Miradouro do Farol de Vila Nova de Milfontes
Vila Nova de Milfontes
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Uma cidade, um sabor, um lugar novo. Portugal começa na sua curiosidade.
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Toda a gente passa por Machico a caminho do Funchal e ninguém para. Erro: aqui há a única praia de areia dourada da ilha, o trilho do Larano e a melhor poncha de limão do leste. Eis porque devia abrandar.
A maioria vê Machico durante sete minutos, da autoestrada, a caminho do Funchal. Erro. A cidade onde a Madeira começou esconde murais, trilhos vertiginosos e o melhor peixe-espada do leste, tudo do outro lado da ribeira.
Em Agosto, o Algarve é um teste de paciência com preços triplicados e areia mais cheia que o metro de Tóquio. A alternativa: usar Leiria como base e atacar a costa atlântica de São Pedro de Moel, com jantares honestos e noites frescas no interior.
No auge do Verão, Torre de Moncorvo passa os 40 graus com uma facilidade insultuosa. O segredo não é combater o calor, é viver pelo relógio dos locais: madrugar nas igrejas frescas, refugiar-se no museu ao meio-dia e voltar à rua só quando o sol perde a raiva.
Em agosto, o estacionamento da Praia da Marinha enche antes do meio da manhã. A verdadeira fuga fica na costa norte da Madeira: uma praia de calhau onde ninguém monta arraial de guarda-sóis, piscinas de água salgada e bolo do caco quente antes do primeiro mergulho.
O Atlântico na Ericeira raramente passa dos 17 graus em agosto, e o interior do país ferve a 38. A solução é a mesma para os dois problemas: as praias fluviais do Centro, de Loriga ao Poço da Broca, a menos de três horas da vila. Ondas de manhã, poças de granito à tarde, jantar de peixe ao regresso.
Enquanto o Funchal marca 26 graus na Avenida do Mar, no Parque das Queimadas estão 16 e a laurissilva pinga água fresca. Do Caldeirão Verde à Levada dos Tornos, sete caminhadas para agosto, com horários espertos, a taxa dos 3 euros e onde jantar depois.
A maior cidade portuguesa sem comboio é também uma das mais baratas para um fim de semana: com autocarro, uma noite de guesthouse, viriatos na Confeitaria Amaral e jantar com vinho do Dão, a conta fecha abaixo dos 100€. Fizemos as contas, paragem a paragem.
Às 10h30 de uma manhã de agosto, a fila para estacionar em Odeceixe já dobra a esquina. As praias da Costa Vicentina continuam selvagens, o acesso é que não. Damos-lhe o roteiro para sobreviver ao sudoeste, e uma alternativa que ninguém considera: São João da Pesqueira, onde agosto é a antecâmara da vindima.
Na segunda quinzena de agosto, há uma probabilidade real de cruzar-se com tratores carregados de uvas na N222 e sentir o cheiro a mosto nas adegas da Régua. Entre cruzeiros até ao Pinhão, o pintor nas vinhas e três restaurantes onde vale a pena reservar, este é o guia para o mês em que o Douro trabalha a sério.
Quando Albufeira aperta a 35 graus, há uma fuga de quase 500 quilómetros que vale cada minuto de estrada: rios glaciares, poças de água gelada e queijo de ovelha feito com flor de cardo. Guia prático para quem troca o Atlântico morno pelo frio da Serra da Estrela.
Numa vila sem hotéis de cadeia nem lojas de recordações, a única torre que sobrou do castelo de Mogadouro explica tudo o resto. Entre cafés de esplanada, um jantar de posta e um kayak nos lagos do Sabor, esta é a caminhada que ninguém apressa.