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Onde Nadar em Lisboa em Setembro: Praias Perto da Cidade

· · Lisboa

Em setembro a água ainda está fria, mas as praias de Lisboa esvaziam-se e o sol aguenta até meio da tarde. Da Caparica ao Guincho, passando pela Praia Grande em Sintra, eis onde nadar sem multidão, e o que fazer na cidade nos dias em que o mar não convida.

Agosto é para quem gosta de multidões e preços a dobrar. Setembro é para quem sabe. A água do Atlântico continua fria, isso nunca muda por causa do calendário, mas o sol ainda aquece até meio da tarde, os lisboetas voltam ao trabalho e, de repente, há areia livre outra vez. Se moras em Lisboa ou estás cá de visita nesta altura do ano, tens três direções possíveis: sul, para a Costa da Caparica, ocidente, pela linha de Cascais, ou noroeste, para as praias de Sintra. Cada uma tem um caráter diferente e nenhuma fica a mais de uma hora da baixa.

Costa da Caparica: a mais fácil de todas

A Caparica é a praia de quem não quer perder a manhã em transportes. Apanha-se o ferry em Cais do Sodré até Cacilhas ou Trafaria (uns 10 a 15 minutos de travessia, cerca de 2,90€ com o cartão Navegante carregado), e depois é autocarro até à praia, uns 20 minutos mais. No total, porta a porta, contam-se pouco mais de 45 minutos, o que a torna a opção mais prática para uma manhã de mergulho antes do almoço.

A extensão de areia é enorme, o que significa que mesmo em setembro, com menos gente, há sempre um troço mais calmo se andares uns minutos a pé para lá dos quiosques principais. Prefiro os troços a norte, perto de São João da Caparica, onde a onda costuma ser mais gerível para quem só quer molhar-se sem lutar contra o mar. Se gostas de surf ou pelo menos de ver quem surfa, os troços a sul, rumo à Fonte da Telha, têm ondas mais consistentes. Um aviso sério: esta é praia de Atlântico aberto, sem baía a proteger, por isso a bandeira vermelha aparece com regularidade em setembro, sobretudo com vento de sudoeste. Vale sempre olhar para a bandeira antes de entrar na água, não para a app do telemóvel.

A linha de Cascais: conveniência sobre tudo

Se preferes trocar dimensão de praia por comodidade de comboio direto, a linha de Cascais é imbatível. Sai de Cais do Sodré de meia em meia hora (mais frequente em hora de ponta), custa cerca de 2,25€ por trajeto, e para em Carcavelos, Estoril e Cascais, todas a menos de 40 minutos do centro.

Carcavelos é a praia mais popular entre lisboetas que trabalham na cidade: larga, com bom acesso a partir da estação (uns 10 minutos a pé), cheia de escolas de surf e um beach bar histórico, o Bar do Guincho não, esse é mais adiante, aqui é o Sud Concept Store que domina o troço central. É a praia certa para quem quer facilidade sem abdicar de espaço.

Estoril tem praia mais pequena e mais protegida, ideal se viajas com crianças ou se simplesmente não gostas de ondas grandes. Cascais, mais adiante na linha, oferece a Praia da Conceição e a Praia da Rainha, ambas em baías relativamente calmas dentro da vila, a pé da estação. Para quem quer mar mais bravo e paisagem mais dramática, há sempre o Guincho, uns 15 minutos de táxi ou autocarro 405 a partir de Cascais, com dunas e vento que os windsurfistas adoram e os banhistas comuns às vezes acham demasiado.

Sintra e as praias esquecidas

Menos gente sabe que a linha de Sintra também dá acesso a praia, embora exija uma etapa extra. Do centro de Sintra, o autocarro 403 leva à Praia das Maçãs e à Praia Grande em cerca de 20 a 30 minutos, com paragens que valem a pena mesmo que não entres na água: Azenhas do Mar, com as suas casas brancas coladas à falésia, fica no mesmo percurso.

A Praia Grande é a preferida de quem gosta de ondas sérias, e tem piscina de água salgada junto à areia que costuma abrir em setembro, boa opção se o mar estiver muito agitado nesse dia. A Praia das Maçãs, mais recolhida, tem esplanadas simpáticas de frente para o mar, boas para prolongar a tarde depois do banho.

