Aula de Cerâmica em Mafra: Gaëlle em Ribamar
Experiência

Aula de Cerâmica em Mafra: Gaëlle em Ribamar

Mafra · 2h30 · easy

A Gaëlle Ceramica funciona numa cave em frente à igreja de Ribamar, freguesia de Mafra, com aulas de roda em barro vermelho local. O privado custa 85€ e o grupo 65€, ambos com 2h30. A cozedura paga-se à parte, 10€ por peça.

Há algo curioso em ouvir uma roda de oleiro a girar a cinco minutos de uma das melhores praias de surf de Portugal. Em Ribamar, freguesia de Santo Isidoro, concelho de Mafra, a Gaëlle Ceramica funciona numa cave branca em frente à igreja, e é um dos sítios onde se aprende a trabalhar o barro vermelho local sem cerimónias.

Onde é, exatamente

O estúdio fica em Ribamar, uma aldeia minúscula entre Santo Isidoro e a Ericeira. A morada é Rua Central, 2, no rés do chão de uma casa branca, mesmo em frente à igreja e ao lado do lunchbar PURO. Não há placa grande. Se passar pela igreja ao meio da tarde e ouvir uma roda a girar, está no sítio certo.

O concelho é o de Mafra, embora muita gente confunda Ribamar com Ericeira. Para quem vem de fora, faz sentido pensar nesta aula como um plano de meia tarde para combinar com uma manhã na Tapada Nacional de Mafra ou uma visita ao Palácio Nacional de Mafra.

Quem é a Gaëlle e porque importa

A Gaëlle Van Branteghem é belga, vive em Portugal há vários anos e aprendeu a roda com o Paulo, um oleiro de Mafra que ainda hoje é referência na zona. Esse pormenor importa. A tradição de cerâmica de Mafra, com o seu barro vermelho característico, está nas mãos dela. Não é uma estrangeira a ensinar técnicas genéricas: é alguém que aprendeu o ofício com mestres da região e que continua a usar barro vermelho local nas aulas.

Para quem nunca tocou em barro, isto traduz-se numa coisa simples. A Gaëlle tem paciência para os erros e mãos firmes para corrigir sem destruir o que está a fazer. Já vi pessoas a chegar nervosas por nunca terem feito nada parecido e a sair com duas chávenas tortas mas reconhecíveis.

Como é a aula, passo a passo

O workshop privado dura 2h30 mais cerca de 20 minutos de limpeza. Começa com um café ou chá e uma explicação curta: o que é o barro vermelho, porque é diferente do grés branco, como funciona a roda. A Gaëlle não enche a primeira meia hora de teoria. Nos primeiros dez minutos já está com as mãos no barro.

A primeira parte é a centragem. É a fase em que toda a gente sofre. O barro tem de ficar exatamente no centro da roda, exige força e, sobretudo, paciência. A Gaëlle põe as mãos por cima das suas, sente onde está a falhar e corrige. Ao fim da segunda ou terceira tentativa, normalmente, alguma coisa centra.

Depois vem a abertura, a subida das paredes e a definição da forma. Para iniciantes, o objetivo é uma forma cilíndrica, basicamente uma chávena de café ou caneca. Não espere fazer um vaso elegante na primeira aula. O segredo, segundo a própria, é cometer erros sem perder o entusiasmo.

O que se faz com as peças no fim

Aqui está o pormenor que muita gente não percebe à partida: a cozedura não está incluída no preço da aula. Se quiser ficar com as peças cozidas e vidradas, paga 10 euros por peça e a Gaëlle coze e vidra mais tarde. Há ainda a opção de envio por correio para outro país, com custo definido depois da cozedura.

É mais justo do que parece. O processo demora vários dias entre a secagem, a primeira cozedura, a vidragem e a segunda cozedura. Ninguém leva as peças no próprio dia. Quem vive na zona passa a recolher uma a duas semanas depois. Quem está de passagem, escolhe o envio.

Preços e formatos

  • Workshop privado: 85 euros por pessoa, máximo 3 pessoas, 2h30. Tardes diárias das 14h30 às 17h00, mediante marcação.
  • Workshop em grupo: 65 euros por pessoa, 4 a 9 pessoas, 2h30. Quartas ou sextas das 17h30 às 20h00, mínimo de 5 inscrições.
  • Modelagem manual para adultos: 45 euros, 2.º e 4.º sábados do mês.
  • Modelagem manual para crianças: 25 euros, 2.º sábado do mês das 14h00 às 15h30, a partir dos 4 anos.
  • Cozedura e vidragem: 10 euros por peça, não incluído.

Qual escolher

Se vier sozinho ou em casal, vale a pena pagar o privado. A diferença de preço é de 20 euros e tem a Gaëlle só para si. Aprende mais e sai com peças mais decentes. O grupo é melhor para um plano com amigos, em que o objetivo é rir e fazer asneira juntos. Não é a mesma experiência.

O retiro de seis dias, duas vezes por ano na primavera e no outono, é outra coisa. Acontece na Casa Paço d'Ilhas, perto da praia de Ribeira d'Ilhas, e combina cerâmica intensiva com refeições, caminhadas e surf. Para quem leva isto a sério, é um dos formatos mais bem pensados que vi em Portugal.

O que vestir e levar

  • Roupa que possa sujar. O barro vermelho mancha tecido claro e fica nas calças.
  • Unhas curtas. Unhas compridas e gel são inimigas da centragem.
  • Cabelo apanhado se for comprido.
  • Nada de anéis nem pulseiras. O barro entranha-se e custa a sair.
  • Mais nada. Aventais, panos e ferramentas estão lá.

Como chegar e onde comer antes ou depois

Ribamar está a cinco minutos de carro de Ericeira pela N247. Há estacionamento gratuito junto à igreja, raramente cheio. De transportes públicos é mais difícil: o melhor é apanhar a Mafrense até Ericeira e depois um táxi ou Uber para Ribamar.

Para uma refeição depois da aula, o lunchbar PURO ao lado do estúdio é uma opção rápida. Para algo mais elaborado, vale a pena descer até à vila e jantar no Predio Ericeira. Se a aula for à tarde e quiser começar o dia mais devagar, dê uma volta pelo Jardim do Cerco em Mafra antes de seguir para Ribamar.

Quando reservar

O privado costuma ter vagas com uma a duas semanas de antecedência. O grupo das quartas e sextas enche com mais facilidade no verão e em fins de semana prolongados. As reservas fazem-se diretamente no site da Gaëlle Ceramica ou por email. Os pagamentos são confirmados antes da aula.

Se chove e está em Mafra sem plano, esta aula é um dos melhores planos de interior da zona. Pode complementar com outras ideias do nosso guia para Mafra à chuva.

O melhor momento

É um momento muito específico, normalmente a meio da aula, quando o barro centra pela primeira vez sem oscilar. Há uma quietude estranha. O resto, depois disso, é detalhe.

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