Guimarães Sem Gastar: Grátis e Barato no Berço de Portugal
Guimarães prova que uma cidade Património Mundial não precisa de custar caro: castelo, Cidadela e centro histórico são grátis, e um dia inteiro cabe em menos de 25 euros. Eis onde poupar e onde vale a pena gastar.
Guimarães vende-se como "o berço de Portugal" e, para variar, o slogan não é só marketing de câmara municipal. O castelo onde D. Afonso Henriques terá nascido está lá, o centro histórico é Património Mundial da UNESCO desde 2001, e a cidade inteira dá para percorrer a pé num dia. A boa notícia para quem viaja com o orçamento apertado: metade do que vale a pena ver aqui é grátis, e a outra metade custa menos do que um café em Lisboa.
O castelo e a Cidadela: a parte grátis que ninguém devia saltar
Comece pelo Castelo de Guimarães. A entrada nas muralhas e no pátio é livre, só se paga bilhete (cerca de 2 euros) para subir à torre de menagem, e nem isso é obrigatório para sentir o sítio. Suba pela Rua da Cidadela ao início da manhã, antes das excursões, e vai ter as pedras só para si. Ao lado, a Igreja de São Miguel do Castelo, românica e minúscula, também não cobra entrada, e é ali que a tradição diz que D. Afonso Henriques foi batizado.
Desça até ao Paço dos Duques de Bragança: por fora é grátis e já vale a caminhada, com aquelas chaminés monumentais que parecem saídas de um castelo normando. Lá dentro paga-se bilhete, mas se o orçamento for mesmo curto, o exterior e os jardins envolventes já dão uma boa hora de fotografias e contexto histórico sem gastar um cêntimo.
O centro histórico é o verdadeiro museu
A Praça de Santiago e o Largo da Oliveira, ligados por arcadas medievais, são o coração da cidade e custam zero euros para admirar. Sente-se num dos degraus do Largo da Oliveira ao final da tarde, quando a luz bate nas fachadas e os locais saem do trabalho para o café, e perceba porque é que Guimarães não precisa de artifícios. A Rua de Santa Maria, empedrada e ladeada de casas com brasões, é outro passeio gratuito obrigatório, sobretudo ao início da manhã, quando ainda não há filas para fotos.
Para quem gosta de arte contemporânea sem pagar, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães costuma ter entradas gratuitas em dias específicos (confirme localmente antes de ir), e mesmo por fora o edifício, antigo mercado municipal reconvertido, já é interessante de ver.
Onde comer sem arruinar a viagem
Guimarães não é Lisboa nem Porto em preços, e isso nota-se na conta. Um prato do dia numa tasca do centro ronda os 7 a 9 euros, café é sempre inferior a 1 euro, e um bom pastel de nata local não chega a 1,20 euros. A cidade é famosa pelos toucinhos-do-céu e pelos torresmos à moda de Guimarães, pratos que se encontram em qualquer casa de petiscos à volta do Largo da Oliveira sem gastar mais de 10 euros por refeição completa.
Se quiser esticar o orçamento um bocadinho mais, uma cerveja ao pôr do sol no Rooftop Bar (Eurostars Santa Luzia) não é dado, mas também não é um exagero, e a vista sobre a cidade e o Monte da Penha compensa cada euro. É o tipo de luxo pequeno que vale a pena mesmo numa viagem de baixo orçamento: uma hora ali acima, com a cidade a ficar dourada, custa menos do que um jantar num sítio turístico junto ao castelo.
Dormir sem pagar preço de capital
Os preços de alojamento em Guimarães ainda são uma fração do que se paga no Porto, a meia hora de comboio dali. O Hotel de Guimarães fica mesmo no centro histórico e costuma ter tarifas competitivas fora de época alta, o que o torna uma base prática para quem quer tudo a pé. Para quem procura algo com mais história e não se importa de gastar um pouco mais numa noite especial, o Hotel da Oliveira ocupa um edifício antigo mesmo ao lado do largo do mesmo nome, e vale a pena mesmo que seja só para uma noite.