Se já estás a caminho de Sintra, aproveita para perceber que a vila é muito mais do que o Palácio da Pena que toda a gente fotografa. O guia de bairros de Sintra ajuda a distinguir a zona histórica da vila nova, e vale a pena reservar meio dia extra para isso antes ou depois da praia. E se decidires esticar a viagem mais para norte, rumo a Ericeira ou Mafra, há um roteiro de doçaria conventual em Mafra que merece o desvio: o roteiro de doces tradicionais em Mafra não é só coisa da Páscoa, várias pastelarias da vila mantêm as receitas o ano inteiro.

O que fazer quando não estás na água

A vantagem de nadar perto de Lisboa, em vez de fazer disso uma viagem só de praia, é que podes intercalar dias de água com dias de cidade sem perder tempo. Numa manhã sem praia, ou depois de um banho matinal em Carcavelos, vale a pena descer até Belém de bicicleta em vez de metro. Há dois percursos guiados que fazem exatamente esse trajeto ao longo do rio: um é a descida de Lisboa a Belém, praticamente toda a favor da inclinação, e outro é o percurso ribeirinho da Bike a Wish, mais tranquilo e junto à água. Nenhum dos dois exige condição física de atleta, e ambos terminam perto de miradouros e pastelarias onde consolar as pernas cansadas.

Ao fim da tarde, quando o sol já não compensa mais uma hora de praia, sobe até ao Miradouro da Senhora do Monte, provavelmente o melhor ponto de vista sobre o castelo e o rio, e ainda dos menos turísticos da cidade. Leva uma cerveja do quiosque ali ao lado e fica para o pôr do sol, setembro ainda dá luz dourada até depois das 19h30.

Para jantar, esquece as esplanadas de menu turístico junto ao rio e vai à procura de As Bifanas do Afonso, onde a bifana é feita como deve ser, com o pão a absorver o molho e sem enfeites desnecessários. Se preferes um final de noite com fado a sério, sem o circo de grupos turísticos que enchem alguns espaços da Baixa, o O Faia, Casa de Fados, no Bairro Alto, é referência antiga e continua a apresentar fadistas de peso.

Nos dias de mar bravo ou simplesmente de vontade de cultura, os museus de Lisboa oferecem alternativa séria. O Museu Nacional de Arte Antiga tem o Políptico de São Vicente e vistas sobre o rio a partir do jardim das traseiras, um dos segredos mais bem guardados da cidade para quem quer sombra e silêncio a meio da tarde. O Museu Calouste Gulbenkian é maior investimento de tempo, mas o jardim à volta do edifício, por si só, já vale a entrada, sobretudo em setembro quando ainda está verde e fresco. E para uma pausa a meio do dia entre praia e museu, A Brasileira, no Chiado, continua a servir a bica clássica, mesmo que a estátua do Pessoa lá fora atraia mais fotografias do que a qualidade do café justificaria.

Se quiseres perceber porque é que Lisboa funciona assim, com bairros tão distintos a poucos minutos uns dos outros, e porque é que os lisboetas tratam a praia como extensão natural da cidade e não como fuga dela, vale a pena ler o guia de cultura local em Lisboa, que explica bem essa relação entre rio, colinas e mar.

Informação prática para setembro

  • Temperatura da água: entre 18°C e 20°C nas praias de Cascais e Caparica, um pouco mais fresca no Guincho. Não é banho quente, mas é suportável com sol.
  • Transporte: carrega o cartão Navegante (36€ ativação inclui o cartão, depois é só carregar viagens ou zapping) para usar em comboio, ferry e autocarro sem comprar bilhete de cada vez.
  • Horário ideal: entre as 10h e as 16h o sol ainda aquece bem; depois disso a temperatura desce depressa, sobretudo com vento.
  • Bandeiras: verifica sempre a bandeira do dia antes de entrar na água, sobretudo na Caparica e no Guincho, onde a corrente pode surpreender mesmo nadadores confiantes.
  • Levar: guarda-sol próprio, porque em setembro muitos quiosques já reduziram o número de espreguiçadeiras à venda.

Setembro não é o mês perfeito da praia postal, sem nuvem e sem vento. É o mês em que Lisboa deixa de fingir que é só para turistas de julho e volta a ser a cidade que funciona: manhã de mar, tarde de museu ou bicicleta, noite de fado ou bifana. Aproveita enquanto ainda dá.

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