Vinhais

Capital do fumeiro português, Vinhais é uma vila transmontana onde o frio seco cura lentamente os enchidos de porco Bísaro e a Feira do Fumeiro de fevereiro atrai dezenas de milhares de visitantes. Dois dias bastam para explorar o centro barroco, o Parque Biológico e as aldeias de pedra do Parque Natural de Montesinho.

Vinhais é, antes de mais, uma terra de frio. E é esse frio, seco, cortante, persistente, que faz tudo o resto acontecer. Sem ele, não haveria o fumeiro que transformou esta vila transmontana na capital indiscutível dos enchidos portugueses. Os invernos longos da Terra Fria curam lentamente a carne do porco Bísaro, uma raça autóctone alimentada a castanha, abóbora e batata, e o resultado são alheiras, salpicões e chouriças com um sabor que não se replica noutro lugar do país.

O que encontrar em Vinhais

O centro da vila organiza-se em torno do conjunto monumental da Igreja de São Francisco e do antigo Seminário dos Missionários Apostólicos, um complexo barroco do século XVIII que hoje funciona como Museu de Arte Sacra. Vale a pena entrar: a talha dourada e a imaginária religiosa são de uma qualidade surpreendente para uma vila desta dimensão. Repare na figueira que cresceu numa fenda do campanário, está lá há décadas e já faz parte do edifício.

A três quilómetros do centro, o Parque Biológico de Vinhais ocupa o antigo Viveiro Florestal da Prada, dentro do Parque Natural de Montesinho. É um sítio prático para famílias: há percursos pedestres curtos, contacto com raças autóctones (incluindo os próprios Bísaros) e um centro equestre. O parque funciona também como porta de entrada para explorar Montesinho, um dos territórios mais preservados da Península Ibérica, com aldeias de pedra onde o tempo parece ter abrandado sem pedir licença.

A mesa transmontana

Não saia de Vinhais sem provar as cascas com butelo, um prato de enchido cozido com cascas de feijão que é o conforto em forma de refeição. A posta de vitela à transmontana, o cabrito assado e os cuscos (uma espécie de cuscuz rústico feito à mão) completam uma gastronomia que não faz concessões à leveza. Se vier em fevereiro, a Feira do Fumeiro, com mais de 45 edições, atrai dezenas de milhares de visitantes e é o melhor momento para comprar diretamente aos produtores certificados.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias chegam para conhecer a vila, o Parque Biológico e uma ou duas aldeias do Parque de Montesinho. O outono, com a apanha da castanha, e o inverno, com o fumeiro no auge, são as estações com mais carácter. O verão é seco e quente, bom para caminhadas, mas sem a intensidade gastronómica dos meses frios.