Horta Bay
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Horta Bay

Um condomínio à beira-mar em pleno centro da Horta, com um terraço de topo que abre sobre a baía e o Pico do outro lado do canal. Não é hotel de charme, é base própria para quem valoriza a localização acima de tudo. Reserve andar alto e de frente para a água.

A Horta é uma cidade que se mede pelo cais. Toda a gente que chega ao Faial de barco conhece a lógica: primeiro a marina, depois o Peter Cafe Sport com o seu museu de scrimshaw, depois o resto. O Horta Bay percebe esta geografia melhor do que a maioria. Fica na Avenida 25 de Abril, 9900-142 Matriz, praticamente com os pés na água, no ponto exato onde a cidade encosta à baía e olha para o Pico do outro lado do canal. Não é um hotel de charme com histórias de família nem uma pensão de azulejo antigo. É um condomínio à beira-mar, moderno, pensado para quem quer uma base própria e não um quarto com pequeno-almoço incluído.

O que é, e o que não é

Vamos ser claros, porque a confusão é fácil. O Horta Bay não é um restaurante nem um bar de cocktails. É alojamento: apartamentos numa frente de mar, com a vantagem de estarem no coração da cidade e não num resort afastado. A faixa de preço é €€€, o que na Horta significa que está no escalão de cima, e isso reflete-se sobretudo na localização. Pagar mais aqui não é pagar por luxo ostensivo; é pagar por sair à porta e estar a metros da marina, dos cafés e da azáfama das tripulações que atravessam o Atlântico.

O argumento central do sítio é o terraço no topo. A vista abre-se sobre a baía, sobre os telhados da cidade e, em dias limpos, sobre a montanha do Pico a fazer de pano de fundo. É a mesma panorâmica que encontra descrita no nosso guia dos melhores rooftops e panorâmicas da Horta, e é honestamente o motivo pelo qual vale a pena considerar ficar aqui em vez de num sítio mais barato lá para dentro. A diferença entre acordar de frente para o canal e acordar de frente para uma rua interior é toda.

O bairro: Matriz, o centro que respira mar

A morada diz Matriz, que é a freguesia central da Horta, a que dá o nome à grande igreja e a que concentra quase tudo o que interessa a quem visita. Estar aqui significa fazer tudo a pé. A marina, com os seus milhares de pinturas deixadas por velejadores ao longo de décadas, fica logo ali. O Museu da Horta, com a sua coleção de miolo de figueira esculpido, é uma caminhada curta. E se quiser perceber a história baleeira que moldou esta ilha, a antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim fica do outro lado da colina, num passeio de vinte minutos que passa pela praia de Porto Pim.

Como chegar: se vier de avião, o aeroporto do Faial fica a poucos quilómetros e faz-se em táxi em cerca de dez minutos. Se vier de barco, do Pico ou de São Jorge, desembarca praticamente à porta, porque o terminal de ferries e a marina estão colados ao centro. Uma vez instalado, esqueça o carro para o dia a dia dentro da cidade. Guarde-o para explorar a Caldeira, os Capelinhos e a costa, que é onde um carro faz mesmo falta.

Conselhos práticos

Reserve com antecedência, sobretudo se pensa vir no verão. A Horta é minúscula e a procura por camas dispara de julho a setembro, quando as tripulações de travessia atlântica enchem a marina e a cidade vive em ritmo de festa. Se o seu plano coincidir com a Semana do Mar, a maior festa da ilha, conte com a cidade cheia e os preços no máximo. Vale a pena, mas planeie meses antes.

  • Contacto: ligue para +351 292 293 025 ou trate pelo site oficial. Confirme diretamente horários de check-in e disponibilidade, porque não há uma tabela de horários publicada.
  • Peça andar alto: a graça deste sítio é a vista. Ao reservar, pergunte especificamente por uma unidade de frente para a baía ou por acesso ao terraço de topo. Um apartamento virado para o interior anula metade da razão de estar aqui.
  • Ruído: estar no centro tem um custo. Nas noites de verão, e sobretudo durante os festivais, a marina e os bares fazem barulho até tarde. Se tem sono leve, traga tampões ou peça um andar mais afastado da frente.
  • Autonomia: por ser apartamento e não hotel, conte gerir-se sozinho: cozinha equipada, sem serviço de quarto. Ótimo para quem quer comprar peixe fresco e cozinhar, menos indicado para quem procura mimos de hotelaria clássica.

Vale a pena?

Depende do tipo de viajante que é. Se quer uma base central, com cozinha própria e uma vista que justifica a fotografia do dia, e se não se importa de trocar o pequeno-almoço servido por autonomia total, o Horta Bay faz sentido. Se procura acolhimento de pousada, conversa com o dono ao balcão e história em cada parede, procure noutro lado. Este é um sítio para quem valoriza a localização acima de tudo e quer acordar com o Pico à janela.

O meu conselho: use-o como quartel-general para dois ou três dias e siga o roteiro do nosso guia Horta em 24 Horas. Faça as manhãs a explorar a cidade a pé, guarde uma tarde para as praias mais tranquilas do Faial, e termine o dia no terraço com uma garrafa de verdelho do Pico a ver o sol descer atrás da montanha. Nesse momento, a diferença de preço deixa de doer.