25 Fontes desde Funchal: Levada e Piscina Natural
A caminhada das 25 Fontes atravessa floresta Laurissilva e dois túneis escavados à mão até uma lagoa gelada alimentada por 25 nascentes. A Feeling Madeira Tours & Walks organiza o passeio a partir de 50€ por pessoa.
Uma caminhada que termina num mergulho de água gelada
Agosto em Funchal é abafado. A cidade fica presa entre o mar quente e a montanha, e por volta do meio-dia o ar para de circular na Zona Velha. A solução mais inteligente que encontrei para fugir a isto não é ficar na cidade à procura de sombra, é sair dela de manhã cedo e caminhar até uma lagoa alimentada por 25 nascentes, no meio da floresta Laurissilva. Chama-se Levada das 25 Fontes, fica na zona do Rabaçal, e é a experiência de verão que recomendo a qualquer pessoa que já tenha feito as levadas mais próximas de Funchal e queira algo com mais desnível e uma recompensa maior no final.
Quem organiza esta caminhada guiada é a Feeling Madeira Tours & Walks, uma agência sediada na Avenida Arriaga, no centro de Funchal, que trabalha só com caminhadas e passeios pela ilha. Não é uma daquelas operadoras genéricas que vende tudo, de jipes a barcos, é gente que anda nos trilhos todas as semanas e conhece o estado de cada levada, cada túnel, cada troço que pode estar interditado por causa de um deslizamento.
Como funciona o dia
O grupo é recolhido de manhã, por volta das 9h, em pontos de encontro no centro de Funchal ou diretamente no hotel, se este for na zona turística central. Dali segue de minibus até Calheta, na costa sul, onde a caminhada arranca. Não há transição suave: sai-se do calor seco da estrada e entra-se quase de imediato na floresta Laurissilva, património mundial da UNESCO, onde a temperatura desce vários graus só pela sombra das árvores.
O trilho segue a margem da levada, o canal estreito que os madeirenses construíram há séculos para levar água das montanhas até aos campos cultivados. Anda-se em fila, o caminho tem menos de um metro de largura em vários pontos, com a rocha de um lado e a água a correr do outro. A meio do percurso há dois túneis escavados à mão, escuros e frios, onde vale mesmo a pena ter uma lanterna de cabeça, porque o guia não vai carregar ninguém às costas se escorregar.
Depois de cerca de quatro horas de caminhada, com pausas para fotografias e para o guia explicar a história da irrigação na ilha, chega-se à lagoa das 25 Fontes: uma bacia natural de água cristalina, alimentada por dezenas de fios de água que escorrem pela rocha coberta de musgo, com uma cascata de cerca de 30 metros a cair num dos lados. É aqui que se ganha o direito ao mergulho.
O mergulho vale mesmo a pena?
Sim, mas prepare-se: a água é gelada, mesmo em agosto. Vem de nascentes de montanha, não aquece com o sol como a água do mar. A primeira reação de quase toda a gente é um grito curto e depois o silêncio, porque dói respirar durante os primeiros segundos. Compensa por completo. Depois de quatro horas a suar dentro da floresta, aquele choque é o melhor momento do dia inteiro, e ficar ali a boiar de costas, a olhar para a cascata, vale cada grau de frio.
Há cerca de 30 minutos livres junto à lagoa para nadar e almoçar, por isso leve sanduíches e fruta, porque o almoço não está incluído no preço da caminhada. Depois do mergulho, segue-se o regresso pela zona do Rabaçal, um percurso mais aberto, com vista para o vale, até se apanhar de novo o minibus de volta a Funchal, com chegada prevista por volta das 16h30 ou 17h.
Vale ainda referir que este trilho, tal como a maioria das levadas mais procuradas da Madeira, pode fechar sem aviso prévio por causa de deslizamentos de terra ou obras de manutenção da própria levada. Se isso acontecer no dia da sua reserva, o guia costuma desviar o grupo para um percurso alternativo na mesma zona, por isso não vale a pena insistir em fazer exatamente este trilho sozinho sem confirmar antes o estado da via junto do operador.
O que levar
- Calçado impermeável ou com boa aderência, tipo Goretex; o caminho tem troços molhados e escorregadios
- Sapatos de água ou um par de chinelos resistentes só para o momento do mergulho
- Lanterna de cabeça para os túneis (alguns guias emprestam, mas confirme antes)
- Fato de banho por baixo da roupa e uma toalha pequena
- Água e comida para o almoço, porque não está incluído
- Casaco fino, mesmo em agosto, para os primeiros minutos na floresta antes de aquecer com o esforço
Preço, horários e como reservar
A caminhada guiada "Rabaçal & 25 Fontes" da Feeling Madeira Tours & Walks custa a partir de 50 euros por pessoa, com a taxa de entrada no trilho incluída no preço. O dia é longo, entre as 9h e as 16h30, mas as horas de caminhada efetiva rondam as quatro horas. É possível reservar diretamente através do site feelingmadeira.pt, por email ([email protected]) ou WhatsApp (+351 916 077 708), ou através de plataformas como a Civitatis, onde o mesmo percurso aparece com transporte porta a porta e preço ligeiramente diferente. Confirme sempre o preço e as condições diretamente com o operador antes de reservar, porque variam consoante a época e a disponibilidade.
A dica que dou a quem me pergunta é: reserve a saída da manhã, não a da tarde, se houver escolha. Chega-se à lagoa antes de o grupo do fim da manhã encher o espaço, a luz que entra pela copa das árvores ainda é baixa e dourada, e a água ainda não foi remexida por vinte pessoas antes de si. Reserve também com alguns dias de antecedência em julho e agosto, porque os lugares esgotam depressa nesta época.
O que fazer depois
Regressado a Funchal a meio da tarde, com as pernas cansadas e a pele ainda a cheirar a floresta, o melhor é não correr para outro programa. Um jantar tranquilo no Casal da Penha resolve bem o resto do dia. Se preferir um ritmo mais lento antes disso, vale a pena esticar a tarde pelo Monte Palace Tropical Garden, que fica a caminho, e onde a sombra e os lagos com carpas fazem um contraste bonito com a floresta mais selvagem do Rabaçal. Para quem quer continuar a explorar levadas depois desta, o guia com cinco levadas imperdíveis perto de Funchal é o próximo passo natural.
Esta não é a caminhada mais fácil da lista de levadas perto de Funchal, mas é a que mais compensa o esforço no final. Quem só tem um dia para andar na Madeira em pleno verão, devia gastá-lo aqui.