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Praia Fluvial de Segirei

Uma curva do Rio Mente, água fria mesmo em agosto e uma ponte medieval como pano de fundo. A Praia Fluvial de Segirei, em Chaves, é Trás-os-Montes no seu melhor, sem multidões, sem complicações, com bar e restaurante a preços que já quase esquecemos que existiam.

Praia Fluvial de Segirei

Um rio que ainda corre livre, uma ponte que já viu séculos

Há uma estrada estreita que sai de Chaves em direção a São Vicente, e que a certa altura nos faz duvidar se o GPS não enlouqueceu. A paisagem muda depressa: saímos do vale largo do Tâmega e entramos no território mais fechado do Rio Mente, onde o Parque Natural de Montesinho começa a impor as suas regras. Menos gente, mais carvalhos, e aquele silêncio específico do interior transmontano que não é ausência de som, é presença de tudo o resto.

A Praia Fluvial de Segirei aparece quase sem aviso. Estacionamos (há parque próprio, o que nesta zona do país já é luxo), descemos uns metros e ali está: uma curva do Rio Mente com água limpa, fria mesmo em agosto, e uma ponte medieval a enquadrar tudo como se alguém tivesse contratado um cenógrafo. Ninguém contratou. É Trás-os-Montes a ser Trás-os-Montes.

O que encontramos, concretamente

A praia está em Segirei, São Vicente, 5400 Chaves. Não é uma operação sofisticada, e é isso que lhe dá o carácter. Há bar, restaurante e instalações sanitárias, o essencial para passar um dia inteiro sem precisar de voltar ao carro. O preço de tudo aqui é acessível, daquele tipo que nos faz lembrar que Portugal não é só Lisboa e Algarve.

A água do Mente não é para quem quer temperatura de piscina aquecida. É um rio de montanha, e mesmo no pico do verão entra-se com aquele arrepio inicial que depois se transforma em vício. As crianças adaptam-se em cinco minutos; os adultos precisam de dez e de alguma teimosia. Vale a pena.

A ponte medieval e o contexto

A ponte que se avista da praia é, para muitos, a verdadeira razão da visita. Não é tão famosa como a ponte romana de Chaves, essa que dá mote ao nosso guia da Ponte Romana aos Trilhos da Raia Transmontana, mas tem uma escala mais íntima, mais fotogénica à sua maneira. Quem gosta de fotografia de paisagem, venha ao final da tarde. A luz rasante a bater na pedra e na água faz o trabalho todo.

O facto de estarmos dentro dos limites do Parque Natural de Montesinho não é um detalhe menor. Este é um dos parques naturais menos visitados de Portugal, o que significa biodiversidade a sério e uma probabilidade real de ver aves de rapina, lontras (sim, o Mente tem lontras) e, se tivermos sorte e paciência, vestígios de lobo-ibérico na zona envolvente.

Como chegar e dicas práticas

A partir do centro de Chaves, são cerca de 20 minutos de carro até Segirei. Não há transportes públicos dignos desse nome para aqui, por isso carro é praticamente obrigatório. A estrada é boa, mas estreita em alguns troços, se vier de autocaravana, confirme as dimensões antes de se meter em aventuras.

Não encontrámos informação fiável sobre horários de funcionamento do bar e restaurante, por isso confirme diretamente antes de ir, especialmente fora dos meses de verão (junho a setembro). De qualquer forma, leve sempre água e uns lanches. Em Trás-os-Montes, a autossuficiência é uma virtude.

Não há necessidade de reservas. Não há código de vestuário. Há necessidade de protetor solar e de um par de sapatos que possam molhar-se, as pedras do rio são escorregadias.

O que fazer antes e depois

Segirei funciona bem como paragem num dia dedicado aos trilhos entre a raia e o rio. Combine a praia fluvial com uma caminhada matinal e um almoço no restaurante local, pense em grelhados, enchidos transmontanos e posta à barrosã se estiver disponível. São pratos que pertencem a esta paisagem.

De volta a Chaves, as águas termais são o contraponto perfeito: depois de um dia de rio frio, um mergulho em água quente termal é quase medicinal. E se precisar de alojamento com qualidade no centro, o Castelo Hotel resolve o assunto.

A Praia Fluvial de Segirei não precisa de adjectivos exagerados. É um sítio bonito, limpo, acessível, num rio que ainda corre como deve correr, sem barragens a montante, sem multidões a jusante. Em Portugal, isso está a tornar-se raro. Vá enquanto ainda é assim.

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