Monchique em Maio: Feiras de Serra e Mercados com Sabor
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Monchique em Maio: Feiras de Serra e Mercados com Sabor

· · Monchique

Em Maio, os mercados de Monchique cheiram a mel de urze e medronho. O mercado mensal acontece na segunda sexta-feira do mês, no Largo do Mercado, das 8h às 14h, e o bolo de tacho sozinho justifica a subida à serra.

Há uma coisa que as feiras de serra fazem melhor do que qualquer mercado de costa: obrigam-nos a acordar cedo, a subir estrada acima entre eucaliptos e sobreiros, e a chegar a um largo de aldeia onde já está toda a gente que interessa. Em Monchique, isto é literal. Enquanto o litoral algarvio enche de toalhas e protector solar, a serra acorda com bancas de mel escuro, garrafões de medronho e enchidos pendurados como enfeites de Natal, só que com gordura de porco preto a brilhar ao sol da manhã.

Maio é, na minha opinião, o melhor mês para visitar os mercados de Monchique. A chuva já passou, o calor ainda não chegou com força, e os produtos de primavera, ervas aromáticas, queijinhos frescos, compotas de frutos da serra, estão no seu auge. É também o mês em que a vila respira sem a ansiedade do verão. Os produtores ainda têm tempo para conversar, para explicar como se faz o bolo de tacho, para dar a provar um copinho de medronho sem pressa.

O Mercado Mensal: Segunda Sexta-feira de Cada Mês

O mercado mensal de Monchique acontece na segunda sexta-feira de cada mês, no Largo do Mercado, e funciona das 8h às 14h. Em Maio, isso significa dia 8. Marque na agenda e chegue cedo, às 10h já se vendeu o melhor.

Não espere um mercado gourmet com toldos instagramáveis. Isto é um mercado de levante, com raízes nos mercados ciganos que percorrem o Algarve há décadas. As bancas são montadas de manhã cedo, e o que se vende é uma mistura de tudo: roupa, utensílios domésticos, sapatos, mas sobretudo produtos alimentares da região. Frutas e legumes de quinta, grãos, ervas secas, mel de urze (mais escuro e intenso do que o mel de rosmaninho da planície), e às vezes enchidos caseiros de porco preto.

O meu conselho: vá directamente às bancas de mel e medronho. O mel de Monchique, produzido na serra entre medronheiros e estevas, tem um perfil de sabor completamente diferente do que se compra em qualquer supermercado. Quanto ao medronho, prove antes de comprar, há variações enormes entre produtores. Um bom medronho é suave, frutado, sem aquele travo a álcool barato que arruína muitas garrafas.

O Mercado de Domingo: Junto à Igreja

Todos os domingos de manhã, junto à igreja com o portal manuelino no centro de Monchique, monta-se um pequeno mercado de produtos frescos. É mais modesto do que o mercado mensal, mas é exactamente por isso que vale a pena. Aqui são os produtores locais mesmo, gente que desceu das quintas de Alferce ou Marmelete com o que colheu na véspera.

Nos restantes dias da semana, existe um mercado de peixe e produtos frescos perto dos Correios. Não é espectacular em tamanho, mas o peixe sobe da costa todas as manhãs e chega razoavelmente fresco para uma vila de montanha.

Depois de percorrer as bancas ao domingo, faça o que fazem os locais: vá comer qualquer coisa. O Snack Bar Retiro da Bola é o tipo de sítio que nunca apareceria num guia turístico polido, e é exactamente por isso que funciona. Comida simples, preços honestos, ambiente de quem vem ali há anos.

Largo dos Chorões: O Mercado de Velharias

No quarto domingo de cada mês, o Largo dos Chorões transforma-se num mercado de velharias e produtos agrícolas. Em Maio, cai a dia 24. Este é talvez o mais interessante para quem gosta de encontrar coisas inesperadas: loiça antiga, ferramentas de lavoura, peças de cortiça trabalhada, e sempre uma boa dose de tralha encantadora que não sabemos se queremos mas acabamos por comprar.

