Casa do Castelo
A cem metros do castelo redondo de Arraiolos, esta guesthouse-hostel com cozinha partilhada, terraço e churrasco no jardim é a melhor base para quem fica mais do que uma tarde. Faixa €€, ideal para o viajante autónomo que prefere reservar directo e não numa cadeia.
A Casa do Castelo está exactamente onde o nome promete: a cem metros do Castelo de Arraiolos, na Rua do Castelo, número 6, com o código postal 7040-053 que já lhe diz tudo sobre a zona, a parte alta da vila, a que dá para os olivais e para o céu enorme do Alentejo Central. É um hostel a fingir de guesthouse, ou uma guesthouse a fingir de hostel, conforme o ângulo. Para mim é a melhor base de operações para quem quer ficar mais do que uma tarde em Arraiolos e perceber que esta vila não é só tapetes.
O que é, afinal
Vamos ser claros sobre o produto, porque há gente que chega cá à espera de um quatro estrelas e fica frustrada, e há quem chegue à espera de uma cama numa camarata e fique espantado. Nem uma coisa nem outra. A Casa do Castelo joga na faixa €€: paga-se mais do que num hostel de mochileiros em Lisboa e menos do que num hotel de charme da vila. Em troca recebe uma cozinha partilhada que funciona como deve ser, um terraço solarengo para a tarde, um jardim com churrasco que no Verão é meio caminho andado para o jantar resolvido, e a possibilidade de fechar a porta do quarto sem ouvir mais ninguém.
A localização é o argumento principal. Cem metros do castelo significa cinco minutos a pé para tudo o que interessa na vila histórica: a Igreja do Salvador, as ruas brancas com as portas pintadas de azul ou amarelo, as lojas de tapetes onde as senhoras ainda bordam à porta nos dias de sol. Significa também que não precisa do carro depois de chegar, o que em Arraiolos é meio milagre, porque a vila é compacta mas o estacionamento na parte alta é uma lotaria.
Como chegar (e como não chegar)
Arraiolos fica a cerca de hora e meia de Lisboa pela A6, saída para Évora e depois subida para norte pela N370. Quem vem do Porto ou de Coimbra entra pela A1 e desce até Coruche, são cerca de três horas. De carro é a forma sensata: transportes públicos para Arraiolos existem, mas a partir de Évora, e os horários da Rede Expressos não combinam com quem quer chegar a tempo de jantar.
Já com o carro na vila, a recomendação é simples: não tente subir até à porta do hostel pela primeira vez sem ter o GPS aberto e a paciência calibrada. As ruas da parte alta são estreitas, de sentido único, e há mais que um turista que ficou entalado entre duas paredes brancas. Estacione no largo em baixo, ligue à casa pelo +351 939 525 765 e pergunte qual é o melhor sítio para descarregar a mala. Vão dizer-lhe. Esta é a vantagem de não ser uma cadeia: alguém atende o telefone.
A cozinha partilhada (e porque importa)
Há uma razão prática para a cozinha partilhada ser o melhor argumento da casa, e essa razão chama-se Alentejo. Em Arraiolos, ao domingo à noite e à segunda inteira, metade dos restaurantes está fechado. Se calhar de chegar nessa janela, a cozinha salva-lhe a vida. Vá ao mercado de sábado de manhã (na praça em baixo, até ao meio-dia), compre pão alentejano, queijo de Évora, um chouriço, tomates de cheirar, e tem jantar para dois dias.
O terraço e o jardim com churrasco são o complemento óbvio. No Verão, com o calor a apertar a partir das três da tarde, o terraço fica impraticável até por volta das sete; mas das oito em diante, com uma garrafa de tinto do Redondo, é dos melhores sítios da vila para ver o sol pôr-se atrás do castelo. O churrasco é por ordem de chegada, sem reserva: pergunte na recepção se precisa de trazer carvão ou se a casa fornece.
Onde comer perto
Falando em comer: a vila tem boas casas, mas há que saber escolher. Para uma refeição rápida ao almoço, a República da Empada resolve a vida sem dramatismos e fica a poucos minutos a pé. Para jantar, recomendo fazer reserva no dia anterior em qualquer sítio que escolha, sobretudo entre Maio e Setembro: Arraiolos é pequena, os restaurantes são poucos, e os autocarros de excursões enchem as cozinhas sem aviso. Confirme directamente os horários, porque variam com a época.
O que fazer com a vila à porta
Ficar na Casa do Castelo só faz sentido se aproveitar a localização. Dedique meio dia ao castelo propriamente dito, que é circular (planta rara em Portugal) e tem vistas de 360 graus que justificam a subida. Depois dedique a tarde ao tapete, porque não dá para vir a Arraiolos e fingir que não está. Recomendo entrar no Centro Interpretativo do Tapete e, se quiser perceber a coisa a sério, ler antes o nosso guia sobre a geometria da tapeçaria de Arraiolos, que explica os pontos, os motivos e porque é que um tapete bom custa o que custa.
Se ficar mais de dois dias, vale a pena usar o hostel como base para explorar o resto do concelho e a região: o nosso roteiro para lá do tapete propõe um circuito pelo Convento dos Lóios, pelas aldeias de mármore de Vila Viçosa e Borba, e por sítios que ninguém visita ao primeiro dia. E se a viagem cair em Junho ou Julho, confirme se calha com o festival O Tapete Está na Rua, em que a vila enche de cor e o hostel esgota com três meses de antecedência.
Detalhes práticos
- Morada: Rua do Castelo, 6, 7040-053 Arraiolos.
- Telefone: +351 939 525 765 (atendem em português e inglês).
- Site: acasadocastelo.com, para reservas directas, que costumam sair mais em conta do que pelas plataformas.
- Preço: faixa €€, paga em condições.
- Horários de recepção: não publicados, ligue para confirmar a hora de chegada, sobretudo se vier depois das oito da noite.
- Reservar com antecedência: sim, sempre. A casa é pequena e nos fins-de-semana de Primavera enche.
Para quem é (e para quem não é)
É para o viajante autónomo, que gosta de cozinhar uma noite, de conversar com os outros hóspedes no terraço, de ter base num sítio que não é uma cadeia. Não é para quem quer pequeno-almoço servido na cama, robe de banho e champanhe a chegar. Para esse perfil, escolha um hotel de charme em Évora. Se o que procura é dormir bem, fechar a porta, sair a pé para um castelo redondo e voltar a tempo de assar uma sardinha no jardim, então sim, esta é a sua casa. E se quiser ir mais a norte na mesma viagem, espreite o nosso guia das Aldeias Históricas do Centro na Primavera antes de marcar.