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Fundão
Fundão fica a mais de 150 quilómetros do mar, por isso esqueça o marisco fresco em Setembro. Em troca, há truta de rio pescada na Serra da Estrela, uma barragem dourada ao pôr do sol e tabernas onde o queijo Amarelo aparece sem pedir. É essa a troca que vale a pena fazer este mês.
Toda a gente aponta ao Algarve em agosto e paga o triplo por isso. O movimento esperto é o interior: as praias fluviais do Fundão têm água fria de montanha, sombra de plátano e um pôr do sol de veleiro na Barragem da Marateca que a costa nunca cumpre.
Em junho, o Fundão cheira a cereja: 80% da produção nacional vem destas encostas da Gardunha. Um guia prático para perceber a Saco da Burlat, comer bem, dormir descansado, e não falhar a Festa da Cereja.
Três dias de festa em Junho, cerejas a €5/kg directamente do produtor, e uma rota de aldeias na encosta da Gardunha que mudam de feição em quinze dias. Um guia honesto à Festa da Cereja do Fundão e à Cova da Beira, sem clichés rurais.
O Fundão é a capital da cereja em Portugal, e isso não é força de expressão. Entre março e abril, as encostas da Serra da Gardunha cobrem-se de cerejeiras em flor, milhares delas, num espetáculo que dura pouco mais de dez dias. Em junho, a Festa da Cereja em Alcongosta celebra a colheita com pratos que vão de gambas flamejadas com cereja a tigelada de cereja. Se a fruta é o cartão de visita, o território é a razão para ficar.
O concelho do Fundão ocupa um corredor entre a Serra da Gardunha e o rio Zêzere, com a Serra da Estrela como pano de fundo a norte. É uma posição geográfica que explica a diversidade: de um lado, aldeias de granito trepadas na montanha; do outro, aldeias de xisto junto ao rio, com ruas estreitas e fachadas pontuadas de seixos brancos apanhados no leito do Zêzere.
Castelo Novo, uma das doze Aldeias Históricas de Portugal, fica na encosta da Gardunha e merece pelo menos uma manhã inteira. As casas de granito, o pelourinho manuelino, a fonte da Bica e os restos do castelo no topo compõem um conjunto que se percorre a pé em silêncio, aqui não há multidões. Janeiro de Cima, aldeia do Xisto à beira do Zêzere, tem outro ritmo: linho, tecelagem artesanal e um núcleo antigo com estrutura medieval que se descobre aos poucos, entre quelhos e pátios.
A cozinha do Fundão segue a lógica beirã: cabrito grelhado, bacalhau, enchidos e queijos da região. O restaurante As Tílias, junto ao Jardim das Tílias, trabalha receitas tradicionais com produtos da época. A cereja aparece em tudo, de acompanhamentos a sobremesas, mas o azeite, o mel e os cogumelos da Gardunha são igualmente bons motivos para sentar à mesa.
Março-abril para as cerejeiras em flor. Junho para a Festa da Cereja. Setembro-outubro para cogumelos e vindimas. Dois dias chegam para o essencial, a cidade, Castelo Novo e uma aldeia do Xisto, mas três permitem subir à Gardunha com calma e explorar os miradouros da Pedra d'Hera. O Fundão funciona bem como base para quem quer conhecer o interior sem depender de roteiros turísticos saturados.