O Largo dos Chorões fica a poucos minutos a pé do centro da vila, e à volta há cafés onde se pode sentar com uma bica e um pastel de nata enquanto se decide se aquela bilha de barro vale mesmo os cinco euros que o senhor pede.

O Que Comprar em Maio: Guia Prático

  • Mel de urze e de esteva, Monchique produz alguns dos melhores méis do Algarve. Um frasco de meio quilo custa geralmente entre 5€ e 10€, dependendo do produtor.
  • Medronho, A aguardente de medronho é o destilado mais característico da serra algarvia. Garrafas de produção caseira variam muito em preço, mas conte com 10€-20€ por litro. Prove sempre primeiro.
  • Enchidos de porco preto, Chouriço, morcela, farinheira. Os enchidos de Monchique beneficiam do porco preto criado na serra, alimentado a lande e medronho. A Feira dos Enchidos é em Março, mas nos mercados de Maio ainda se encontram bons exemplares.
  • Bolo de tacho, Um bolo húmido, denso, feito com ingredientes simples da serra. Não é bonito, não fotografa bem, mas sabe a casa de avó.
  • Ervas aromáticas secas, Orégãos, tomilho, poejo. Molhinhos atados à mão, colhidos na serra, por um ou dois euros.

Além dos Mercados: O Que Fazer com o Resto do Dia

Uma viagem a Monchique em Maio não se esgota nos mercados. A serra oferece caminhadas espectaculares, o Fóia, o ponto mais alto do Algarve com 902 metros, tem vistas que num dia limpo chegam até ao cabo de São Vicente. A estrada até lá, cheia de curvas entre eucaliptos, é bonita por si só.

Se quiser complementar a experiência serrana com algo mais activo, considere uma aula de culinária em Alferce onde se aprende a amassar pão à moda antiga. Alferce é uma das aldeias mais tranquilas do concelho de Monchique, e meter as mãos na massa, literalmente, depois de uma manhã de mercado é a combinação perfeita.

Para quem prefere o mar, Monchique fica a meia hora da costa ocidental. A Praia da Arrifana, com as suas aulas de surf e ondas consistentes, é uma excursão de tarde que funciona perfeitamente como contraste com a manhã de serra.

Monchique no Contexto do Algarve

Monchique é o anti-Algarve. Enquanto a costa sul vive de praia e resort, a serra vive de cortiça, medronho e porco preto. E isso reflecte-se nos mercados: aqui não se vendem souvenirs de galos de Barcelos nem ímanes de frigorífico. Vendem-se coisas que as pessoas realmente comem e usam.

Se esta é a sua primeira visita ao interior algarvio, vale a pena conhecer também as tradições e vivências do Algarve autêntico em Faro para ter uma perspectiva mais completa da região. E se depois quiser explorar a costa, o guia de bairros de Lagos é um bom ponto de partida para perceber o que há para lá das praias óbvias.

Informações Práticas

Como chegar: Monchique fica a cerca de 25 km de Portimão pela N266. De carro, são 30-40 minutos desde a costa. Há autocarros da Vamus Algarve desde Portimão, mas os horários são limitados, confirme localmente. Para os mercados, carro é quase indispensável.

Estacionamento: Nos dias de mercado mensal, o Largo do Mercado e arredores enchem rapidamente. Chegue antes das 9h para estacionar sem stress, ou estacione mais abaixo na vila e suba a pé, são cinco minutos.

Dica final: Maio em Monchique é também o mês em que as cistus (estevas) florescem na serra, cobrindo as encostas de branco e rosa. Se vier num dia de sol, a combinação de cores com o verde dos sobreiros é qualquer coisa. Traga a máquina fotográfica, mas sobretudo traga um saco grande, vai querer levar para casa mais do que aquilo que planeou.

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