Núcleo Museológico da Base Aérea Nº4
Praia da Vitória
A segunda cidade da Terceira tem a maior praia de areia da ilha, a casa-museu de Vitorino Nemésio e a melhor alcatra que vai comer nos Açores. Se aterrou nas Lajes e seguiu direto para Angra, vale a pena voltar atrás.
Da marginal plana a uma subida de 14 quilómetros até aos Biscoitos, com paragem obrigatória na cervejeira artesanal Brianda. Quatro rotas em Praia da Vitória, do passeio com gelado às pedaladas de carácter.
A baía mais redonda dos Açores é também a melhor sala de aula de surf do arquipélago, com ondas a metro e meio, fundo de areia e a água a 22 graus em Julho. Aprende, observa do paredão, ou foge a Biscoitos para piscinas de lava e Verdelho dentro de currais de pedra.
Em Praia da Vitória, o orçamento curto não é castigo: é, muitas vezes, a melhor forma de perceber a ilha. Da areia loira da baía às piscinas vulcânicas dos Biscoitos, um guia honesto para viver dias cheios por menos de 40 euros.
Reconstruída pedra a pedra após o terramoto de 1980, Praia da Vitória é a única cidade dos Açores desenhada com régua e esquadro. Um roteiro a pé pelo centro histórico, com paragens na Casa Museu Vitorino Nemésio, na Igreja Matriz e na alcatra que cozeu durante seis horas.
A Praia da Vitória é a segunda cidade da Terceira, mas quem chega à ilha pelo aeroporto das Lajes aterra no seu concelho antes mesmo de saber o nome de Angra do Heroísmo. A maioria dos visitantes segue logo para Angra. Esse é o primeiro erro.
A Praia Grande, a maior praia de areia da Terceira, com Bandeira Azul, ocupa o centro da cidade como se a malha urbana tivesse sido construída para lhe dar espaço. Não é uma praia escondida numa falésia: está ali, a dois minutos da Rua de Jesus, a rua pedonal comercial cujo pavimento é decorado com desenhos de portas, batentes e chaminés típicas. Ao fundo da rua, encontra-se o jardim público e o mercado municipal, ambos do século XIX, onde ainda se compram queijadas e pão de milho fresco.
Nemésio nasceu aqui em 1901, na Rua de São Paulo, e a sua casa-museu é hoje um dos espaços culturais da cidade. Mas a presença do escritor sente-se sobretudo na forma como a Praia faz questão de manter a sua identidade literária, há quem diga que Mau Tempo no Canal é impossível de compreender sem pisar estas ruas. A Igreja de Santa Cruz, do século XV, com o seu portal gótico e porta lateral manuelina, é outro ponto de ancoragem histórica que vale a paragem.
Comer na Praia da Vitória é comer alcatra, o prato-bandeira da Terceira, carne de vaca cozinhada lentamente num alguidar de barro com vinho, especiarias e toucinho. Há versões de peixe também, e ambas pedem pão para molhar no molho escuro. Para acompanhar, o vinho Verdelho dos Biscoitos, produzido a vinte minutos de carro, nas vinhas protegidas por currais de pedra basáltica junto ao mar. O Museu do Vinho dos Biscoitos documenta essa tradição e oferece provas no final da visita.
As Festas da Praia, de 1 a 11 de agosto, são o grande evento do ano, com a Feira de Gastronomia logo no primeiro dia. Fora dessa época, a cidade é tranquila e a praia raramente está cheia. Um dia inteiro chega para explorar o centro, a praia e a marina; dois dias se quiser subir à Serra do Cume (545 metros de altitude com vista panorâmica sobre os campos da ilha) e visitar o Núcleo Museológico da Base Aérea Nº4, que conta a história da presença militar na região desde a Segunda Guerra Mundial.