Cavalos Garrano em Arcos de Valdevez: Caminhada na Peneda
Experiência

Cavalos Garrano em Arcos de Valdevez: Caminhada na Peneda

Arcos de Valdevez · 7h · moderate

Caminhada guiada de 7,6 km com a Portugal Green Walks, partindo de Arcos de Valdevez para a aldeia de Lombadinha. Cavalos garrano em pasto livre, fojos do lobo genuínos e piquenique incluído. A partir de 175€ por pessoa em grupos de seis ou mais.

Os garranos não são animais de fotografia turística. São cavalos pequenos, de crina pesada, que vivem em manada por aqueles cumes da Peneda como vivem há milénios, indiferentes a quem ali passa. Ver um grupo de garranos a pastar nas encostas acima de Lombadinha, com o vento a entrar pelo vale do Vez, é uma daquelas coisas que só acontece se a pessoa se mexer até onde eles estão. E é exatamente isso que esta caminhada faz.

A Portugal Green Walks, sediada em Ponte de Lima, opera uma caminhada guiada chamada Peneda-Gerês Mountain Village and Wolf Trap Hiking Trail com encontro em Arcos de Valdevez. Não é a opção mais barata da região, mas é das poucas que combina, no mesmo dia, garranos, fojos do lobo, vacas cachenas e uma aldeia de pastoreio comunitário ainda funcional. Para quem quer ver os cavalos sem alugar carro nem decifrar trilhos por conta própria, faz sentido.

O que é exatamente esta experiência

O encontro é às 9h da manhã em Arcos de Valdevez. O guia faz a transferência de cerca de 30 minutos até Lombadinha, uma aldeia nas faldas da Serra do Soajo onde o pastoreio em vezeira ainda se pratica. Daí parte a caminhada propriamente dita: 7,6 km de Lombadinha até Bustelinhos, com uns 345 metros de subida acumulada e 229 de descida. São cerca de três horas a andar, mais paragens, mais o piquenique com produtos locais incluídos no preço.

O dia inteiro dura sete horas, do encontro ao regresso a Arcos. O preço varia conforme o grupo: 285€ por pessoa em grupos de duas a três pessoas, 220€ entre quatro e cinco, e 175€ a partir de seis. Inclui guia em inglês, transporte ida e volta, almoço-piquenique com bebidas e a entrada na Porta do Mezio. Se forem dois, vale a pena tentar juntar-se a outro grupo para baixar o preço.

Onde aparecem os cavalos

O troço entre as duas aldeias atravessa pastos abertos onde os garranos andam livres, em manadas pequenas, geralmente com um macho dominante. Não há horário, não há cerca, não há garantia. Mas as probabilidades são altas: estes cavalos passam o ano nestas encostas e o trilho corta exatamente o tipo de pasto que eles procuram. Convém saber duas coisas. A primeira é que não se aproximam de pessoas. Vão deixar tirar fotografias a 30 ou 40 metros, mas se a pessoa avança a pé, eles afastam-se. A segunda é que, se houver crias, os adultos ficam tensos. Lobo ainda existe na zona, e o instinto deles está afinado para isso.

O melhor momento para os ver é meio da manhã, quando ainda estão a pastar nas zonas mais expostas. Ao meio-dia recolhem-se à sombra das carvalhiças. Por isso o trilho começa cedo, faz a parte boa antes do almoço e desce já com o calor instalado.

Os fojos do lobo são a surpresa

O nome da caminhada inclui wolf trap e isto não é um adereço para turistas. Entre Lombadinha e Bustelinhos há fojos genuínos, estruturas de pedra em forma de funil que os pastores usavam para encurralar lobos vivos, sem armadilha mecânica, apenas usando a topografia. A maioria está ruinosa, mas reconhecem-se. Para mim, foi o momento mais inesperado do dia: percebe-se ali, sem placa nem encenação, o que era viver naquelas serras quando o lobo era um problema económico real e não uma figura de conservação.

Pormenores práticos: o que levar

  • Botas de caminhada com bom piso. O trilho tem pedra solta, lajes de granito e troços de terra batida. Sapatilhas de corrida não chegam.
  • Chapéu, óculos de sol e protetor solar. A maior parte do trajeto não tem sombra. Em julho e agosto isto é decisivo.
  • Casaco corta-vento mesmo em verão. A altitude ronda os 800 metros e o vento da Peneda muda em cinco minutos.
  • Um litro e meio de água por pessoa. O guia leva extra, mas mais vale sobrar.
  • Binóculos compactos se tiver. Para os garranos faz toda a diferença.
  • Máquina com zoom decente. O telemóvel não chega a 30 metros.

Quando ir e como reservar

O trilho está aberto todo o ano. Maio e junho são os meses certos: os pastos estão verdes, há crias jovens a acompanhar as manadas, e a temperatura ainda permite andar ao sol. Setembro e outubro também funcionam bem, com a vantagem da luz baixa. Em janeiro e fevereiro pode haver gelo nos troços altos e o guia decide na hora se altera o percurso. Agosto está jogável mas é quente e os cavalos andam mais escondidos.

A reserva faz-se pelo formulário no site da Portugal Green Walks ou diretamente por email para [email protected]. A morada da empresa é Trav. Dr. Manuel Pereira de Melo, 34, 4990-115 Ponte de Lima. Mínimo de duas pessoas para confirmar saída. Os preços e condições devem ser confirmados diretamente com o operador antes de marcar deslocações.

Combinar com o resto da zona

Arcos de Valdevez merece pelo menos uma noite, e se vai fazer a caminhada faz sentido ficar mais tempo. No dia seguinte vale a pena subir a Sistelo para caminhar pelos socalcos, que é outro tipo de paisagem completamente, mas igualmente impressionante. Para quem se interessa pelo património rural, o circuito dos espigueiros e pontes medievais ocupa uma manhã com facilidade, e o roteiro das igrejas românicas é uma excelente opção de tarde chuvosa.

Se a viagem é com orçamento mais apertado, há também alternativas grátis no guia de Arcos de Valdevez barato, com praias fluviais e trilhos pedonais que cruzam algumas das mesmas paisagens. À noite, o Retro Bar Galerias é o sítio onde a vila se junta para uma cerveja antes de jantar. E ao jantar, qualquer tasca decente da vila tem cabrito da serra: foi nestas mesmas encostas que pastou.

Vale a pena?

Vale, com uma condição: a pessoa tem de aceitar que pode não ver garranos. As probabilidades são boas, mas a serra é grande e a manada decide. O que se vê de certeza é a paisagem, os fojos, a aldeia de Lombadinha com os pastores ainda activos, e perceber, num só dia, como funciona o sistema de pastoreio comunitário que mantém os garranos vivos. Os cavalos são o prémio. O resto é a razão de andar lá.

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