segunda língua, o mirandês, e os Pauliteiros são uma tradição de dança masculina com bastões que remonta a séculos.
Depois há a comida. Se nunca comeu posta mirandesa no seu território de origem, Miranda é o lugar para o fazer. Vitela de raça mirandesa, grelhada em brasa de carvalho, cortada grossa e servida sem molhos, o nosso guia sobre a posta mirandesa explica porquê. Peça aos donos do hotel que recomendem o restaurante do momento. Gente de cá sabe sempre onde se come melhor naquela semana.
Para quem gosta de natureza, os cruzeiros no Douro Internacional, o troço do rio que faz fronteira com Espanha, partem de Miranda e mostram falésias verticais onde nidificam abutres e águias. Confirme directamente os horários, que variam com a estação.
O D. João III não vai aparecer em revistas de design. Não tem Instagram com milhares de seguidores. É um hotel de família numa cidade de fronteira que faz o que faz há mais de 35 anos. Para quem viaja para conhecer o Portugal profundo, o que fica longe da costa e dos circuitos turísticos habituais, é exactamente o tipo de base que faz sentido.