Se o orçamento permitir um upgrade ocasional, a Pousada Mosteiro de Guimarães, instalada num antigo mosteiro no Monte de Santa Marinha, é daqueles sítios que fazem esquecer que se está a poupar. Não é opção para todas as noites da viagem, mas mesmo um único jantar ou uma bebida no terraço, com vista sobre a cidade lá em baixo, é uma memória que vale bem mais do que custa.
O que fazer grátis (ou quase) fora do centro
O Monte da Penha é talvez o melhor programa gratuito da cidade, se contarmos que o teleférico é a única despesa (cerca de 6 euros ida e volta). Quem não quiser gastar nem isso pode subir a pé por trilhos sinalizados, cerca de uma hora de caminhada, e chegar ao topo com vista sobre todo o vale do Ave sem pagar nada. Lá em cima há espaços verdes, formações rochosas e um santuário, tudo de entrada livre.
Os jardins e parques da cidade, como o Parque de São Sebastião ou o Jardim Marquês de Oliveira em frente ao Paço dos Duques, são gratuitos e ótimos para um piquenique comprado numa mercearia local, muito mais barato do que qualquer esplanada turística.
Vinho verde sem gastar uma fortuna
A região de Guimarães está mesmo no coração da zona do Vinho Verde, e não é preciso reservar um jantar caro para lhe provar o sabor. Muitas tascas servem vinho verde da casa a copo por menos de 2 euros. Para quem quiser ir mais fundo e perceber porque é que este vinho é tão diferente do resto do país, a experiência de enoturismo na Casa de Sezim custa mais do que um copo de balcão, claro, mas é uma das poucas despesas "extra" que realmente vale a pena incluir mesmo numa viagem apertada, porque a casa e as vinhas por si só já justificam a visita.
Como chegar e circular sem gastar em transportes
Guimarães liga-se ao Porto por comboio da CP em cerca de 50 minutos, com bilhetes normalmente abaixo dos 4 euros, o que torna a cidade uma das viagens de um dia mais baratas a partir do Porto. Aliás, se estiver hospedado no Porto e quiser só um dia de escapadela, vale a pena ver o nosso guia de viagens de um dia a partir do Porto, que ajuda a planear a logística sem perder tempo nem dinheiro.
Dentro de Guimarães, esqueça táxis: o centro histórico é pequeno e proibido a maior parte do trânsito, por isso anda-se tudo a pé. Isso, por si só, já poupa uma fatia do orçamento que noutras cidades vai para Uber ou autocarros turísticos.
Combine com Braga e poupe ainda mais
Braga fica a cerca de 25 minutos de comboio e é fácil de combinar com Guimarães no mesmo fim de semana, dividindo os custos de deslocação. Se a viagem calhar por volta da Páscoa, vale a pena consultar o nosso guia sobre a Semana Santa em Braga, que também é gratuita para assistir e um dos espetáculos religiosos mais impressionantes do país. Para o resto do ano, o guia completo de Braga ajuda a perceber o que vale mesmo a pena ver lá, sem gastar em atrações sobrevalorizadas.
Um dia inteiro em Guimarães por menos de 25 euros
Isto é possível, e não é exagero de blog de viagens: pequeno-almoço numa pastelaria local (2 euros), manhã a explorar o castelo, a Cidadela e o centro histórico (grátis), almoço numa tasca com prato do dia e vinho verde a copo (9 euros), subida ao Monte da Penha de teleférico (6 euros), e uma cerveja ao fim da tarde algures com vista, seja no Rooftop Bar do Eurostars Santa Luzia ou numa esplanada do Largo da Oliveira (5 euros). Sobra ainda dinheiro para um gelado.
O truque de Guimarães é que a cidade não precisa de artifícios caros para impressionar. As pedras já fazem o trabalho. Vá cedo, ande a pé, coma onde comem os locais e guarde o orçamento extra para uma única experiência que valha mesmo a pena, seja uma noite na pousada do mosteiro ou uma tarde numa quinta de vinho verde. O resto, sinceramente, é quase de graça.