Rustic House Fundão
Fundão
T1 de 60 m² em frente ao Cineteatro do Fundão, com varanda virada para a serra da Gardunha. Reserva-se pelo telefone, paga-se um preço justo, e a vista ao fim da tarde compensa a estadia.
Há uma diferença prática entre dormir num hotel no Fundão e dormir num apartamento no Fundão, e a diferença chama-se varanda. No Gardunha Apartments, na Rua Jornal do Fundão 26, a varanda dá para a serra da Gardunha, e isso muda a forma como se programa o dia. Acorda-se, abre-se a porta, vê-se que tipo de luz está a cair sobre a encosta, e decide-se se é dia de subir à serra ou de ficar pela cidade a beber café. Esta é a vantagem real de um T1 de 60 m² totalmente equipado: o ritmo é seu, não do pequeno-almoço de hotel que fecha às dez.
O apartamento fica em frente ao Cineteatro do Fundão, o que é uma localização que vale a pena explicar. Estamos no centro funcional da cidade, não na periferia turística. A Rua Jornal do Fundão é uma daquelas ruas onde se atravessa entre o comércio do dia a dia e a vida cultural, e isso significa que, em cinco minutos a pé, está num café com pão fresco de manhã, num talho com produto da região, ou numa farmácia se a serra lhe pregar uma partida nos joelhos. Os "serviços essenciais à distância de uma curta caminhada" que aparecem na descrição não são marketing: é literal. Não vai precisar do carro para o pequeno-almoço.
Para chegar, o mais simples é vir de carro: A23 a partir de Lisboa (cerca de 2h45) ou de Castelo Branco (20 minutos). Há comboio Intercidades Lisboa-Covilhã com paragem na estação do Fundão, e a estação fica a uns 15 minutos a pé do apartamento, descendo. Com mala de rodinhas, é fazível. Com mala grande e calçada portuguesa, peça um táxi: são poucos euros e poupa-lhe os tornozelos.
Sessenta metros quadrados, totalmente equipado. Traduzindo: cozinha funcional para fazer um jantar simples (e isto interessa, porque o supermercado fica perto e os produtos da região, do queijo da serra às cerejas em época, justificam a ida ao mercado), quarto, sala, casa de banho. Não é design de revista, é uma casa de habitação adaptada a alojamento, que é precisamente o que se quer quando se passam três ou quatro dias na zona. A varanda é o argumento central. Use-a ao final da tarde, com uma garrafa de vinho do Dão, e perceba porque é que as pessoas voltam ao Fundão fora da época das cerejeiras.
Categoria de preço: €€. Para um T1 com varanda e vista de serra no centro, é justo. Não espere o luxo de uma casa rural restaurada como a Rustic House, espere algo prático, limpo e bem localizado, que é uma proposta diferente e igualmente válida.
O Gardunha Apartments não tem o típico site de reservas com calendário interativo. A presença online é via Facebook (procure GardunhaAL) e o contacto direto é o telefone: +351 966 567 063. Isto não é um defeito, é o modo como muitos pequenos alojamentos da Beira Interior funcionam: liga-se, fala-se com a pessoa, confirma-se a disponibilidade, combina-se a entrega de chaves. Recomendo ligar em vez de mandar mensagem por Facebook, sobretudo se for em época alta (Festa da Cereja em junho, semanas das cerejeiras em flor entre março e abril).
Outro detalhe prático: confirme diretamente os horários de check-in e check-out, porque não estão publicados online. Se chegar de comboio ao final da tarde, avise. Se quiser sair de manhã cedo para ir até apanhar a luz dourada do Fundão entre as duas serras, peça flexibilidade no check-out: estes proprietários costumam ser razoáveis.
O Fundão tem duas épocas de pico óbvias e várias subestimadas. A flor das cerejeiras, entre meados de março e início de abril, transforma a paisagem em algo que é preciso ver pelo menos uma vez (e o nosso guia para ver as cerejeiras em flor ajuda a planear o roteiro pelas freguesias certas). A Festa da Cereja, em junho, é o auge gastronómico e cultural. Mas, sinceramente, a melhor altura para ficar no Gardunha Apartments é setembro e outubro: tempo seco, montanha caminhável, vinhos novos, preços civilizados, e a varanda dá-lhe o pôr-do-sol todos os dias sem ter de procurar.
Inverno também tem o seu charme. A Serra da Estrela fica a meia hora, e ficar num apartamento aquecido com cozinha própria, depois de um dia na neve, é melhor do que qualquer hotel. Confirme com o anfitrião se há aquecimento adequado: a Beira Interior fica fria a sério em janeiro.
Café e pão na padaria do bairro, depois caminhada pela cidade. O Convento de Nossa Senhora do Seixo e o miradouro da Serra da Gardunha valem o desvio. Se quiser fazer trilho a sério, suba a Gardunha pela rota das Portas do Caldeirão.
Almoço numa tasca local (o cabrito é a aposta segura na zona), descanso na varanda, e à tarde uma escapada às aldeias: Alpedrinha, Castelo Novo, ou Castelo Branco se quiser cidade. O nosso guia de 24 horas no Fundão tem um itinerário pronto para quem só tem um dia.
O Cineteatro mesmo em frente é o ponto óbvio se houver programação. Para um copo, o Zona L Bar é o local certo para perceber como é a noite local sem teatro de turismo. E depois, regresso a pé: estamos no centro, é literalmente a vinte metros.
Gardunha Apartments não é um boutique-hotel, e isso é a sua maior virtude. É um apartamento bem equipado, com varanda e vista de serra, num ponto central do Fundão, gerido por proprietários contactáveis pelo telefone. Para quem quer base de operações para explorar a Beira Interior em três a sete dias, é mais inteligente do que um hotel: paga-se menos, vive-se mais como local, e a varanda paga sozinha o preço da estadia. Reserve por telefone, leve uma garrafa para a primeira noite, e não tente fazer tudo: o Fundão recompensa o ritmo lento.