Volta a Faial de Horta: Caldeira e Capelinhos num Dia
Experiência

Volta a Faial de Horta: Caldeira e Capelinhos num Dia

Horta · 8h · moderate

Oito horas com a Tripix Azores para juntar a Caldeira e o vulcão dos Capelinhos num só dia. O melhor momento é caminhar sobre a areia preta que não existia antes da erupção de 1957. Almoço, museus e seguro incluídos, a partir de 145,57€.

Um dia inteiro para perceber porque é que Faial não é só a marina

Quem chega à Horta de barco ou de avião costuma ficar agarrado à marina: as pinturas dos navegadores no paredão, o gin tónico no Peter Café Sport, o vaivém das tripulações. É bonito, e dá para perder um dia inteiro sem sair dali. Mas seria um erro. A ilha é pequena, dá para a rodear em poucas horas, e o que está do outro lado, a Caldeira no centro e o vulcão dos Capelinhos a oeste, é tão diferente da Horta cosmopolita que parece outro sítio.

A maneira mais fácil de juntar tudo num só dia é o tour de dia inteiro da Tripix Azores. São oito horas, grupos pequenos (no máximo oito pessoas por guia), e a vantagem é simples: não conduz, não estaciona, e tem alguém ao lado que sabe quando a Caldeira está limpa de nuvens e quando não vale a pena subir.

Como funciona o passeio

O ponto alto da manhã é a Caldeira do Faial, a cratera do vulcão central. Tem cerca de dois quilómetros de diâmetro e quinhentos metros de profundidade, coberta de vegetação verde-fluorescente lá no fundo. A subida desde a Horta faz-se em vinte e poucos minutos de carro. No topo há um túnel pedonal curto que atravessa a parede da cratera e desemboca no miradouro. O efeito é teatral: entra-se num túnel escuro e sai-se de frente para um anfiteatro natural gigante.

Aqui está o detalhe que faz a diferença. A Caldeira tem um trilho que dá a volta ao perímetro, cerca de oito quilómetros, e o tour pode incluir essa caminhada, que demora à volta de três horas. Se está com disposição, faça-a. As nuvens entram e saem da cratera durante a caminhada e a paisagem muda de minuto a minuto. Se preferir só o miradouro, diga ao guia. Vale a pena confirmar diretamente com o operador qual a versão do dia, porque depende do tempo e do grupo.

Depois desce-se para a costa norte e para a Praia do Norte, antes de chegar ao prato forte do dia: os Capelinhos.

Capelinhos: a parte que ninguém esquece

O vulcão dos Capelinhos entrou em erupção entre 1957 e 1958 e foi a última erupção das ilhas dos Açores. O que se vê hoje é uma paisagem cor de cinza, quase lunar, com um farol meio enterrado em areia vulcânica. A erupção alargou a ilha e deixou tudo soterrado: o farol que antes ficava à beira-mar ficou de repente longe da água, rodeado de terra nova.

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos está construído debaixo do chão, para não estragar a vista, e conta a história da erupção e da emigração açoriana para os Estados Unidos que se seguiu (muita gente saiu de Faial depois de perder tudo). A entrada nos museus está incluída no tour. Se as pernas aguentarem, suba ao farol: a vista de cima sobre o campo de cinzas e o mar é a melhor fotografia do dia.

O melhor momento, na minha opinião, não é o farol nem o miradouro. É caminhar sobre a areia escura dos Capelinhos com o vento atlântico de frente, a perceber que o chão onde está a pisar não existia antes de 1957. Poucos sítios na Europa deixam pisar terra tão nova.

O que está incluído e quanto custa

O tour de dia inteiro da Tripix Azores inclui guia e transporte, almoço em restaurante, entradas nos museus e seguro de acidentes pessoais. Os bilhetes de ferry, caso venha de outra ilha, não estão incluídos. Preços por pessoa, à data desta publicação:

  • Adultos em grupo de 5 a 8 pessoas: 145,57€
  • Adultos em grupo de 2 a 4 pessoas: 150,96€
  • Crianças (3 a 11 anos): 120,77€
  • Viajante sozinho: 301,92€

A reserva faz-se online através do FareHarbor, no site da Tripix Azores (tripixazores.com). Há recolha em algumas localidades por um valor adicional. Política de cancelamento: reembolso total até 30 dias antes, sem reembolso dentro das 48 horas. Contactos: +351 963 778 109, [email protected]. Confirme sempre o preço e o itinerário do dia diretamente com o operador antes de reservar.

Conselhos práticos

  • Roupa: vista por camadas. A Caldeira pode estar fria e com nevoeiro mesmo quando a Horta está ao sol, e os Capelinhos apanham vento quase sempre. Casaco impermeável é obrigatório.
  • Calçado: ténis ou botas de caminhada se for fazer o trilho do perímetro. Os Capelinhos têm areia solta, nada de chinelos.
  • Levar: garrafa de água reutilizável, protetor solar e a máquina fotográfica com bateria carregada.
  • Quando reservar: com antecedência no verão, porque os grupos são pequenos e enchem depressa. Fora de época há mais flexibilidade.
  • Tempo: se a manhã estiver de nevoeiro fechado na Caldeira, não desespere. O tempo em Faial muda em minutos e o guia ajusta a ordem das paragens.

Antes ou depois do tour

Se ainda tiver energia ao fim do dia, a Horta tem onde recompensar o esforço. Para perceber a relação da ilha com o mar e com a caça à baleia, vale a pena a Fábrica da Baleia do Porto Pim e o Museu da Horta, com a famosa coleção de miolo de figueira. Ao final da tarde, os melhores rooftops da Horta são o sítio certo para ver o Pico do outro lado do canal. E se ficar mais do que um dia, o nosso guia de Horta em 24 horas ajuda a encaixar o resto.

Um tour de ilha inteira nem sempre é a minha primeira escolha, costumo preferir explorar por conta própria. Mas em Faial faz sentido: a Caldeira e os Capelinhos ficam em pontas opostas, o tempo muda depressa, e ter um guia que sabe ler o nevoeiro poupa-lhe a frustração de subir à cratera para ver uma parede de nuvens. Por isso, neste caso, deixe alguém conduzir.

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