Caminhada na Rota Vicentina em Sines: Porque Maio É Perfeito
Experiência

Caminhada na Rota Vicentina em Sines: Porque Maio É Perfeito

Sines · 4h · moderate

A Rota Vicentina entre São Torpes e Porto Covo, guiada pela SAL, Sistemas de Ar Livre, desde €215 por pessoa em fim de semana. Maio é o mês certo: 22 graus, flora em pico e cegonhas a nidificar sobre o mar.

Há um momento, mais ou menos a uma hora a sul da Praia de São Torpes, em que o trilho deixa o pinhal e abre para a falésia. O vento muda, o cheiro a maresia bate em cheio e percebe-se porque é que toda a gente fala da Rota Vicentina como se tivesse descoberto qualquer coisa pessoal. Aviso já: em Maio, este momento acontece com flores amarelas e roxas a empurrar contra os tornozelos, sem o calor sufocante de Julho e sem o nevoeiro caprichoso de Março. Maio é, sem grande discussão, a melhor altura para fazer esta caminhada a partir de Sines.

Quem organiza: SAL, Sistemas de Ar Livre

O operador a reter é a SAL, Sistemas de Ar Livre, sediada em Setúbal e a operar passeios pedestres no Alentejo desde 1996. Foi a SAL que coordenou a primeira travessia integral da Rota Vicentina entre 2014 e 2016, e por isso conhecem o terreno melhor que ninguém. O programa de Fim de Semana na Rota Vicentina arranca a partir de 215€ por pessoa em modalidade guiada (ou 199€ em autoguiada de grupo), e inclui programação, preparação, supervisão, acompanhamento e apoio logístico. O alojamento, transporte para o ponto de partida e refeições não estão incluídos, o que pode parecer estranho à primeira vista, mas dá-lhe liberdade para escolher onde dormir, por exemplo no AP Sines, Costa Alentejana, mesmo no centro da vila.

Reservas pelo email [email protected] ou pelo telefone +351 265 227 685. O site é sal.pt. Importante: os passeios em grupo só confirmam com um mínimo de participantes inscritos até às 18h da quarta-feira anterior, por isso reserve com antecedência.

O que é, ao certo, esta caminhada

O Trilho dos Pescadores (a parte mais espectacular da Rota Vicentina) começa oficialmente na Praia de São Torpes, a sete quilómetros a sul de Sines. A primeira etapa, São Torpes a Porto Covo, tem cerca de 10 km e é, francamente, a mais suave de toda a Rota. Caminha-se quase sempre em areia compacta ou em trilho de terra batida sobre falésia baixa, sem grandes subidas. Demora entre três a quatro horas com paragens para fotografias, e há trechos em que o som das ondas é a única coisa que se ouve.

A SAL costuma combinar esta etapa inaugural com um segundo dia mais exigente, Porto Covo a Vila Nova de Milfontes (cerca de 20 km), atravessando praias selvagens, dunas e o Rio Mira. É aqui que percebe que esta não é uma caminhada de domingo: o piso de areia obriga as pernas a trabalhar mais do que parece, sobretudo no final da tarde.

Porquê Maio, e não outro mês

Em Maio, a temperatura média ronda os 19 a 22 graus durante o dia, com noites ainda frescas. A flora endémica do Sudoeste Alentejano está em pico: estevas brancas, perpétuas roxas, narcisos amarelos e o famoso cardo-marítimo azul a aparecer entre a areia. As cegonhas-brancas, que nidificam em fragas de pedra mesmo sobre o mar (uma raridade mundial), estão activas com crias.

O outro factor é a luz. Em Maio o sol põe-se por volta das 20h45, o que significa que pode sair de Sines às 9h, fazer a etapa até Porto Covo, almoçar com calma e ainda ter tempo para o regresso ou para uma cerveja na esplanada. Em Junho começam a surgir grupos de surfistas e turistas, em Julho e Agosto está cheio e quente, em Outubro o tempo já é instável.

O melhor momento (e o que pular)

O melhor momento, sem dúvida, é a chegada à Praia do Burrinho, a meio da etapa entre São Torpes e Porto Covo. É uma praia minúscula, em forma de meia-lua, com um trilho íngreme a descer pelo penhasco. Vale a pena tirar a mochila, sentar nas pedras e ficar quinze minutos. Nas duas vezes que lá estive, contei zero pessoas a chegar.

O que pode pular sem grande pena: o pequeno desvio assinalado para a Pedra da Atalaia, perto de Porto Covo. É bonito mas é um trilho extra de meia hora, e depois de cinco horas a caminhar a maioria das pessoas prefere ir directamente para o terraço da Taberna do Gabão. A SAL inclui ou exclui este desvio consoante o ritmo do grupo, e geralmente opta bem.

Logística prática

Como chegar a Sines

De Lisboa, a Rede Expressos tem três a quatro autocarros diários para Sines (cerca de 2h15). De carro, são 165 km pela A2 e A26. Se quiser perceber melhor a vila antes de começar a caminhar, leia Sines Além do Festival: Indústria, Poesia e Costa, que dá contexto à mistura estranha entre porto industrial e património histórico.

O que vestir

  • Botas de trilho leves ou ténis de trail com sola robusta. Sandálias de caminhada também funcionam nas etapas de areia, mas são desconfortáveis nas pedras.
  • Chapéu de aba larga (não boné) e óculos escuros. O sol em Maio engana.
  • Camisola de manga comprida fina, mais um corta-vento. O vento da nortada pode chegar facilmente aos 30 km/h.
  • Calças de caminhada secas, não calções, por causa das estevas e do vento sobre os tornozelos.

O que levar na mochila

  • Mínimo 1,5 litros de água por pessoa. Não há pontos de água entre São Torpes e Porto Covo.
  • Protector solar 50, lábios incluídos.
  • Snacks salgados (a SAL não fornece comida).
  • Saco de plástico para tirar a areia das botas no fim.
  • Powerbank, porque vai querer fotografar mais do que pensa.

Onde dormir e o que comer

Em Sines, recomendo claramente o AP Sines, Costa Alentejana, que tem o pequeno-almoço a funcionar a partir das 7h, ideal para quem precisa de sair cedo. Para jantar, depois da caminhada, vá comer choco frito ou peixe grelhado em qualquer tasca da rua que sobe do porto antigo. E se ficar com energia para uma volta cultural, o Castelo de Vasco da Gama abre até às 18h e tem uma das melhores vistas sobre o Atlântico em toda a costa alentejana. Para uma perspectiva diferente sobre a vila, vale a pena também o guia da arquitectura brutalista de Sines, que muda completamente a forma como olhamos para a paisagem em redor do porto.

Última nota

Confirme datas, preços e disponibilidade directamente com a SAL antes de reservar voos ou alojamento. As condições meteorológicas no Sudoeste Alentejano podem mudar de um dia para o outro, mesmo em Maio, e a SAL é honesta a reagendar etapas se o vento estiver demasiado forte na falésia. Esse tipo de bom senso é precisamente o que justifica pagar a um operador em vez de fazer o trilho sozinho com uma app no telemóvel.

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