Quinta do Falcão
Vila do Porto
Vila do Porto é o povoamento mais antigo dos Açores e a base ideal para explorar Santa Maria, a ilha mais quente do arquipélago. Três dias bastam para cobrir praias, trilhos costeiros e uma gastronomia que vai dos queijos artesanais ao polvo guisado em vinho de cheiro.
Santa Maria não é só a ilha mais antiga dos Açores: durante quase vinte anos, a pista sobre Vila do Porto foi a última escala dos voos transatlânticos antes de atravessarem o oceano. A vila que cresceu à volta dela ainda tem esse ar de fim de linha, mas com areia dourada.
Em Santa Maria, a ilha mais antiga e mais barata dos Açores, dormir bem sem gastar muito é possível se souber onde ficar. De quintas rurais como a Quinta do Falcão a vistas gratuitas como o Miradouro da Macela, eis como fazer Vila do Porto render cada euro.
Levantar-se às cinco e meia para ouvir cagarros no Miradouro da Macela, comer uma queijada quente no paredão e descobrir o Forte de São Brás antes dos cargueiros chegarem. Um manual de uma noite e dois cafés na vila mais antiga dos Açores.
Santa Maria tem as piscinas naturais mais vazias dos Açores, mesmo em Agosto. De Anjos a São Lourenço, passando pela Maia com Bandeira Azul, um guia prático para mergulhar na ilha que os açorianos guardam para si.
Vila do Porto tem uma distinção que nenhuma outra localidade açoriana pode reclamar: foi aqui que tudo começou. Em 1432, Gonçalo Velho Cabral pisou esta costa e fundou o primeiro povoamento de todo o arquipélago. Hoje, a capital de Santa Maria continua a ser pequena, tão pequena que se percorre a pé em meia hora, mas é exactamente essa escala que lhe dá sentido.
O centro histórico organiza-se entre a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, uma das mais antigas dos Açores, e o Forte de São Brás, construído no século XVII contra os ataques de corsários. Entre os dois, as ruas de calçada são curtas e silenciosas. No Largo Sousa e Silva, o miradouro sobre o porto oferece uma vista directa para a marina e para o azul que separa Santa Maria de São Miguel.
Antes de sair do centro, vale a pena entrar na Casa dos Fósseis, oficialmente Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo. O espólio reúne fósseis marinhos que provam que Santa Maria é a ilha mais antiga do arquipélago, com formações geológicas que nenhuma outra ilha açoriana possui. É um museu modesto, mas dá contexto a tudo o que se vê depois na paisagem.
Santa Maria é conhecida pelos seus queijos artesanais, tema que já explorámos num dos nossos guias, mas não se fique por aí. A sopa do Espírito Santo, feita com carne de vaca, hortelã e pão, aparece em praticamente todas as mesas em dias de festa. As lapas grelhadas e o polvo guisado em vinho de cheiro são dois clássicos que encontra nos restaurantes locais. Para sobremesa, os biscoitos de orelha fecham a refeição sem drama.
Santa Maria é a ilha mais quente e seca dos Açores, chamam-lhe "a ilha do sol" sem grande exagero. De Junho a Setembro o tempo é estável, e em Agosto a Praia Formosa recebe o Festival Maré de Agosto, o mais antigo festival de música dos Açores, com cartaz de world music que atrai gente de toda a Europa. Se preferir calma, Junho e início de Julho são ideais.
Três dias chegam para conhecer bem a ilha inteira. Vila do Porto serve como base prática: é onde ficam a maioria dos alojamentos, a marina, e a ligação ao aeroporto. Mas o essencial está fora da vila, nas piscinas naturais, nos trilhos costeiros, e no Miradouro da Macela, um dos melhores pontos de observação da ilha.